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A famosa trilogia das lêndeas, de Bruno Gomes, deu que falar: muito se debateu, muito se contradisse, muito se argumentou. A favor, contra, ou num «talvez» hesitante de quem sempre guarda um pouco de compaixão para com os mais incapazes, ou mesmo de quem guarda uma certa nostalgia daqueles tempos em que os pernetas clássicos dos anos 90 faziam as horrorosas delícias dos adeptos dos grandes. Golos falhados à boca da baliza, passes de desacerto, desatenções infantis, frangos de capoeira, ou somente aquela total inaptidão para mover ambas as pernas e coordenar um movimento futebolístico. Viu-se e vê-se de tudo, até aos dias de hoje: mas no adepto permanece aquela sensação de que os pernetas de outrora tinham outra classe: eram mais lendários. Mais  desengonçados. Mais rocambolescos. Nos seus pés a bola transformava-se num autêntico cubo inerte. Para a posteridade ficam os momentos de sofreguidão e fúria do adepto, que tanto desesperou com a aselhice que as «Lêndeas» espalharam pelos relvados portugueses. E na trilogia de Bruno Gomes, ilustre maestro que compôs a sinfonia técnico-táctica da comichão dos três grandes, ninguém se fica a rir – há «pinos» para todos os gostos: do dominador FC Porto, passando pelos intermitentes Benfica e Sporting. No fim, o riso, a fúria e a nostalgia misturam-se com o golo falhado, o corte disparatado que fez auto-golo ou o frango de levar as mãos à cabeça. E ficamos com vontade de coçar. Muita vontade de coçar…

No onze do FC Porto, Bruno Gomes optou por colocar Kralj na baliza, compondo a defesa com Nelson Benítez na lateral esquerda, Sonkaya na direita, e o eixo com o indomável Argel e o apático Stepanov. No meio campo defensivo joga Prediguer, secundado pelo marroquino Chippo e pelo argentino Valeri, estando as alas entregues a Rubens Júnior e ao «cambalhota» Alessandro. Quinzinho é o escolhido para a função de matador…

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No onze encarnado, Bruno Gomes edifica um SL Benfica repleto de vedetas de um baú que os benfiquistas tentam manter fechado a sete chaves e cadeado. Nas redes, Roberto Jímenez dá a segurança. O quarteto da defesa tem o paraguaio Ricardo Rojas na esquerda, o esquecido Okunowo na direita, e no centro, dois portentos defensivos: Edcarlos e o caceteiro Tahar El Khalej. No meio campo, distribuindo classe, o homem das «Big Balls» Michael Thomas, emparelhado com o «robocop» Fernando Aguiar. Nas alas, Balboa e Marco Ferreira para assistir dois avançados de susto: o espanhol Tote e o sueco «rockstar» com nome de batata frita: Martin Pringle.

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Quanto ao onze titular do Sporting CP, Bruno Gomes fez questão de escolher a dedo os mais inesquecíveis talentos da  aselhice e da disfunção táctica. Na baliza, o belga De Wilde para o que der e vier. Na lateral direita, o jovem Cédric Soares e na esquerda o vagaroso Evaldo. No centro, Nuno André Coelho e Gladstone fazem uma dupla de respeito, enquanto que o meio campo defensivo tem a ajuda de Carlos Paredes. Mais no miolo, o reformado Angulo distribui jogo ao lado do argentino Kmet, municiando um ataque de sonho (ou pesadelo…) composto pelo barrete Bruno Gímenez, pelo desajeitado croata Petar Krpan e pelo apurado «killer instinct»  de Purovic.

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Texto de: Bruno Falcão Cardoso

Bruno Cardoso desenho

Tácticas de: Bruno Gomes

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2 thoughts on “A trilogia das lêndeas

  1. Imagino um Benfica com Pringle e Tote acabarem cada um…sei lá, 5 ou 6 golos numa época toda. Ainda por cima com extremos como o Balboa e o M. Ferreira. Mas acho que pior que o Balboa era o Luis Carlos…ou o Pembridge.

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