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Chorão, músico brasileiro, líder do grupo Charlie Brown Jr. faleceu esta semana, deixando órfã uma geração de fãs (na qual me incluo). O homem que era a cara, o corpo e a alma de um projecto que revolucionou o panorama do rock brasileiro chegou à ribalta com um refrão que questionava: “Senão eu quem vai fazer você feliz?”. Provavelmente a banda não deve conseguir encontrar a felicidade sem o famoso adepto do Santos FC. Um outro tubarão do futebol mundial, o Barcelona, conseguiu descobri-la de forma suprema, com um homem bem mais discreto. Para os barcelonistas é apenas, Pep.

Não é aquele jovem central do Real Madrid, natural da freguesia portuguesa de Maceió (logo a seguir a Ermesinde), que é comandada por Dilma Rousseuf, a mãe do Chucky (o famoso boneco assassino). Essa espécie de versão psicopata do Krilin (inseparável parceiro do grande Son Goku), que mais parece uma charrua a lavrar a terra cada vez que vê pernas adversárias a mexer em campo, tem apenas o nome em comum com o herói catalão.

O Pep blaugrana, chama-se Josep Guardiola e qual Che Guevara da bola revolucionou o enfadonho futebol actual. Nunca um treinador careca fez tanto sucesso com o público feminino, mesmo utilizando gravatas finas com camisas de manga curta. Vocês desculpem mas não acredito nesse ditado que diz que é dos carecas que elas gostam mais. Se isso fosse verdade ícones sexuais desprovidos de massa capilar, como Paco Bandeira, Artur Albarran ou Jaime Pacheco, teriam outro (merecido) reconhecimento tanto das mulheres como da comunicação social.

Este jovem treinador conseguiu provar num jogo cada vez mais jogado de forma expectante, defensiva e no erro do adversário, que é possível vencer, sendo agressivo, dominador e acima de tudo dando um grande espectáculo de futebol-arte a quem assiste. Em quatro épocas desportivas, o ex-capitão do Barça na década de 90 e ex-treinador da equipa B blaugrana, conseguiu números e marcas impressionantes e quase impossíveis de alcançar.

Em 247 jogos, foram 179 vitórias, 47 empates e apenas 21 derrotas, num aproveitamento vitorioso de quase 75%. Mais do que isso teve a coragem de varrer primas donas do balneário catalão como Ronaldinho ou Deco e apostou forte em jovens da formação dando espaço a nomes de peso (hoje em dia) como Gerard Piqué, Sergio Busquets ou Pedro Rodríguez.

Durante as quatro temporadas que esteve em Camp Nou, Pep venceu tudo o que havia para vencer. Foram duas Ligas dos Campeões (na sua história de mais de 100 anos, o Barça só tinha outras duas), três Ligas espanholas, duas Taças do Rei, duas Supertaças de Espanha e da Europa e dois Mundiais de Clubes. Com o histórico rival, Real Madrid, foram 15 jogos, com 9 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas. Com a impressionante diferença de golos de 33-15, os blaugrana construíram dois dos resultados mais humilhantes da história do El Clássico, 5-0 em Camp Nou e 6-2 em pleno Santiago Bernabéu. Mesmo gastando milhões anualmente, foi practicamente impossível ao Real Madrid e a qualquer outra equipa europeia vencer e, principalmente, dominar e contrariar o vendaval ofensivo dos catalães.

Com uma postura educada e uma presença vibrante no banco, Guardiola mostrou que é possível vencer apostando em prata da casa, se formada com qualidade. Conseguiu dar um nível de ambição constante a diversos atletas já muito vitoriosos e, acima de tudo, provou que a (aparentemente) utópica escola holandesa e brasileira de futebol técnico e simples, consegue ter sucesso na actualidade.

20121001_634847200248661331Suceder a alguém com estes números não era tarefa fácil. O Barça optou por apostar em Tito Vilanova, fiel adjunto de Pep. É sempre arriscado substituir alguém com o nome de Josep Guardiola, por alguém sem experiência e com o nome de Tito. Era como se a RTP deixasse sair o José Rodrigues dos Santos e depois contratasse para o seu lugar o Tozé ou o Carlinhos. As ligeiras semelhanças físicas com o Tino de Rans também prejudicam o jovem treinador.

A aventura de Tito começou com a derrota na Supertaça de Espanha para o Real Madrid, em dois jogos muito equilibrados que poderiam pender para qualquer lado. A partir daí o Barça arrancou para uma sequência de vitórias e bateu o número de pontos da primeira volta da liga espanhola. Não tiro mérito ao Tito, mas vencer em Espanha com a equipa do Barça ou do Real Madrid não é nada do outro mundo. O campeonato espanhol hoje em dia é quase como o escocês há uns anos. Havia duas equipas fortíssimas e o resto era entulho.

