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É, talvez, isto um mau presságio; que o meu primeiro artigo neste blog não tenha propriamente um tema distinto, nem se aponte a uma reflexão desportiva, social, política ou artística, nos moldes que mais ou menos este espaço persegue.

Porém, seria prova maior da minha incapacidade intelectual não aproveitar a coincidência desta indefinição temática com o meu primeiro artigo aqui para, de forma airosa, me safar, refugiando-me numa espécie de declaração de intenções.

Da minha parte, não esperem neste espaço, que será meu às quintas-feiras, que trate muitas vezes de futebol. Para isso, reconheço aos meus distintos amigos dos outros dias da semana bem mais competências – não só nessa como noutras áreas, aliás, que isto é tudo malta ímpâcávéle, como diria o Jorjus, resumindo e traduzindo exemplarmente o que Manuel Machado poderia querer dizer com um conjunto de individualidades cujas aptidões e proficiências técnico-tácticas são notáveis, no cômputo geral das suas inúmeras complexidades cognitivas e das zonas territoriais interiores onde jogam.

No Palavras ao Poste, eu ficar-me-ei mais pelas palavras – ainda que não hão-de faltar vezes em que remate com estrondo ao poste, tendo depois de me afeiçoar rapidamente ao chão para não ficar com a bola marcada na testa, devolvida pelo ferro –, e tentarei passar o esférico a outros assuntos, e também a outros desportos.

De vez em quando, ensaiarei marcar uns livres directos no campo das Artes, hei-de correr pelas alas e despejar umas ideias para a grande área da Cultura, fintar algumas certezas à Sociedade, entrar a pés juntos – assim mesmo para vermelho – às canelas da Política, e, quando o fôlego for maior e o pulmão mais ritmado, talvez até consiga ser um box-to-box entre os diferentes assuntos. Poderá ainda dar-se o caso de fundear também nos terrenos mais instáveis da ficção, exigindo ao leitor algum poder de encaixe e até bonomia para suster certos desvios e para se suster a si mesmo, não perdendo o pé quando as vagas salgadas se misturarem com a água doce no estuário dos temas em dissipação, agitando-se no mesmo frasco a literatura, as viagens, os remoques quotidianos, os pensamentos mais elevados e, sem qualquer pudor, também os mais abstrusos.

Hoje, porém, o exercício era diferente: evitar todos os temas, para que o primeiro artigo possa afirmar-se o primeiro sem margem para dúvidas, para que os que lhe sucedam não se armem aos cucos e lhe disputem o título de artigo inaugural – os textos são muitas vezes ciumentos –, e para que o leitor não se aventure pelos meus artigos sem a devida nota prévia, sem um aviso ou confissão cuja ausência poderia mesmo virá-lo contra mim – os escritores são muitas vezes orgulhosos.

Fica, em todo o caso, e para que não se sinta o estimado leitor defraudado, a promessa do próximo artigo: Acidente: o corpo a vingar-se do desporto. (Como se de uma lata de leite condensado apresentando no rótulo um pudim gordo e feliz se tratasse, este título é também somente uma sugestão de apresentação. Na quinta-feira logo se verá como resultou o prato.)

Hugo desenho 4sc2Hugo Picado de Almeida

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