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miguel lopesVamos por exclusão de partes. Não gosto de paineleiros, muito menos do Luís Freitas Lobo (LFL). Apesar de ser extremamente humilde, sensual e superior a qualquer individuo à face da Terra, sou uma pessoa por vezes preconceituosa! Não gosto de entendidos de certos temas, que nunca realizam na práctica o que tão bem expressam na teoria. Assumo, é um defeito, assim como comer latas de leite condensado às escondidas de madrugada. Muitos me alertarão: “Bruno vais ficar gordo, come salada”! Mas isso para mim é um mito urbano, as vacas só comem capim e são obesas.

Contudo se pensam que este é um erro a adicionar à minha playlist, cito o sábio Nuno Gomes “os jogadores são humanos como as pessoas”, então eu próprio também devo ser perdoado pelos meus defeitos. O filósofo Mário Jardel afirmou mesmo um dia que “o difícil como sabem não é fácil”. Eu entendo-o, mas mesmo os meus defeitos são questões (já dizia Jesus) do “forno interno do clube”, ou do Blog, e estas questões acabam sempre por ser uma “faca de dois legumes” (Sir Jaime Pacheco). Contudo, mesmo estando em dificuldades vou jogar ao ataque, fechadinho lá atrás. Inspirado no pequeno mas feroz Rui Barros, “vou dar o meu melhor de mim” e não aceito que alguém faça da minha pessoa um Bode Respiratório!

Voltando ao Shakespeare do futebol nacional, devo admitir que apesar de não gostar do que diz, tenho uma opinião positiva acerca de uma expressão que LFL gosta muito de proferir: Planeta Futebol. Acho que é talvez a expressão mais correcta do mundo do futebol. Duvido que os profissionais desta modalidade sejam do planeta Terra ou de algum outro do sistema solar. Não sendo do planeta Vegeta do iluminado Songoku, só podem ser do Planeta Futebol.

Senão vejamos, um terráqueo que aufere cerca de 60 mil euros por mês, tem um trabalho (dar uns bicos numa bola e tirar umas fotos com umas fãs histéricas, tipo do Crepúsculo) que lhe consome cerca de três horas diárias e possui uma casa confortável, faz o quê ao seus euros e tempos livres?

As opções são muitas. Há as futilidades como os telefones da moda, as festas de luxo, os carros topo de gama, as Marias-Chuteiras (aquilo que os brasileiros chamam às Nereidas da vida) e as Marias-Chuteiras mais popozudas (aquelas que possuem nádegas e quadris volumosos; em África, os tradicionais rabos de prateleira). Depois destas opções surgem a leitura, cinema ou teatro, aprender uma arte marcial, ou uma língua diferente, tocar instrumentos musicais e ajudar os outros.

Os conterrâneos do Planeta Futebol têm apenas as futilidades entre as suas opções, com mais alguns tópicos: jogar PlayStation, organizar orgias, fazer tatuagens, jogar PlayStation, participar em orgias, criar looks de meter medo ao susto, jogar PlayStation e realizar jogos de PlayStation no meio das orgias.

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Não é que eu não goste de PlayStation e orgias,muito pelo contrário, mas é que este ritual para um jogador de futebol é como para um terráqueo ver o Telejornal. Além disso, como um dia afirmou o sociólogo Roger Flores “nem se eu tivesse dois pulmões” aguentava esta rotina. Mesmo assim há quem os chame de incríveis. Deve ser pelo português sublime com que se expressam ou pelas fatiotas de marca que vestem. Apesar do gosto para lá de duvidoso, são provavelmente as mais caras da loja. No Planeta Futebol, o lixo e o luxo e o caro e o foleiro são quase sinónimos.

Estes seres de discurso fácil, surpreendente e sempre pronto também têm os seus deslizes. Muito raramente, há espaço para uns humms e ahnns antes de dizerem alguma coisa imprevisível e difícil de decorar como “temos de levantar a cabeça”, “vamos dar a volta à situação”, “quero dar os parabéns à massa associativa”, “faltou uma pontinha de sorte” e “a culpa foi do árbitro”.

Quero desde já dizer que nada tenho contra jogadores de futebol e muito menos tenho inveja dos mesmos. A não ser do talento para a Kizomba do Miguel Lopes, do sex appeal do Luisão e das irmãs unidas e pouco interesseiras do Cristiano Ronaldo.

