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O ano de 2014 marcará o regresso do Campeonato do Mundo de Futebol à América do Sul, algo que não acontece desde o Argentina’78. Para uma selecção em particular, o ‘timing’ dificilmente poderia ser melhor. Falo da Colômbia.

Os ‘cafeteros’ têm um registo muito modesto no que diz respeito a participações em Campeonatos do Mundo: quatro presenças (Chile’62, Itália’90, EUA’94 e França’98) e uma única chegada aos oitavos-de-final, em 1990.

Apesar da década de ‘90 ter ficado marcada como a melhor da sua história – com três presenças consecutivas em fases finais da maior competição de selecções do Mundo – a geração que juntou Carlos Valderrama, Faustino Asprilla, Fredy Rincón, Victor Ariztizábal, Adolfo Valencia ou o excêntrico René Higuita nunca conseguiu uma prestação meritória.

Em 1990 caiu nos oitavos aos pés de uma selecção dos Camarões liderada por Roger Milla (autor dos dois golos do jogo, ambos no prolongamento). Quatro anos volvidos, chega aos Estados Unidos como um ‘outsider’ a ter em conta, depois de uma impressionante vitória por 5-0 diante da Argentina de Maradona (em quebra, é certo), em pleno Estádio Monumental de Buenos Aires. Porém, uma única vitória e o último lugar do grupo ditaram o regresso a casa mais cedo (marcado pela morte de Andrés Escobar, assassinado a tiro depois do auto-golo frente à selecção anfitriã). O evento de 1998 foi o último a contar com a participação dos ‘cafeteros’ mas, uma vez mais, quedaram-se pela fase de grupos. Curiosamente, três anos depois a Colômbia alcança o maior feito futebolístico da sua história ao vencer em casa a Copa América’01, já sem muitas das vedetas da geração de ’90.

Mas a triste sina do futebol colombiano poderá estar perto do fim. Isto porque uma vaga de jogadores talentosos irrompeu nas ruas de Bogotá, Cali, Medellín e Barranquilla. Radamel Falcao (Atlético Madrid), James Rodriguez (FC Porto), Jackson Martinez (FC Porto) e Fredy Guarín (Inter) são os expoentes máximos de uma selecção que pode contar ainda com talentos como David Ospina (Nice), Juan Cuadrado (Fiorentina), Pablo Armero (Udinese), Cristian Zapata (AC Milan), Abel Aguilar (Deportivo), Camilo Zúñiga (Napoli), Luis Muriel (Udinese), Teófilo Gutiérrez (Júnior), Carlos Bacca (Club Brugge), Victor Ibarbo (Cagliari), Hugo Rodallega (Fulham), Giovanni Moreno (Shanghai Shenhua), Dorlan Pabón (Parma), Edwin Valencia (Fluminense), Aldo Ramirez (Morelia) ou Macnelly Torres (Atlético Nacional).

Se atendermos ao facto de ainda faltar ano e meio para o Mundial’14, constatamos que ainda há tempo para a integração de alguns dos jovens craques que acabaram de conquistar o Sudamericano Sub-20. O médio virtuoso Juan Quintero (Pescara), o guarda-redes Bonilla, o central Vergara, os médios Nieto e Leudo e o avançado Córdoba (substituto de Jackson no Jaguares) mostram potencial para uma chamada em breve à selecção principal.

David Ospina na baliza; Juan Cuadrado na direita da defesa; Pablo Armero na esquerda; Yepes e Zapata no eixo; um meio campo com Abel Aguilar, Zúñiga e Fredy Guarín; James no apoio à dupla de avançados Falcao-Jackson. É um onze que mete respeito! Mais ainda olhando ao vasto leque de opções à disposição do seleccionador…

A simples constatação da qualidade dos jogadores atrás mencionados já seria razão mais que suficiente para apontar esta como a melhor geração colombiana de sempre. Porém, a história está cheia de casos que mostram que um conjunto de bons jogadores nem sempre é sinónimo de uma boa equipa. E é aqui que entra o argentino José Pekerman. Conhecido por colocar as suas equipas a praticar um futebol atractivo e por potenciar jovens jogadores (venceu três Mundiais sub-20 à frente da Argentina), Pekerman já liderou a sua Argentina num Campeonato do Mundo, o de 2006 na Alemanha, quando foi amargamente eliminado pela anfitriã nos quartos-de-final, na lotaria dos penaltis.

Terá no Mundial’2014 a hipótese de chegar mais longe. Mas, como diria Luiz Felipe Scolari, “primeiro teim qui classificá“. Os primeiros tempos ao leme da Colômbia não poderiam ser mais auspiciosos: seis vitórias, um empate e uma derrota alavancaram a Colômbia para a terceira posição da qualificação para o Mundial, depois de um mau arranque com Leonel Alvarez como seleccionador (e ainda tem um jogo a menos que, ganhando, permite a subida ao 2º lugar, a apenas um ponto da Argentina).

A chave do sucesso parece ser simples: jogar com os melhores jogadores (o que nas selecções nacionais nem sempre acontece) e criar um grupo coeso, com poucas mexidas de convocatória para convocatória.

Olhando aos nomes ao dispor de Pekerman, o centro da defesa poderá ser visto como o elo mais fraco. O veteraníssimo Mário Yepes (AC Milan) parece intocável e a verdade é que continua a mostrar qualidade e liderança. Mais difícil será encontrar quem jogue a seu lado. Cristián Zapata (AC Milan) tarda em afirmar-se como central de topo, cometendo erros que podem revelar-se fatais numa grande competição. As alternativas são Luís Perea (Cruz Azul) ou Aquivaldo Mosquera (América MEX), mas dão poucas garantias e estão em fase descendente na carreira. Pekerman rezará pela afirmação de Zapata ou pela revelação de algum jovem (será Vergara a solução?).

Porém, ao contrário do que seria de esperar (pela vocação ofensiva de Pekerman, pela qualidade dos jogadores atacantes colombianos, e pela fragilidade defensiva atrás referida), tem sido a defesa a ‘brilhar’, com apenas seis golos consentidos (a melhor do apuramento). Mas não pense que o futebol da Colômbia é aborrecido. Veja, por exemplo, a vitória por 4-0 sobre o Uruguai!

O actual quinto lugar no ranking de selecções da FIFA (36ª em dezembro de 2011) pouco vale à Colômbia mas significa que o trabalho está a ser bem feito e que os resultados estão a aparecer. Se o Mundial começasse amanhã, apostava na Colômbia como candidata a bater a sua melhor prestação de sempre num Mundial (isto é, passar a barreira dos oitavos-de-final). Como começa daqui a ano e meio, encaro a Colômbia como grande candidata a equipa surpresa da competição, com reais possibilidades de chegar aos jogos decisivos. Para isso terá que continuar a trabalhar bem. E depois ainda há o factor sorte que poderá fazer a diferença nas lesões, nos momentos de forma dos jogadores ou no enquadramento dos sorteios.

Que há matéria-prima, não há dúvida. Esta geração vai afirmar-se como a melhor de sempre do futebol colombiano. Se não for neste mundial, noutra grande competição será. Estamos a falar de uma geração jovem e promissora. Eu faço ‘all-in’ na Colômbia!

joni_desenhoJoni Francisco

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One thought on “A melhor Colômbia da história

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