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Quando era pequeno, nunca quis ser polícia nem bombeiro. A primeira coisa de que me lembro de querer ser foi piloto de Fórmula 1. A minha avó materna, conselheira ajuizada, recomendou-me que escolhesse outra coisa, que aquilo lhe parecia perigoso. Assim fiz, e, umas semanas depois, disse-lhe o que tinha decidido: seria piloto de Rali. Pensei, de certeza muito erradamente, que assim a tranquilizaria, mas na verdade a F1 sempre me atraiu bastante mais, e sempre foi essa a paixão motorizada que em mim se cimentou.

Desde que me lembro de gostar de coisas que gosto de ver Fórmula 1, e quantas vezes não me levantei de madrugada para me sentar no chão da sala a ver o Grande Prémio de Melbourne ou o de Suzuka, na RTP ainda de símbolo antigo e com o inesquecível grafismo da Fórmula 1 nos anos 90: grandes números pretos sobre quadrados amarelos – quem não se lembra deles?

O meu primeiro ídolo (estávamos em 1993) foi o inglês Damon Hill, então a correr pela Williams. No ano em que o campeão saiu para a Arrows e que Schumacher trocou a Benetton, onde foi campeão em 1994 e 1995, pela Ferrari, eu troquei o inglês pelo alemão, e a Williams pela famosa scuderia italiana.

Tenho muitas memórias das transmissões dos Grandes Prémios. Graças às transmissões da RTP, o hino da Eurovisão é para mim sinónimo de F1. Lembro-me, muito tristemente, do fatídico GP de San Marino 1994, em Imola, certamente o fim-de-semana mais negro da história da modalidade, com as mortes do austríaco Roland Ratzenberger, no seu ano de estreia, e do tricampeão mundial, o inolvidável brasileiro Ayrton Senna. Lembro-me também do recordista GP do Mónaco 1996, onde só três carros terminaram a prova nas famosas ruas do Principado – estive lá algures em muito pequeno, e da cidade recordo quase unicamente a rua com as marcas da grelha de partida. Lembro-me ainda da brilhante corrida de Schumacher no agreste GP da Bélgica 1998, a fazer lembrar Senna no seu meio natural — a chuva –, no mítico circuito de Spa-Francorchamps, em que apenas oito dos 22 carros haveriam de terminar a prova, depois de um acidente com 13 pilotos na primeira curva, e do famoso acidente e da quase chegada a vias de facto entre Coulthard e o piloto principal da scuderia rossa. Lembro-me também, com a proximidade daquilo que parece ter acontecido apenas ontem, do Natal em que recebi um volante e pedais da Ferrari para me fazer piloto de F1 na segurança da casa e do ecrã. Lembro-me de jogar corridas com o número de voltas real, de estudar trajectórias óptimas e, claro, de destruir carros em número suficiente para levar a equipa à falência. A ficção é mais doce do que a realidade.

Desde 2007, quando a RTP deixou de transmitir a modalidade, esmoreceu o meu acompanhamento das provas, e foram poucas as corridas a que assisti desde então, acompanhando apenas os resultados e alguns dos seus excertos. Em 2013, porém, reacendo a paixão com o combustível ardendo nos motores, e prometo trazer-vos notícias sobre a modalidade-rainha do automobilismo: a primeira prova do calendário, o GP de Melbourne, é já no dia 17 de Março.

O mês de Fevereiro tem sido de apresentação dos novos monolugares e composição das equipas. De seguida, apresento-vos as principais novidades e expectativas das 5 equipas que ficaram na segunda metade da tabela em 2012 (em último lugar ficou a HTR F1 TEAM, equipa espanhola que não efectuou inscrição para a presente temporada por falta de verbas e que, consequentemente, entrou em processo de liquidação). Porque dos vencedores todos falam e porque dos principais candidatos ao título haverá oportunidade para falarmos mais no início da temporada.

(ordem ascendente na classificação de 2012)

marussiaF1MARUSSIA F1 TEAM (-Cosworth) Apesar de não ter obtido qualquer ponto em nenhuma das três épocas que já disputou desde 2010 (até 2011 com o nome Virgin Racing), a Marussia parte para este ano com a expectativa de se afirmar como uma equipa do top 10 (9, pois este ano é disputado com menos uma equipa do que é habitual), provavelmente animada pelo crescente mediatismo da modalidade na Rússia e pela inclusão de um GP russo na temporada de 2014. A equipa apresenta este ano uma dupla de estreantes, Luiz Razia e o Max Chilton, ambos ex-pilotos de testes da equipa. A Marussia apresentou o seu novo monolugar – o MR02 – no dia 5 de Fevereiro. Pela primeira vez, um carro da equipa já está equipado com sistema KERS (acrónimo inglês para Sistema de Recuperação de Energia Cinética), montado em parceria com a Williams Advanced Engineering. Este sistema, já usado pelas principais equipas, permite armazenar a energia cinética gerada durante a travagem, que de outro modo seria dissipada, e reutilizá-la em momento de aceleração, por escolha do piloto, permitindo um aumento temporário de cerca de 80 cavalos de potência.