Apesar de vencer e dominar quase todos os adversários internos, na minha opinião de bitaiteiro o Barça de Tito denota vários problemas que o afastam do de Guardiola:

– Nos jogos mais difíceis, a equipa sofre muito para vencer. Foi assim sempre com Real Madrid. Nos jogos da Champions tem sido uma constante. Quando o nível do adversário sobe, a equipa perde qualidade. Cria poucas chances de golo, afunila muito o jogo e quase não pressiona;

 – A meu ver, a principal qualidade da era Guardiola, não era o toque de bola ou o jogo bonito. Há outras equipas na Europa com meio campistas que lhes permitem jogar assim. Acredito que aquilo que definiu o Dream Team de Pep foi a forma como a equipa recuperava a bola e não deixava o adversário jogar. Fosse em que campo fosse, o Barça dominava, criava muito jogo ofensivo e tinha uma mobilidade, qualidade de passe e posse de bola absurdas. Mas tudo isto era possível porque o adversário não via a cor da bola. A pressão era muito alta e constante. Como diria El Parreira, famoso adepto do Benfica no Youtube: “Parecem peixes debaixo de água, nem respiram.”

– A aposta constante em médios centrais (Iniesta ou Fàbregas) na ala esquerda, já Guardiola fazia com sucesso. Mas na era Tito, não tem funcionado bem. Os atletas procuram sempre o espaço central, afunilam essa zona do terreno, a equipa perde largura e Jordi Alba acaba por ter de fazer a ala toda sozinho. O meio campo acaba por ficar demasiado povoado, sobra pouco espaço para jogar e a ala fica coxa. Tudo isto desequilibra a equipa.

145607-shakira-shakira– Se a equipa não pressiona em cima, deixa os adversários jogar. Contra equipas rápidas e com qualidade de passe isso é fatal. Os centrais do Barça não são velozes, logo têm de jogar na antecipação, se levam bolas nas costas (cada um tem as suas opções sexuais) não conseguem acompanhar os adversários. Puyol já têm alguma idade e, apesar da cara medonha que assusta qualquer rival, faltam lhe as pernas para os apanhar. Piqué está em baixo de forma, parece cansado, abatido. É normal, chega a casa e vê a Shakira, o ânimo sobe e vai jogar Playstation. Vai para o treino e troca a colombiana pela companhia do ogro Puyol, não há alento que resista.

– Dani Alves sempre foi frágil defensivamente mas ofensivamente era um falso extremo que criava superioridade atacante e esticava o jogo. Este ano operou as orelhas. Perdeu a largura que os seus abanos lhe conferiam, assim como a largura ofensiva que antes oferecia ao jogo catalão. Apesar disto ganhou uma actriz da Globo, na vida é preciso fazer escolhas.

-Fora as falhas defensivas dos elementos citados, o Barça como equipa hoje defende mal. Nas bolas paradas é facilmente batido, devido à baixa estatura da maioria dos jogadores e, acima de tudo, ao péssimo (des)posicionamento que a equipa tem nestes momentos.

– Se ser treinado pelo adjunto já não era fácil, ser treinado pelo adjunto do adjunto parece demasiado complicado. A doença de Vilanova abalou o balneário (como é natural) e mostrou um adjunto sem ideias, bastante limitado em termos técnicos e tácticos. Se Tito não tinha cara de treinador, Jordi Roura pouco mais parece do que um rude lenhador de queixo farto, que a única coisa que quer depois de um dia extenuante de trabalho é uma bela garrafa de água da Escócia.

Eu sei que a doença de Tito servirá sempre de atenuante às comparações com o Barça de Guardiola. Contudo, os adeptos blaugrana que durante quatro épocas a fio entravam em qualquer estádio com a certeza da vitória e domínio na mente, hoje temem a derrota. A eliminação na Taça do Rei e a derrota na primeira mão dos oitavos-de-final da Champions, deixaram ao mundo uma imagem de uma equipa sem pressão, frágil defensivamente, estática e sem capacidade de criação ofensiva. Uma face totalmente desconhecida dos catalães. É verdade que um plantel com Messi, Iniesta ou Xavi pode bater qualquer um e engrenar a qualquer momento. Também é verdade que uma vitória sobre o Milan e o rebolado da Shakira podem motivar um plantel que, em forma, é difícil de superar. Tudo isto é facto, mas também é facto que este Barcelona ainda não atingiu o que mostrou com Guardiola, principalmente nos momentos mais árduos. É nesses momentos que se vêm as grandes equipas.

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Josep Guardiola deixou chorões os adeptos blaugrana. Chorão deixou com a tristeza da partida um verso com o qual os fãs do seu trabalho e os barcelonistas, muito se identificam: “O tempo às vezes é alheio à nossa vontade, mas só o que é bom dura tempo bastante pra se tornar inesquecível”.

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SONY DSCBruno Gomes

 


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2 thoughts on “Chorões Blaugrana

  1. De facto muito mudou…concordo com quase td, mas mais uma vez, devido provavelmente a minha falta de conhecimento futbolistico, so me consigo lembrar do futebol do Pep como super eficiente e deslumbrante algumas vezes, mas altamente monotono na maioria das vezes. Provavelmente pela equipa da minha simpatia (e tds as outras hehehe) terem quase sempre perdido com a mais eficiente equipe de sempre. Bjo

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