Contudo como bom português, preocupo-me com a imagem e a idolatria excessiva que é natural nos que gostam de futebol, mas que a comunicação social (porque vende) faz questão de extrapolar para níveis absurdos. Os políticos também adoram aproveitar-se desta exposição positiva que os futebolistas dão. Até hoje duvido que os Presidentes da República não tenham nada mais útil para fazer do que patrocinar lanches e jantares com a selecção de futebol sempre que esta se prepara para ir a algum evento desportivo. Ou ainda andar a distribuir colares de honra e mérito a agentes desportivos que anualmente realizam negócios duvidosos.

Este comportamento não é positivo para ninguém. As pessoas do futebol acham-se maiores do que são e de certa forma intocáveis, a situação financeira dos clubes nacionais é o reflexo disso. Por outro lado, os futebolistas que são talvez o maior exemplo para as crianças do país, são expostos aos olhos da nação onde as suas (in)capacidades culturais, intelectuais e sociais vêm ao de cima. Um jovem que veja um programa ou entrevista com qualquer jogador desta nova geração portuguesa, não vai encontrar ideias, conhecimento ou sequer um fio de pensamento consistente. Quanto muito, talvez uma garagem com Porsches e Ferraris, uma piscina para orgias ou algum ecrã gigante para jogar PlayStation. Isto ilude a juventude que ambiciona ter esta vida “fácil”.

A geração de 80 era aquela que, não tendo instrução a nível académico, investia no futebol. Muitos tornaram-se treinadores como Sir Jaime Pacheco ou Lord Álvaro Magalhães. A de 90 juntava uns trocos e comprava imóveis para alugar ou abria restaurantes. Já aqueles que abandonaram os relvados nos anos 2000, deram esperança e uma lição ao país. Figo, Sá Pinto ou Rui Costa, são bons exemplos de jogadores que beberam a cultura dos países onde viveram no estrangeiro. Souberam usufruir das regalias que o desporto lhes deu para se formarem e, mesmo continuando no mundo do futebol, tornarem-se pessoas com nível académico e cultural elevado. Sem contar, é claro, com o bom exemplo que dão a nível social.

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A nova geração, por muito que me entristeça constatar, parece que regrediu. Agora nem à sueca jogam, isso desgastaria muito os (poucos) neurónios que a maioria tem.

Observando profissionais dedicados e que nos parecem de qualidade pessoal superior, como João Moutinho ou Bruno Alves, percebemos que além de serem óptimos jogadores são fantásticos jogadores de PlayStation e pouco mais. Estes são apenas dois exemplos de indivíduos mimados que, ganhando fortunas, fazem ou já fizeram birras para deixar de cumprir contratos assinados livremente com os seus clubes. Vários seguem este caminho, desrespeitando instituições que lhes pagam a peso de ouro e esquecendo-se que enquanto choram como mártires para abandonar quem lhes proporciona a vida boa, existem milhares de conterrâneos que choram para ter um reles emprego que os ajude a sobreviver à dura realidade do país.

Respeito quem trabalha bem seja em que área for, mas definitivamente os indivíduos do Planeta Futebol têm que perceber que o trabalho deles vai muito além daquelas quatro linhas brancas que Maradona tanto adora.

Voltando ao filósofo Mário Jardel, neste tipo de temas “sobe-me a naftalina”, por isso peço desculpa por alguma exaltação. A minha modéstia faz-me pensar como o Dr. Gabriel Alves: acho que neste artigo “não joguei nem bem, nem mal, antes pelo contrário”. Peço encarecidamente a quem não gostar, que não vá para o caminho da violência, porque como um dia referiu o Prof. Ricardo “quando se leva um pontapé nas canelas, dói mas não aleija”. Quero aproveitar para, qual politólogo João Pinto, confessar em nome do Palavras ao Poste: “Sim, estamos felizes porque estamos contentes”. Este sentimento deve-se à grande adesão e receptividade com que os internautas nos têm acolhido. Quero também pedir desculpa aos meus colegas de Blog e aos nossos seguidores se não consegui produzir um texto melhor, mas como o guerreiro minhoto Barroso “não deu para fazer mais, estou de caganeira”.

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SONY DSCBruno Gomes

 

 

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4 thoughts on “Planeta Futebol

  1. Este artigo deixou-me uma pergunta no ar: ” Preferia os jogadores dos anos 90 que falavam sem pensar com a mesma terminologia de um servente de obras ou prefiro os futebolistas actuais com o discurso estudado ( agora lembrei-me do Lima que foi a 3 flash interview na mesma semana e pareciam a mesma)? E como será a geração do futuro? É capaz de ser uma visão assustadora do futuro mas deixo a ideia.

  2. Pingback: Domingo no peladão | Palavras ao Poste

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