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Não sou católico e até tenho uma relação amorosa com um ser humano do sexo feminino. Porém esta fofa insiste em afirmar que o meu grande amor é Jesus.

Não é o Jesus de Belém (também lá esteve), filho de José e Maria mas sim Jorge, primogénito de Virgolino e Maria Elisa(não é aquela jornalista cheia de laca que será sempre o grande amor de Pinto da Costa) e proveniente do concelho africano da Amadora.

Provavelmente é uma relação não correspondida até porque eu não macredito co Jorjus me conheça.

Contudo é importante esclarecer que a minha paixão por Jesus é meramente religiosa, sou um devoto da igreja Leonina e da causa futeboleira em geral e é impossível não reconhecer méritos e qualidades a um operário incansável como aquele. É verdade que mascar pastilha como se fosse um Transformer e dar caneladas daquelas na língua de Camões num país que se preocupa mais em discutir pentelhos (já dizia o outro) do que analisar os factos que interessam (no caso a competência das pessoas) não abona nada a seu favor.

A verdade é que desde que surgiu José Mourinho, tivemos uma necessidade de aceitar todos os treinadores que vestiam e falavam bem como se de novos génios dos relvados se tratassem. Desprezados foram aqueles que tinham a formação do campo, a experiência de rodar em todos os escalões da liga nacional e falar o futebolês da Liga dos Últimos. Assistimos a uma invasão de teóricos bem-falantes que pouco ou nada acrescentaram como Luís Campos ou Vítor Pontes.

No caso de JJ seria injusto não dizer que chegou tarde a um grande. Esteve muito bem em clubes pequenos como Amora, Felgueiras ou Estrela da Amadora. Mas a carreira engrenou depois de passar por Leiria, saltando para Belém antes de fazer escala em Braga para aterrar qual águia Vitória na Luz.

O Benfica antes de Jorjus, era um clube que investia milhões em jogadores e treinadores anualmente sem efeitos prácticos alguns. Títulos eram uma miragem, ficava constantemente atrás do razoável Sporting de Paulo Bento, na Champions raramente aparecia e na Liga Europa não ia longe. A valorização de activos não existia na Luz e exceptuando as saídas de Manuel Fernandes e Simão, pouco ou nada lucrava com a potencialização dos seus atletas.

A chegada do mestre da táctica à Luz com o seu estilo mandão e exaltado agitou as hostes benfiquistas e jogadores com grande potencial como Dí Maria, que nas duas épocas anteriores vivia de fogachos, começaram a crescer pessoalmente e a entrar na forte dinâmica de rolo compressor criada por Jesus.

A promessa de jogar o dobro não era mentira nenhuma e a verdade é que desde que JJ assumiu o cargo, o Benfica joga sempre um futebol ofensivo (demasiado para alguns), de pressão constante, valoriza e vende jogadores anualmente, luta sempre para vencer títulos e já conquistou alguns. Além disso JJ fez de tipos medíocres jogadores certinhos (Jardel, Weldon) e descobriu as posições ideiais para jogadores que pareciam não ter espaço nos seus locais de origem (Matique, Fábio Coentrão, Melgarejo).

Trabalhar num grande também fez de Jesus um profissional melhor. Está mais polido socialmente, sabe controlar melhor o esforço dos jogadores quando estão a vencer e está menos teimoso (saudades do Roberto ou do Emerson). Percebeu que tem de rodar mais a equipa. Antigamente estava habituado a ter um curto núcleo duro de jogadores em equipas pequenas mas numa equipa que luta por tudo é preciso um leque maior de opções. As outras coisas boas continuam lá: penteado à Richard Gere, aquele espiríto de cheerleader que o faz andar aos saltos e gritos o tempo inteiro no banco dos suplentes e, óbvio, aquela taxa de basófia suprema. Esta última já o acompanha desde o tempo em que foi a Espanha com o Belenenses perder 1-0 com o Real Madrid e dizer que eles jogavam muita pocaxinho e que com ele no comando os merengues tinham ganho por 10-0.

Jesus é assim, forte em todos os aspectos do jogo, fraco comunicacionalmente e pouco humilde, apesar de neste quesito estar a melhorar, este ano não disse que ganhava a Xampions.

Estando o meu clube num abismo financeiro, cada vez mais longe dos outros dois grandes e a ver o Braga a crescer progressivamente, tenho de aceitar as provocações adversárias. Muitos dizem que vamos passar a ser patrocinados pela Igreja Universal do Reino de Deus e que nas belas camisolas verde e brancas virá escrito “Nem Jesus Salva”. Na minha opinião aí é que está o erro, porque no caso leonino “Só Jesus Salva”.

O Sporting de há uns anos para cá é uma feira de vaidades onde grandes empresários e economistas gerem o clube em beneficio próprio, sem perceber nada de futebol tentando provar uns aos outros que conseguem fazer melhor do que o antecessor. A verdade é que a teoria do Tiririca (pior do que está não fica) não funciona no leão e o clube alvo das suas péssimas gestões desportivas e constantes guerras internas vai ficando cada vez mais longe dos seus rivais.

