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O Belenenses vitorioso nos anos 40/50 anos recebeu o estatuto de quarto grande. O Boavista há cerca de duas décadas, na sua época dourada (de apitos e não só), reclamava para si a posição. Actualmente o Braga defende que o posto lhe pertence.

Se o Paços ultrapassar a equipa de José Peseiro, merece tal distinção? O palmarés é quase igual e para ser grande no futebol são necessários títulos (ou ter treinadores a usar bonés da JCA nas conferências de imprensa). O ponto de vista bracarense torna-se interessante pois permite a colossos como o Gafanha ou  “Os Xavelhas” sonharem com o topo do futebol nacional.

Dúvidas há muitas, pretendentes, um sem fim, mas na minha modesta opinião, o quarto grande do futebol em Portugal é o Real Madrid.

Madrid é uma cidade bonita e acolhedora logo a seguir à freguesia de Mamarrosa e pouco depois de Vila Nova do Coito. O clube em si é bem nacional. O plantel é composto por duas dezenas de sul- americanos e europeus de países diversos e um batalhão de quatro portugueses: o caxineiro Fábio Coentrão, o filho da D.Dolores (também conhecido como CR7, e não estou a falar de um motociclo), Ricardo Desertor Carvalho e Pepe, ribatejano de Pedaço Mau.

O treinador é de Setúbal e chama-se José Mourinho, para muitos o melhor do mundo da actualidade. Não concordo. Creio que sem dúvida é o terceiro melhor treinador da história do futebol, logo atrás do José Rachão e do seu adjunto Luís Campos. Admito e reconheço que a nível de carreira é sem dúvida o maior. Ganhou em todo lado (se treinasse os alentejanos do Grupo Esperança Unida do Malavado provavelmente venceria a Liga dos Campeões), não existem jogadores ou colaboradores que tenham um bitaite negativo sobre a sua pessoa e além disso é um génio psicologicamente.

Contudo, e como gostos são como nádegas, cada um tem as suas, também tenho as minhas preferências. Adoro José Mourinho, acima de tudo pela forma como anula os adversários e colecciona sucessos. Óbvio que no desporto o que contam são os títulos (Notas de 500 Euros, Orgias e PlayStation também são fulcrais), mas apesar de ter uma carreira curta e neste momento estar parado, para mim o melhor treinador da actualidade chama-se Pep Guardiola.

Treinou apenas um clube, mas durante um período curto de tempo revolucionou o futebol a nível mundial (o modelo Barça é o que todos querem copiar), incutiu uma super ambição a jogadores intitulados e superou o registo de troféus de Mourinho no mesmo espaço de tempo. No confronto directo entre os dois, o catalão leva clara vantagem. A título individual tenho preferência por futebol de ataque e dominador ao invés dum plano forte defensivamente, de futebol directo e com transições rápidas. Prefiro quem domina o adversário do que quem prefere anulá-lo para desferir o golpe mortal em determinado momento do jogo. Sendo este artigo de opinião, o que se discute é apenas subjectivo, apesar dos factos darem razão ao autor, afinal o texto é meu e eu é que sei.

O meu cargo no Blog é de chefe, Lord, um autêntico Patrão. Mas com muito estatuto. Nesta gestão a que presido, há duas leis fundamentais: número um – o Patrão tem sempre razão; número dois – quando não tem, aplica-se a primeira.

Logo, se prefiro o Guardiola ao Mourinho não façam confusão e não discutam com o Patrão. Esta frase era apenas uma tentativa de piada, este Blog é democrata e os cidadãos podem opinar à vontade como se estivessem na Coreia do Norte ou no FC Porto.

Quanto àquela questão Messi-Ronaldo, a minha preferência vai para o argentino. Os prós-Ronaldo dirão: “Epá, mas o Cristiano fisicamente é um animal, marca golos de cabeça, com os dois pés, é o tipo mais rápido do mundo e além disso apesar da metrossexualidade é o maior procriador (ao nível de tentativas) português da actualidade”.

