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“No princípio Deus criou os céus e a Terra”, em apenas seis dias, para termos noção da magnitude do poder do Criador. E ao 7º Dia não descansou, como nos fazem crer os pressupostos bíblicos. Deus aproveitou o Domingo para se mudar para a Argentina.

Este pode não ser um facto surpreendente para os amantes do futebol, mas sê-lo-á, certamente, para os devotos do catolicismo, que só agora descobriram que podiam achar o Pontífice no “fim do mundo”, segundo palavras do próprio Jorge Bergoglio, recentemente nomeado “Rei” do Vaticano.

Porém, a história de “Reis”, criados da Argentina para o Mundo, não é recente. O que o novo Papa irá experimentar agora já Maradona conhece há décadas. E depressa espero que El Pibe faça a sua afirmação pública: “Francisco é bom, mas não é tão bom como eu”. Que é, no fundo, o que faz com todos os potenciais jogadores argentinos.

O facto é que Maradona e Francisco (permitam-me que trate assim o chefe supremo da Igreja Católica, mas foi o mesmo a preferir um tratamento baseado na simplicidade) têm muito em comum. Vou mais longe. Acho que Maradona pode ensinar muito a Francisco. Quando o “10” decidiu rumar a Nápoles, depressa descobriu que a Itália não servia só para lhe encher a barriga, mas também o seu bolso roto. “Para mim, Napoli era apenas uma coisa italiana, como pizza“, afirmou. Francisco, depressa aprenderá, tal como Diego na década de 80, que a Itália lhe trará mais do que a gastronomia.

O antigo cardeal cumpre, agora, o ponto mais alto do caminho que para ele foi traçado, divinamente. Mas já terá ele sentido a presença de Deus, da mesma foram que Maradona no Mundial de 86, no México? Para quem ainda hoje duvida que foi a “Mão de Deus” a oferecer o Campeonato à Argentina, nos quartos-de-final, constato apenas que o evento, que merecia estar na Bíblia, ocorreu no segundo país com mais católicos em todo o Mundo. E não acredito em coincidências. Não no que toca ao poder Divino.

Maradona, claramente íntimo do Criador, já se apressou a explicar o resultado do último Conclave: “Na Argentina todos recordam a minha “mão de Deus” no jogo com a Inglaterra. Agora no meu país a “mão de Deus” trouxe um Papa argentino”. E, acrescento, trouxe um Papa argentino que gosta de futebol. Curiosamente, Jorge Bergoglio é um dos sócios de San Lorenzo de Almagro, clube de Buenos Aires e tido como um dos cinco grandes emblemas argentinos, recentemente conhecido por todos os Benfiquistas, já que a sua massa de adeptos detém o original do Cântico que se houve por esta época na Catedral: “Dizem que somos loucos da cabeça” ou, na língua de Deus, “Dicen que estamos todos de la cabeza”.

É mais uma prova que Deus é omnipresente e, portanto, consegue estar em todo o lado. E, sem sair da Argentina, distribuiu os seus discípulos pelo mundo. Alfredo Di Stéfano, Diego Maradona, Gabriel Batistuta, Lionel Messi, Sergio Aguero, Juan Román Riquelme, Gonzalo Higuaín, Jorge Valdano, Martin Palermo, Carlos Tévez, Pablo Aimar, Ángel Di María, Javier Zanetti, Esteban Cambiasso, Hernán Crespo, Javier Saviola, são, quer isso abale as nossas crenças ou não, discípulos de Deus. Discípulos que enviou para a Europa, da mesma forma que envia, agora, Jorge Bergoglio.

Esta oferenda, dada ao Vaticano neste defeso, foi dada anteriormente a muitos clubes europeus ao longo dos anos, mesmo que, em troca, estes tenham tido que esvaziar os bolsos. Com o Papa poderá fazer-se Historia e acontecer precisamente o contrário. Veio a custo zero e poderá vir a ter uma cláusula de rescisão de milhões.

Deus é um amante do futebol. E da mesma forma que se construíram Igrejas para o Adorar, Ele ordenou que o homem criasse também os Estádios. E, com este desígnio divino, as romarias multiplicaram-se, as procissões passaram a ser semanais e a envolver tanto dinheiro como os santuários. Basta pormos os olhos na Argentina. Como milhares de fiéis se juntaram em Roma para receber o Papa no seu novo país, outros tantos enchem as bancadas este fim-de-semana para seguir, fervorosamente, o River Plate, o Boca Juniores ou, mesmo, o San Lorenzo.

Espero que o Vaticano tenha guardado um televisor de 37 polegadas e um bom fornecimento de televisão por cabo, para que Francisco possa fazer uma pausa nas orações e assistir, agora de forma mais silenciosa, ao resumo do Colon-San Lorenzo. Depois, agradecerá a Deus. Por ter criado os Céus e a Terra em seis dias. E por no 7º ter rumado à Argentina e projectado Lionel Messi.

Mara desenhoMara Guerra

* Autora do «Visão Curta» e colaboradora do «Palavras ao Poste».

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