caterham-f1-team-logo-design-via-imjustcreative3CATERHAM F1 TEAM (-Renault) Sempre em 10º lugar da classificação por equipas e sem qualquer ponto conquistado desde a sua estreia em 2010 (anteriormente, sob as designações Team Lotus e Lotus Racing, então com motores Cosworth), a Caterham tem este ano o objectivo de se aproximar do meio do pelotão, segundo o seu director, Cyril Abiteboul. A equipa rejuvenesceu a dupla de pilotos, tendo trocado a experiência de Trulli e Kovalainen pela juventude do francês Charles Pic, ex-Marussia, e de Giedo van der Garde, holandês estreante que já fora piloto de reserva da marca na temporada passada. O CT03, carro que disputará a prova, é uma evolução do seu predecessor, pois, com a entrada em vigor, em 2014, dos novos regulamentos sobre motores, a marca preferiu concentrar esforços e alocar parte do orçamento deste ano para a concepção e produção dos monolugares da próxima época. Ainda assim, o CT03 apresenta melhorias ao nível do difusor, cobertura do motor e sistemas de arrefecimento, mas verá ainda melhoramentos no decorrer da época, com a instalação das novas asas dianteira e traseira, entre outros. Ontem, a FIA avisou a marca de que o design dos seus exaustores pode vir a ser considerado ilegal, pelo que se prevê a introdução de alterações.

Toro_Rosso_Logo_ptSCUDERIA TORO ROSSO (-Ferrari) Depois de um carro, o STR7, a que faltou vitalidade em 2012, a segunda equipa patrocinada pela Red Bull na grelha de partida da F1 deposita grandes esperanças no STR8 apresentado no início de Fevereiro. A equipa manteve a sua dupla de pilotos – Jean-Eric Vergne, que se estreou no ano passado e fez quatro 8º lugares na última época, e com Daniel Ricciardo, que ficou logo atrás do seu companheiro de equipa, respectivamente 17º e 18º da geral. A confiança no carro, o primeiro construído pelos técnicos James Key – ex-Sauber − e Luca Furbatto, é grande, com Franz Tost, director da equipa, a apontar os objectivos ao 6º lugar (em 2012, a Toro Rosso terminou em 9º, a 100 pontos da sexta posição, ocupada pela Sauber, a única equipa com motores Ferrari, além da própria Toro Rosso e, obviamente, da própria scuderia do cavalo rampante).

500px-2012-WilliamsF1_Logo_SVGWILLIAMS (-Renault) O século XXI da Williams tem sido pautado por sucessivas mudanças no fornecedor dos motores. Depois de 5 anos fortes a correr com motores BMW (2000-2005), a Williams saltitou entre Cosworth (2006), Toyota (2007-2009), e novamente Cosworth (2010-2011), até voltar à Renault (2012), o que já não acontecia desde 1999, quando terminara uma ligação de 10 anos entre as duas marcas. De facto, a época de 2011 tinha sido a pior época de sempre da marca, o que justificou o regresso à construtora francesa. Os resultados, mais animadores em 2012, conseguidos por Pastor Maldonado e por Bruno Senna (sobrinho do falecido Ayrton), parecem querer devolver a marca às glórias dos anos 90, protagonizadas por Nigel Mansell, Damon Hill, Alain Prost, entre outros.  Mantendo Maldonado e promovendo o piloto de testes Valtteri Bottas, a marca que ainda hoje, em todos os seus carros, pinta um “S” de Senna em homenagem ao seu falecido piloto, procura este ano apontar-se mais alto na classificação, contando para isso com o seu FW35, armado “com uma nova caixa de velocidades, nova suspensão traseira, novo fundo, novo sistema de escapes, um novo nariz e uma nova estrutura, tendo havido uma grande poupança no peso” (Frank Williams, director da equipa). Como aconteceu com a Caterham, ontem, a FIA avisou a marca de que o design dos seus exaustores pode vir a ser considerado ilegal, sugerindo a sua alteração.

Sahara_Force_India_LogoFORCE INDIA (-Mercedes) A equipa indiana é a única que, a menos de um mês do início da temporada, ainda não tem completa a sua dupla de pilotos. Por saber está quem será o companheiro de Paul di Resta, e tudo indica que a decisão virá dos accionistas da marca, co-propriedade de Vijay Mallya, milionário da aviação e bebidas espirituosas que actualmente enfrenta problemas financeiros e legais num tribunal indiano. Os rumores dizem que Adrian Sutil, que correu pela equipa entre 2008 e 2011, ou Jules Bianchi, piloto de testes da Force India, poderão ser candidatos a fazer parceria com Paul di Resta, ainda que Bruno Senna, ex-Williams, e o japonês Kobayashi, que na última temporada fez 12º da geral pela Sauber, surjam também em algumas notícias recentes. A decisão dos accionistas deverá ter como critério de relevo a capacidade do piloto atrair patrocinadores fortes que permitam manter a equipa solidamente a meio da tabela classificativa. O carro para 2013, o VJM06, é descrito pela equipa como inteiramente novo, para alcançar melhores desempenhos. No exterior, a sua inovação mais visível está no nariz, agora constituído por um painel plano que deverá, de acordo com o director técnico da marca, Andrew Green, potenciar a sua aerodinâmica.

Mais perto do início da temporada hei-de escrever sobre os principais candidatos ao título de 2013.

Por isso, desimpeçam a pista, liguem os motores, e esperem pelo verde. A edição de 2013 da F1 está quase aí.

Hugo desenho 4sc2Hugo Picado de Almeida

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One thought on “F1 2013: o reacender da paixão

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