Eu sei malta, tudo isto é indesmentível, mas atentem nas minhas justificações.

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Ronaldo quando surgiu era um extremo puro, muito técnico que desequilibrava demais e tinha habilidade e agilidade de sobra. Hoje transformou-se. É um avançado goleador e fenomenal mas perdeu aquela ginga de menino de rua que me encantava. Dificilmente o motociclo CR7 dribla algum adversário se não utilizar o corpo ou a velocidade. A bola presa no pé e a coragem de enfrentar matulões daquele lingrinhas, com acne e esparguete na cabeça, que brilhava em Alvalade, deixa-me um saudosismo imenso (as músicas dos Broa de Mel também).

O irmão da Ronalda é actualmente um predestinado, mas eu preferia o estilo que nasceu em Alvalade e ainda se viu nos seus primeiros anos em Manchester.

Messi é portanto o meu eleito. A par do brasileiro Ronaldo que brilhou em 96 em Barcelona, o melhor futebolista que vi jogar. Muitos irão afirmar: “Esse argentino é um anão com cara de duende, fisicamente é frágil, esteticamente medonho, joga quase exclusivamente com o pé esquerdo (qual Saci Perêrê), tem uma estatura para lá de mediana, até o gordo do Preço Certo já engatou mais gajas do que ele…”.

Concordo. Tudo isto são factos indesmentíveis. Mas apesar de todas estas debilidades em relação a Ronaldo e a qualquer jogador de topo normal, Messi é melhor. É incrível como alguém com todas estas limitações, consegue ter quase sempre números muito superiores aos da concorrência. Seja a fazer assistências, a marcar golos ou a vencer bolas de ouro. Ainda há aqueles que dizem que este só vence mais prémios individuais porque Ronaldo é português e ele é natural da Argentina (essa potência mundial). Esses intelijumentos não são Avé-Marias, mas são cheios de graça.  O país das pampas uma potência? Nós sim somos uma mega potência mundial! A segunda maior da Península Ibérica!! Incha Argentina, nós pelos menos, estamos num pódio!

O meu querido Lionel, sósia do Neco (desenho animado que animou a SIC nos idos de 2002), faz tudo aquilo que já referi, mas sempre com um toque de classe e um brilho estratosférico. É impressionante a quantidade de golos de efeito que faz, a forma como dribla adversários e percorre km sempre com a bola quase colada na bota esquerda. Para quem gosta de futebol de raça, como eu, dá gosto ver a forma como se ergue e luta desesperadamente pela bola, com a ambição de quem faz da próxima jogada a última da vida ou do Sócrates louco pelo próximo tacho.

Não tenho problemas em assumir, sou um fã convicto de Lionel Messi e de Pep Guardiola. Admiro o Barcelona desde o tempo de Luís Figo. Nessa época era comum vermos profissionais da liga nacional a chegar à Catalunha. Amunike, Vítor Baia, Fernando Couto ou Bobby Robson são pequenos exemplos de que o futebol nacional historicamente sempre foi mais próximo dos blaugrana do que dos merengues.

Mas hoje em dia, em Portugal, estas preferências são mal vistas. Não ser do Real Madrid ou torcer a favor do seu maior rival é antipatriótico. O desnorte começa quando jornais ditos imparciais e de desporto (alguns em cada dez noticias, sete são sobre moças com leve aderência à beira de estrada – mas de luxo), promovem nos seus sites espaços dedicados aos três grandes, à selecção lusa, ao futebol internacional e …ao Real Madrid.

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Em termos de comunicação social, os merengues são vistos como um grande do futebol nacional e são sempre colocados num patamar de protecção e impunidade seja sobre quem for.

José Mourinho é sem dúvida o maior comunicador do futebol actual, mas por norma não sabe perder. Ou raramente perde algo sem disparar para os homens do apito e tudo o que o rodeia. Mesmo que nessa derrota um ribatejano calmo como Pepe (que afinal nunca foi agressivo ou alguma vez tentou ferir alguém) tenha algum comportamento errático ou violento.

