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As temperaturas do próximo verão podem até ser bem mais altas do que as registadas na estação do ano anterior, mas a verdade é que o defeso futebolístico que se avizinha será certamente um dos mais friorentos das últimas épocas.

É aliás muito pouco provável que os milhões que em 2012 deram uma mãozinha ao orçamento dos três grandes se voltem a repetir após o final da presente temporada. E assim não ajudem à sua habitual construção conjectural baseada em cenários, hipóteses e eventualidades. Natural por isso a obtenção de prejuízos no final do primeiro semestre de 2013/2014.

O mesmo é dizer que os “40” milhões de Hulk e os “60” de Witsel e Javi Garcia – 40 pelo primeiro e 20 pelo segundo – foram uma extravagância russa que, enquanto excepção, não serão regra no mercado deste ano. E se destas fortunas Porto e Benfica “pouco” receberam, imagine-se quanto ganharão com a venda de jogadores em agosto próximo.

A previsível quebra na negociata das principais estrelas faz com que o dinheiro para investir em novas contratações seja por isso manifestamente inferior. O poder de compra de todas as equipas do principal escalão do futebol português é assim reduzido substancialmente em virtude dos milhões de euros que desta vez não vão entrar nos muito depauperados cofres das equipas da Liga Zon Sagres.

Estes efeitos terão sobretudo maior incidência nas equipas grandes, muito mais dependentes deste tipo de quantias volumosas a que se habituaram a receber. Desta forma, a receita para a redefinição dos plantéis de 2013/2014 é investir com critério e em alvos com baixa margem de risco.

Neste grupo entram os jogadores cujo vínculo termina no final da presente temporada, e que em função deste cenário de crise se tornam alvos ainda mais apetecíveis. Alguns deles verdadeiras guloseimas para clubes gulosos e sedentos de açúcar e aditivos que acrecentem algo aos seus grupos de trabalho.

Muitos dos principais alvos e revelações da presente temporada encontram-se já blindados e protegidos por cláusulas e contratos que os afastam dos predadores que planeiam nesta altura a próxima temporada. Jogadores como Ghilas, Cissé, Éder, André Leão e Ricardo não estão neste momento à mão de semear. Qualquer um dos três grandes que queira passar a contar com os serviços de uma destas estrelas da actual edição da Liga terá de abrir os cordões à bolsa e desembolsar um bom par de milhões de euros.

Porém, nem todos os atletas se encontram presos aos seus clubes de origem, reféns da vontade dos seus dirigentes e empresários para decidir o futuro e a sua própria liberdade. Muitos deles, já com “carta de alforria”, apresentam-se disponíveis a todos aqueles que estiverem dispostos a oferecer um bom contrato e interessantes contrapartidas e comissões em troca dos seus passes.

Leandro_Salino[1]No Benfica, por exemplo, é conhecida a falta de concorrência e competição a Maxi Pereira para a lateral-direita dos encarnados. Muitas vezes vítima do excesso de jogos e ausência de rival, o uruguaio ressente-se em campo e mostra a Jorge Jesus a urgência da contratação de um jogador para esta posição. No grande rival de Braga, o Sporting local, mora um dos maiores laterais direitos do campeonato português. Leandro Salino, de quem se diz ter já um pré-acordo com os gregos do olympiakos, seria uma alternativa mais que válida ao titularíssimo Maxi Pereira, e permitiria a JJ ter, pela primeira vez nos seus quatro anos desde que está à frente do Benfica, um verdadeiro concorrente para “Super Maxi”.

Ainda no corredor direito, e mesmo que para clubes de outras dimensões, João Dias (26 anos, Académica) e João Aurélio (24 anos, Nacional da Madeira) constituem soluções de qualidade para, por exemplo, um Sporting de Braga ou um Vitória de Guimarães, que forçosamente terão de encontrar alternativas para esta posição já no próximo mercado de verão.

Já no que toca à lateral-esquerda as possibilidades de negócio “à pala” são bem mais escassas. Rúben Ferreira, Marçal e Edimar, três dos melhores na posição na presente temporada, estão protegidos pelos contratos e fora do alcance de todas as equipas que não tenham dinheiro para gastar. Luciano Amaral, já com 30 anos e por ora pertencente aos quadros do Gil Vicente, é uma das poucas excepções, disponível e acessível para qualquer uma das equipas de médio/baixo nível da Liga. Tal como Hélder Cabral, de 28 anos, jogador da Académica.

