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Fecham-se as cortinas do futebol nacional em 2013. É hora de fazer o balanço da Liga Portuguesa. O Foculporto, mais uma vez, ultrapassou a equipa de Jesus nas últimas voltas e cortou a meta na frente. Este ano sem a força do incrível Hulk, mas com uma equipa muito segura defensivamente, um meio campo aguerrido e mais um colombiano com «killer instinct». Se na época passada causou surpresa o Benfica desperdiçar 4 pontos de vantagem e perder o título, este ano o choque foi bem maior.

Apesar de perder Witsel e Javi Garcia no início de época, Jorge Jesus “inventou” um meio campo com Matic e Enzo Perez. A dupla sérvio-argentina, o plantel com muitas soluções (Lima, Ola John, Salvio e Gaitán – foi quase um reforço de inverno – trouxeram poder de fogo) e a valia táctica de Jesus, presentearam a Luz com um futebol mega-ofensivo, de nota artística elevada mas que no fim se revelou ineficaz para a resiliência azul e branca. O Benfica encantou os apreciadores do futebol arte, mas na hora H vacilou e o Porto tem a virtude de não ter desistido. Aproveitou os deslizes encarnados e é tricampeão com todo o mérito.

Benfica's players celebrate their 2-1 victory over Maritimo during thO Benfica apesar da capacidade competitiva voltou a mostrar que ainda não tem cultura de vitória. Precipitou-se ao festejar na Madeira e após o deslize com o Estoril (marcado pelo enorme nervosismo) voltou a demonstrar receio do FC Porto (foi fatal jogar para o empate) e a esbanjar um título que estava à mão de semear (com 4 pontos de vantagem a 3 jornadas do fim, difícil era não ser campeão).

Destaque pela negativa para mais uma época miserável do Sporting. O ridículo começou na direcção, passou pelos diversos treinadores e alargou- se aos dois plantéis leoninos (o do inicio de época e aquele que a terminou). Muito trabalho espera Bruno de Carvalho, para colocar os leões ao nível da sua história. Um mau ano, também, para o Braga. Investiu mais do que o habitual, na ambição de continuar a evoluir, e teve uma época fraca. Acabou por não aproveitar as debilidades do Sporting, que lhe abririam as portas da Champions. Pela positiva, o notável trabalho do Paços de Ferreira que com muitos jovens lusos e atletas rodados da liga nacional, alcançou o milagre de atingir, pela primeira vez, a liga milionária. O Guimarães de Rui Vitória e o Estoril de Marco Silva também merecem crédito pela aposta e potencialização de atletas portugueses, jogando de forma organizada e atractiva.

De realçar as descidas de divisão de Moreirense e Beira-Mar e as subidas do histórico Belenenses (faz muita falta ao futebol português) e do estreante Arouca (incrível o crescimento de um clube que há poucos anos era amador).

No final de cada temporada, é de praxe, escolher o onze do ano. Vou desenhá-lo, consoante a minha opinião, acrescentado alguns bónus: Craque, Revelação, Treinador, Golo, Defesa e Frase do Ano.

Onze da Liga Portuguesa 2012/13: imagesdGr: Rui Patrício (Sporting) - Em terra de cegos quem tem olho (no caso mãos) é rei. Passam centrais, laterais, trincos mas a fragilidade defensiva dos leões mantêm-se, assim como o reinado do melhor guarda-redes português em Alvalade. As suas exibições assombrosas e defesas do outro mundo salvaram durante longas jornadas o Sporting de uma humilhante zona de despromoção e elevaram-no, ainda mais, ao epílogo de legítimo sucessor de Vítor Damas.

Ld: Tony (Paços de Ferreira) - Numa época negativa para os rivais de posição (Cédric e Maxi desiludiram, Danilo não justificou o pesado investimento e Salino, travado por lesões, não apresentou o futebol da época passada), o luso-francês foi raçudo e regular. Ofereceu experiência à jovem equipa pacense e ainda marcou o golo que praticamente colocou a equipa de Paulo Fonseca na Liga dos Campeões.

Le: Alex Sandro (FC Porto) - Depois de uma boa época de estreia cimentou o lugar e mostrou toda a sua habilidade natural. Foi um dos pilares dos azuis e brancos. No Santos foi lateral, extremo e até 10, sempre com muita qualidade. Este ano até dotes de guarda-redes mostrou. Quando a bola sai daquele fabuloso pé esquerdo torna-se evidente, que não sabe jogar mal.

Dc: Ezequiel Garay (Benfica) - Disfarça a sua leve lentidão com posicionamento, desarme, marcação e saída de bola irrepreensíveis. Foi o verdadeiro líder da defesa de betão encarnada. Um central das antigas que até a fazer penaltis exala classe.

Dc: Mangala (FC Porto) - Central à Porto: duro, marcador impiedoso e por vezes, excessivo. A classificação aplica-se à primeira temporada do francês em Portugal. Este ano assumiu-se como o esteio da defesa portista. Foi lateral, central, fez assistências e marcou golos. Muito forte fisicamente, rápido e com grande poder de antecipação, teve uma época em cheio que culminou com a 1ª chamada à seleção francesa. O Defesa do ano, na minha opinião.