Estas questões são sempre sanadas pela imprensa nacional e ai de quem as conteste. Esse elemento passa a ter, como Ricardo Carvalho, o estatuto de desertor. Quando Cristiano Ronaldo falta ao respeito ao seleccionador nacional (eu sei que era o Queiroz, mas não pode ser) ou como capitão chuta uma bola em reclamação e é suspenso, prejudicando as cores nacionais, ninguém pode criticar. A resposta a este tipo de questões é que Guardiola reclamou do árbitro ou que o Messi ofendeu não sei quem. Mourinho é perito nesta estratégia de contra-ataque na hora da defesa.

Se isto se passasse em Barcelona, provavelmente os nossos imparciais media, seriam ferozes nos ataques (justos) aos elementos catalães. Não podemos defender-nos com os erros dos outros. Essa táctica é dos medíocres e nós portugueses somos grandes (não em tamanho, salário ou PIB mas pelo menos na taxa de bazófia).

Este Real vício entristece-me. Se é para defender irracionalmente os portugueses, que se defendam todos, não apenas Ronaldo, Mourinho e os seus. Há duas semanas, Nani brilhou mais do que qualquer outro luso, antes de ser injustamente expulso. Provavelmente com ele em campo o Manchester ainda estaria na Liga dos Campeões. Mas poucos (ou nenhuns) foram aqueles que deram a cara e defenderam o rapaz do bairro Sucupira. Se em vez de vermelho vestisse de branco e representasse o emblema da realeza espanhola, talvez as coisas fossem diferentes.

Quem não se lembra do Chelsea português (já foi um gigante nacional), onde o líder Mourinho adorava espicaçar um jovem Ronaldo, à época estrela em Old Trafford. A defesa do menino madeirense em Portugal, era quase nula, porque a capacidade de comunicação, persuasão e a inteligência suprema do grande Mourinho, arrasta cegamente seguidores.

Juntar Ronaldo e Mourinho na mesma equipa foi um prato cheio para os adeptos lusos e principalmente para a comunicação social. Os que os apoiam contra tudo e todos sem sequer questionar (até os erros e fracassos) são patriotas. Aqueles que não baixam as orelhas e têm um parecer divergente, nem vale a pena fundamentarem-no, são lixo nacional.

Gosto de pensar pela minha cabeça, ter ideias próprias e uma opinião pessoal. Não preciso que TVs, Jornais ou algum comentador barato me inflija opiniões que não aquelas que me agradam ou com as quais não me revejo.

Vivemos num estado democrático, onde cada um pode e deve dizer o que bem entender desde que não desrespeite ninguém ou fale mal do Real Madrid.

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SONY DSCBruno Gomes

 

 

 
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7 thoughts on “O 4º grande de Portugal

  1. Sabes que concordamos em tu o que disseste até porque falamos muitas vezes sobre isso. O Ronaldo mudou e muito, eu gostava bastante do Ronaldo dos tempos de Manchester acho que era um jogador fantástico que entusiasmava com a sua técnica mas hoje não me entusiasma nada. Para mim é um jogador com números fantásticos mas não é mais que isso. Adora ser o centro das atenções como agora quando veio dizer desnecessariamente que era mais fácil para ele voltar a Madrid mas que ele prefere ficar na seleção, isso para mim faz parte do papel dele de capitão, ser capitão tem destas coisas quando ainda por cima acho que levou amarelo por reclamar. Gostava de o ver voltar a Manchester e voltar a ser o Cristiano Ronaldo de outros tempos. O que faz do Messi o melhor do mundo não é apenas os seus números mas a forma como joga e faz jogar, a forma como encara cada jogo e adversário e para mim é isso que os diferencia. No Ronaldo vejo um profissional que tem um emprego em que é extremamente fantástico cumpre todos os seus objectivos e se calhar esforça-se mais que todos os outros mas no Messi vejo um homem que pega na bola como se fosse uma criança e em vez de jogar no Camp Nou cheio a chamar por ele parece que está a jogar na rua da casa dele ou no campo mais próximo. O Messi representa para mim a essência do futebol e o Cristiano Ronaldo a sua profissionalização. São os 2 brilhantes mas eu prefiro o Messi mas também creio que não os podemos comparar são jogadores muito diferentes.