No Sporting Clube de Portugal, actual 10.º classificado, para além da falta de pontaria dos avançados emerge a inoperância e azelhice de uma defesa em constante convulsão. Onyewu, Xandão, Daniel Carriço e outros que tais já passaram por lá mas os resultados foram mais ou menos os mesmos. Na actual revolução juvenil liderada por um Professor, salta à vista a falta de liderança e experiência do sector mais recuado dos leões. Com Fc Porto e Benfica bem apetrechados neste sector (e sem nenhum grande negócio milionário no horizonte), é ao Sporting que um jogador como o defesa-central Valentin Roberge (25 anos, Marítimo), a custo zero, poderia dar muito jeito. Sem nenhuns tostões para as compras de verão, esta é daquelas oportunidades que não se pode desperdiçar. O francês, um central alto, possante e com excelente sentido posicional e apreciáveis níveis de velocidade – sobretudo quando comparada com a dos centrais leoninos – é cobiçado por vários clubes franceses e espanhóis e espera por isso por um bom contrato para dar o próximo passo na carreira. O Sporting, se equilibrado, seria certamente uma boa oportunidade nesse sentido.

A posição de defesa-central é aliás uma das que melhores soluções a custo zero promete oferecer no próximol-vies-balon-defensa-sporting-daniel-carrico-r-su-partido-futbol-liga-portuguesa-estadio-alvalade-lisboa-15-enero-2011-foto-patricia-melo-morei-rf_377975[1] defeso. É que para além do ex-PSG, também Javier Cohene (25 anos), titularíssimo no sensacional Paços de Ferreira, e Steven Vitória (26 anos, Estoril) – que esteve com um pé no Palermo, de Itália, neste mercado de inverno – também parecem estar de saída dos respectivos clubes. Os dois apresentam-se como soluções viáveis para equipas do topo da tabela. João Guilherme (26 anos, Marítimo), Diego Gaúcho e Ricardo Pessoa (ambos com 31 anos e do Moreirense) são outros defesas cujos vínculos terminam já no final da presente temporada e que são já nesta altura cobiçados por outros emblemas da I Liga.

Na baliza os recursos grátis são escassos, com os grandes keepers da Liga a terem contratos de trabalho com os seus clubes. Do grupo de guardiões livres destaca-se , no entanto, o castor Cássio (32 anos, Paços de Ferreira) e o francês Romain Salin (28 anos, Marítimo).

custodio1[1]Também os principais médios do campeonato português estão protegidos, sendo difícil uma vez mais a contratação de alguma das revelações desta temporada por algum dos três grandes. Mas outros como Custódio e Hugo Viana (29 e 30 anos, ambos do Sp.Braga), e Rafael Miranda (28 anos, Marítimo) já estarão  livres no final da época para qualquer um que os queira pescar. Estes três, do melhor que a nossa Liga tem, encaixariam bem em qualquer um dos três reis da competição. Com a experiência acumulada e a sua revitalização desde o retorno a Portugal, depois dos anos perdidos na Rússia, Custódio serviria perfeitamente como uma óptima alternativa a Fernando ou a Matic, filhos-únicos no quarto defensivo das respectivas equipas. Os outros dois poderiam encaixar num meio-campo muito inexperiente com o qual o Sporting contará no próximo ano, por exemplo.

E ainda há outras possibilidades interessantes como Bruno Gallo (24 anos, V.Setúbal), João Luiz (27 anos, Marítimo) e Fábio Espinho (27 anos, Moreirense), todos em fim de contrato e já no radar de formações do meio da tabela da Liga Zon Sagres.  

Mas é no ataque que residem sempre as maiores expectativas de negócio. E aqui, apesar dos pesosHelder+Barbosa[1] pesados estarem então todos acorrentados, como é o caso de Éder, Nabil Ghilas e Salim Cissé, alguns nomes interessantes pontificam na lista de atletas libertados a partir de Maio. O extremo-esquerdo internacional português Hélder Barbosa (25 anos, Sp.Braga) é um desses casos, um futebolista a reclamar uma última oportunidade nos grandes palcos do futebol europeu. Para além dele, o esquerdino Pedro Santos (24 anos, V.Setúbal) e o destro Candeias (25 anos, Nacional) são potenciais apostas de risco zero com eventual retorno para quem neles apostar.

Apostas ainda mais certeiras serão porventura as feitas na “estrela canarinha” Licá (24 anos, Estoril) e no avançado somali Liban Abdi (24 anos, Olhanense), ambos jogadores em destaque em 2012/2013 e apontados ao Sporting de Braga.

O brasileiro Ytalo e o ponta-de-lança luso Gonçalo Abreu  (25 e 26 anos, ambos do Marítimo) são outros dois atletas em final de contrato que poderão ser solução para qualquer uma  das equipas do meio e fundo da tabela do campeonato.

Todos estes jogadores (uns mais que outros, naturalmente) são autênticas pechinchas que nem Benfica, nem Porto e nem Sporting podem menosprezar. E mais ainda quando o ponteiro da balança de vendas e compras do próximo defeso andar muito próximo do zero. Ou nem sequer a ele chegar, antes pelo contrário.

???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

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