Mdc: Fernando (FC Porto) - O Polvo voltou a fazer uma temporada em cheio e novamente foi esquecido pela selecção brasileira. Em 2013 foi o principal jogador da equipa portista. Protegeu a sua retaguarda como sempre e empurrou a equipa para a frente em momentos chave da temporada. Revelou uma vocação de apoio ao ataque e uma veia goleadora, até então desconhecidas. Com apenas mais um ano de contrato será difícil segurar o jogador mais importante do tricampeonato portista.

Mc: Matic (Benfica) – O Batman do Estádio da Luz. Sempre que os encarnados se encontravam em perigo, surgia o morcego sérvio a salvar a nação. As suas pernas longas fizeram tudo: desarmes, antecipações, assistências e golos. Alguém se lembra de Javi García?

Mc: Enzo Pérez (Benfica) – Passou de suplente do lado direito do ataque a indiscutível no centro do terreno. Foi o Robin do Batman Matic. Fiel escudeiro do sérvio, fez com ele uma dupla muito consistente e sempre em alta rotação no miolo encarnado. Uma invenção de sucesso de Jorge Jesus que brilhou a alto nível nos duelos mais intensos da temporada.

Ed: Eduardo Salvio (Benfica) – O jogador mais caro da história dos encarnados, justificou plenamente o investimento. Foi talvez o jogador, constantemente, mais desequilibrador da Liga. Uma espécie de Hulk do Benfica, muito regular, finalizador e decisivo.

Ave: Ghilas (Moreirense) – Jogou essencialmente como único homem de ataque do Moreirense. Pressionando centrais ou caindo para as alas, o avançado argelino foi uma constante dor de cabeça para os rivais. Anotou quase metade dos golos da sua equipa na Liga e foi o verdadeiro abono de família da equipa de Augusto Inácio. A concorrência era feroz (Lima à cabeça) mas Ghilas não podia ficar de fora.

Pl: Jackson Martínez (FC Porto) – O colombiano foi na época de estreia o melhor marcador dos dragões e da Liga Nacional. Pulverizou recordes e fez esquecer por completo o compatriota Falcão. Ainda foi a tempo de mostrar toda a sua qualidade técnica, força física e inteligência em golos geniais como os que anotou frente ao Sporting e ao Beira-Mar.

Craque do ano: Matic (Benfica) – Foi o grande destaque da temporada futebolística em Portugal. Não me lembro de ver um jogo em que não tenha sido um dos melhores em campo. Um trinco moderno que desarma e cria jogo com a mesma eficiência e qualidade. Impressionante a sua capacidade de ocupação de espaços, visão de jogo e conhecimento táctico. Tipo de médio defensivo em vias de extinção e que faz falta a diversas equipas do futebol mundial.

ng103FDED4-0A37-4657-8114-FE65A3DC0C39Revelação do ano: Eric Dier (Sporting) – Central de raiz, este júnior de segundo ano, estreou-se na lateral direita, passou pelo eixo defensivo e terminou a temporada no miolo do terreno. Passeou a sua maturidade competitiva, capacidade física e inteligência por todos os cantos do terreno sempre com uma atitude de liderança e profissionalismo exemplares. Talvez o jogador mais promissor da Liga Nacional.

Treinador do Ano: Paulo Fonseca (Paços de Ferreira) – Depois de experiências bem sucedidas no Pinhalnovense e no Desportivo das Aves, finalmente chegou ao primeiro escalão do futebol português. Num clube organizado e bem estruturado, encontrou o espaço ideal para apostar no jogador português e fazer história. As exibições personalizadas, que culminaram num campeonato brilhante (apenas foi derrotado por Benfica e Porto) têm claramente o dedo do jovem treinador, oriundo do Barreiro.

Golo do Ano: Matic no Benfica – FC Porto: Jogada genial, ao primeiro toque, culminada com um remate do outro mundo: http://www.youtube.com/watch?v=uUSryHtwHIw

Defesa do Ano: Rui Patrício no Sporting- Braga: Uma defesa espectacular e felina, feita de velocidade, instinto e reflexos. Valeu três pontos e protegeu a vitória leonina no minuto 90: http://www.sporttv.pt/Videos/Videos.asp#/video?13747

Frase do Ano: Jorge Jesus: “Benfica ganhou limpinho, limpinho!” – No final do derby com o Sporting o treinador encarnado elogiou a arbitragem, tendenciosa (a favor do Benfica) e de má qualidade, de João Capela e garantiu que a sua equipa ganhou «limpinho». A expressão pegou. Gerou picardias com Vítor Pereira, meteu José Eduardo Moniz e Jesualdo Ferreira ao barulho e fixou-se no imaginário do futebol português como uma daquelas frases que ninguém vai esquecer: http://videos.sapo.pt/JeePuOfSgATgreI875HP

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Bruno GomesSONY DSC

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3 pensamentos em “Best Of Liga 2012/13

  1. aquela imagem do (menino) Jesus de joelhos marca mesmo o campeonato…
    E, curiosamente, acho que o Jesus devia tirar mais conclusões do que se passou na última semana e neste campeonato, do que aquela tagarelice que ele já nos habituou….

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