  2. Meus amigos, a minha vida felizmente possibilita-me ver jogos ao vivo no Bernabeu e no Camp Nou, e só tenho a dizer que o que Cristiano faz consegue mesmo assim estar a anos luz do que Messi faz. Quem vê Cristiano a jogar, vê um extremo (sim, extremo, que ve-lo jogar no sofá e tirar toda a noção da perspectiva global ao focá-lo constantemente faz-nos pensar que Cristiano não é um extremo)…é um extremo que joga “à extremo”, recupera bolas, desce à área para ajudar a equipa especialmente nos cantos, faz remates que desafiam as leis da física, oferece milhentos golos que Benzema e Higuain se encarregam de desperdiçar este ano e tem uma média inacreditável superior a 1 golo por jogo. Quanto a Messi, por muito genial que seja (e é), é um mamão, quem vai ver o Barcelona ao Camp Nou e tira os oculos blaugranas, percebe que quem joga a sério naquela equipa são Busquets, Xavi e Iniesta, onde cada um deles acaba os jogos com mais de 12 km percorridos sempre a fechar espaços na pressão alta e a ganhar espaços na troca de bola na transição para o ataque. Messi não faz uma única recuperação de bola, raramente vem ao meio campo defensivo e o mais normal até é estar praticamente parado até ao último terço do terreno, como alguns associados do Barcelona me confidenciaram…”espero que este rapaz nunca saia daqui, pois o Barcelona protege-o enquanto homem e o seu futebol está formatado para jogar quase exclusivamente num sistema em que o meio campo tenha de proteger as suas muitas limitações físicas e defensivas”.

    Quanto ao apoiar o Real por estarem lá portugueses, chama-se “patriotismo”, apoio tanto Mourinho e Cristiano cuja reputação além fronteiras abre a porta a outros futebolistas que cá estavam desempregados e que no entanto lá fora abriram uma nova página na sua vida como apoio o canalizador que vai para França e leva a sua família ou o Manel que vai apanhar fruta para Vigo. Ultimamente parece que entre as camadas mais jovens surgiu uma nova corrente de pensamento onde apoiar os portugueses que têm sucesso no estrangeiro é “chauvinismo”, não é “fixe” e ser fixe é armarmo-nos em pseudo intelectualóides. Ao menos conheço pessoas que me dizem que não gostam de Cristiano porque ele teve capacidade de chegar longe, sempre são honestas…

  3. Em primeiro lugar, obrigado a todos pelo comentários. Jorge e Hugo bem vindos ao Palavras ao Poste. Marcos sabes que partilho perfeitamente da tua visão, assim como o Hugo agora saberá. Afonso como digo no artigo é algo subjectivo e de gosto, eu prefiro Messi e tu Ronaldo, cada pessoa no mundo do futebol terá o seu ponto de vista e a mim cabe me apenas respeitá-lo.
    De qualquer maneira acho que o patriotismo é uma coisa muito séria e preferir um jogador argentino a um luso não faz de mim menos português, acho eu..
    A forma como a generalidade dos portugueses e a comunicação social lida com este assunto( volto a frisar, é apenas uma questão de gosto, como sabemos isso não se discute) é que o torna deveras ridicula. Alias é dessa forma que eu o exponho.
    Se há coisa que se presa neste blog é a frontalidade, dou a cara o nome e assumo as minhas preferências, assim como todos os meus colegas. Coisa que muitos entendidos não fazem,preferem talvez o anonimato e defender as amizades e o compadrio do que apenas e só aquilo que lhes vai na alma.
    Gostar mais de uma figura estrangeira não quer dizer que não goste de uma nacional. Até porque se isso acontecesse eu seria o primeiro a assumi-lo. É só uma questão de bom senso e de predileção e gostava que isso ficasse muito claro. Aqui ninguém é de insinuações nem de suspeições, o blog funciona com opiniões e obrigado pelas vossas.