Neste momento de eleições é importante um presidente novo com liderança e uma equipa directiva que fale a uma só voz e tenha poder nos orgãos de decisão do futebol nacional.

Contudo mais do que isso é importante Jesus. Fundamental eu diria. E explico porquê!

– É o único treinador no mercado com capacidade para potenciar os meninos de Alvalade e conseguir gerar receitas desportivas e financeiras com eles. Enquanto o clube não fizer isto com regularidade vai andar sempre atrás dos outros porque apesar de não comprar mal vende pessimamente. Assim é impossível gerar receitas para novas aquisições de valor;

Tem conhecimento de mercado para trazer jogadores de qualidade a baixo custo ou medianos que possa fazer crescer no clube. É o que dá ser viciado em PFC;

Seja qual for a táctica que usar, vai sempre dar um cariz ofensivo e dominador à equipa. Coisa que o Sporting não tem há anos. O seu Benfica já actuou em diferentes esquemas tácticos, sempre com a mesma dinâmica.

– O seu feitio ia chocar com o conformismo e a mordomia cega que rodeia e serve os atletas do Sporting, além de abalar com a estrutura burguesa e amadora que (pensa que) gere o futebol do clube há anos.

– Seja qual for o presidente eleito, se não tiver vitórias em sequência corre o risco de ser corrido à padrada como foram os últimos dois. É urgente ter resultados imediatos e não me parece que o prof. Jesualdo seja pessoa para criar uma equipa dominadora tendo poucos recursos. Só vitórias no campo podem permitir ao clube alguma tranquilidade e estabilidade para se organizar internamente.

– O facto de Jesus ser um treinador de calibre, sportinguista e poder trocar a Luz por Alvalade vai gerar uma mobilização positiva nos adeptos do clube que além de serem mais cooperantes com ele e com a direcção vão saber dar tempo a um profissional de valor.

Muitos de vocês vão pensar que estou doido pois Jesus tem um vencimento elevado, mas tendo em conta que os leões estão a pagar a três treinadores e a mancos como Bolo de Arroz ou Bojinov parece até um treinador barato. É só uma questão de gestão.

Para o ano dificilmente haverá leões nas competições europeias, logo o plantel será mais curto, terá como base a formação e só competirá nas provas nacionais. Se conseguir contratar Jorjus e quatro ou cinco peças chaves, pode muito bem lutar por títulos. A equipa vai continuar a ser inferior a Benfica e Porto mas não é nos clássicos que se ganham campeonatos e se o Sporting continuar a perder com clubes como o Moreirense ou Estoril, qualquer dia até é proibido de disputar os tais clássicos.

Para JJ ficar no Benfica seria mais fácil. Tem equipa montada e uma estrutura forte (que ajudou a montar), contudo ainda é visto com desconfiança por uma franja dos adeptos e os próprios dirigentes não mostram total confiança no seu trabalho. Parece evidente que esperam pelo título de campeão nacional para lhe renovarem o contrato. Provavelmente treinar este moribundo Sporting seria o maior desafio da sua carreira e se nenhum candidato a presidente leonino se chegar à frente o clube vai perder a sua chance de ouro para a reabilitação.

Eu como sportinguista estou cansado de ver engenheiros, professores e toureiros ao leme do Sporting. Será pedir muito ter o melhor treinador português da actualidade (Mourinho são peanuts), que está em final de contrato e é sócio do Sporting há mais de duas décadas no banco do clube?

O futuro do futebol leonino pode mostrar se irá haver uma mudança no drama que é o roteiro do filme verde e branco ou se esta sequela também terá um final infeliz.

Despeço-me citando o filho do sr.Virgolino: Atão xau!

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SONY DSCBruno Gomes

 

 

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6 thoughts on “Só Jesus Salva!

  1. Fartei-me de rir com este! As expressões do JJ ao longo do texto foram muito bem encaixadas. Concordo com grande parte do que foi dito, e acho bastante possível que o grande Jesus vá para o Sporting (dependendo, claro, do Presidente que for eleito). Só acho que essa transferência de clubes ia deixar muitos lampiões que eu conheço enfurecidos!

  2. Nunca entendi muito bem a tua admiraçao pelo JJ, muito provavelmente por não conseguir passar por cima das particularidades acima mencionadas….mas desde que comecei a ouvir a tua opinião vejo-o menos mal hehehe. Beijos

  3. Ele ontem mandou-te passear com essa ideia mas sabes que eu se calhar até apoiava e penso que seria o treinador ideal para o Sporting talvez o treinador ideal que não é no Benfica, pelo menos para mim.

  4. De facto, o JJ é sócio do Sporting há mais de duas décadas. Rigorosamente, é sócio do Grande há cinco décadas. O filho de ex-operário da equipa dos 5 violinos é sócio há 50 anos.

    “Desde muinta pacanino, portantos…”

  5. Pingback: Até que a morte nos separe? | Palavras ao Poste

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