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Confesso que a notícia da aquisição dos direitos televisivos da Premier League por parte da BenficaTV me deixou com um sorriso nos lábios. Por um lado, por entender ser uma opção estratégica acertada para viabilizar e trazer lucro ao canal do Clube; Por outro pela ‘estocada’ na SportTv e consequentemente na Olivedesportos.

A perda dos jogos da Premier League (pelo menos por três temporadas) significará, no imediato, o fracasso do projecto SportTv Liga Inglesa, e colocará em causa a necessidade de oferta de quatro canais que, mais do que pensados para as modalidades ou para as competições nacionais, visavam criar capacidade para responder ao vasto leque de jogos internacionais (jogos de ligas europeias e de competições europeias em simultâneo).

Dirão, os mais ‘românticos’, que o Benfica tem que se preocupar apenas em ganhar jogos e competições. Esse é, de facto, o grande desígnio do Clube e o objectivo que coloca os benfiquistas jogo após jogo à frente do televisor. Mas limitar a visão de um clube ao futebol e suas modalidades é meio caminho andado para perder o comboio das grandes potências futebolísticas europeias. Os grandes clubes do mundo já não o seriam se não tivessem dado a devida importância à perspectiva empresarial da sua actividade.

Também sou dos que entende que a visão do fenómeno futebolístico enquanto indústria ‘matou’ muito daquilo que fazia deste o desporto do povo. A paixão de outrora e o sentimento de identidade de um clube nunca mais serão os mesmos. Porém, é esta a realidade actual e é neste campeonato dos ‘cifrões’ que jogamos. Ignorar e desvalorizar esta evidência significará ficar parado na história.

Desconhecendo ainda os contornos do negócio, parece-me que a surpresa reservada pela cúpula presidida por Luís Filipe Vieira tem potencial para criar receita extra para o Clube e para fazer da BenficaTV um canal de referência na sua especialidade, com uma oferta de conteúdos verdadeiramente atraente. A cereja no topo do bolo será a aquisição dos direitos de transmissão dos jogos caseiros do Benfica para a Liga, que permitirá ao Clube gerir a seu bel-prazer os horários dos jogos e ter uma diferente capacidade de negociação na venda dos direitos de transmissão dos jogos para o estrangeiro. “Não será descabido pensar que algumas partidas se poderão realizar de manhã, de forma a piscar o olho aos mercados asiáticos”, referiu numa crónica recente António Oliveira, antigo treinador e irmão de Joaquim Oliveira, dono da Olivedesportos.

Como todas as iniciativas inovadoras, este é um passo que merece a desconfiança dos mais cépticos e que acarreta os seus riscos. O investimento é imediato mas o retorno será faseado. Porém, existe todo um potencial de sucesso anexado à iniciativa. O negócio das transmissões televisivas é, por norma, rentável. Sê-lo-à ainda mais num canal que ofereça jogos do clube com mais adeptos do país e dez jogos por jornada da melhor liga do mundo. E se a isto juntarmos o mais que provável regresso de José Mourinho à Velha Albion (e Cristiano Ronaldo?), a procura será ainda maior.

A BenficaTV, já foi confirmado, será um canal pago. O preço deverá ser inferior aos 10 euros, numa espécie de ‘low-cost’ dos canais temáticos. Os jogos caseiros do Benfica, por si só, deveriam ser razão mais que suficiente para garantir a adesão de muitos adeptos encarnados. E como acredito que existem adeptos de outros clubes que mais do que anti-benfiquistas são apreciadores de bom futebol, o alcance do canal não se limitará aos adeptos das águias.

Mas o potencial da iniciativa não passará disso mesmo se à frente do projecto não estiver alguém com visão e com conhecimentos neste mercado. É aqui que entra José Eduardo Moniz que, a meu ver, deverá guiar o Benfica nesta nova aventura, quer na criação de conteúdos quer na capacidade de negociação. Ah, e também na reformulação da equipa da BenficaTV.

Defendo ainda, por outro lado, a criação de um segundo canal. A BenficaTV deveria contar com um canal codificado, onde se poderia assistir aos jogos de Benfica, Benfica B, ligas internacionais e jogos de selecções. Um segundo canal seria de acesso livre, destinado às modalidades e camadas jovens. Isto porque, parece-me, haverá uma preocupante sobreposição de eventos que muito provavelmente colocará numa segunda linha temáticas importantes num canal que, mais do que tudo, é de um Clube. Senão corremos o risco de ter um canal ao serviço do Benfica e não um canal do Benfica.

“O Benfica é o único clube em Portugal (e dos poucos na Europa) com condições de se aventurar num projecto deste género”, concluiu António Oliveira. Só o futuro dirá se este foi um passo correcto. Veremos se o retorno financeiro será superior à última oferta da Olivedesportos. Numa entrevista recente, Domingos Soares de Oliveira, administrador da SAD, admitiu que os dirigentes esperam que a BenficaTV venha a ser uma importante fonte de receitas para o Clube. Esperemos que sim.

joni_desenhoJoni Francisco

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