  4. Em relação ao gostar mais de um ou outro acho que nunca vai haver um acordo. Eu pessoalmente gosto mais do Messi e sempre fui fã do Ronaldo até à última época dele no Manchester depois tornou-se num jogador que não aprecio e relativamente ao Mourinho nunca gostei porque simplesmente não gosto muito de treinadores com as suas características sem lhe tirar valor é claro, como não gosto muito do Jesus e é um grande treinador e do meu clube. Quanto a mim confundir gostos e futebol com patriotismo, pessoalmente considero um erro. O patriotismo na minha perspectiva diz respeito ao sentimento que temos por uma pátria, neste caso Portugal e nesta óptica o patriotismo é intocável e encontra-se muito acima de Ronaldos Mourinhos e até Eusébios. Não gostam de confundir as coisas, eles não estão a defender a pátria, estão a fazer valer o dinheiro que ganham ao fim do mês, assim como os restantes milhares ou milhões de jogadores do mundo.
    Eu vivo fora de Portugal já à alguns anos desde 99 embora e nunca esperei nem espero ter um Portugal inteiro a torcer por mim contra tudo e contra todos pelo meu sucesso faça eu o que fizer, embora seja com uma enorme felicidade que vejo que há quem esteja a torcer por mim e desde já agradeço. Porém não quero nem penso que seja honesto as pessoas gostarem de mim e torcerem por mim só porque sou português, confesso que sou demasiado humilde para pensar se quer nessa possibilidade. Portanto, concluindo o meu raciocínio, o meu “patriotismo” não é pelo Ronaldo, Mourinho, o Manuel ou o Joaquim mas sim por Portugal e pela bandeira portuguesa, torço pelo o sucesso de todos os portugueses mas não vou deixar de de comer um hamburger para comer torresmos só porque é português por exemplo até porque nem gosto de torresmos e não são a minha pátria.
    Não se tratando da seleção portuguesa que defendo com unhas e dentes sempre mesmo não concordando com o que se passa nela desde 2008, que não me entusiasma minimamente e que está uma miséria sinto que não devo patriotismo a nada nem ninguém na área do futebol.

    Para concluir quero congratular o Bruno e toda a equipa do palavras ao poste pelos excelentes artigos e agora pelo primeiro debate ou conversa assim aberta que penso ser o primeiro e que podem tornar tudo mais interessante

  5. Antes de mais, quero saudar o debate são e vivo, as opiniões de todos e os seus pontos de vista, desde que exista respeito pela multiplicidade de perspectivas e pela integridade pessoal de cada um. Saber argumentar, com calma, com identidade e alguma autonomia não é para todos,pois muitos tropeçam em repetitivas verbalizações que nos deixam somente, no fim do debate, com uma mão cheia de nada. Deixando a saudação deste debate, passo agora à minha opinião.

    Sou contra patriotismos bacocos. Ocos, inúteis e socialmente inertes. Aliás, tenho as minhas reservas intelectuais quanto ao chavão sempre tão apregoado do patriotismo exaltado. A História acompanhar-me-á nesta análise: as nações, os Estados, as pátrias, são, hoje em dia, um conceito cada vez mais morto, cada vez mais isolado da conjuntura pós-moderna. A economia global e financeira prova a sua superioridade autónoma e mostra a subjugação que a que os países estão condenados: ao domínio do capital, das multinacionais, da alta finança, das agências de rating (que definem e influenciam os juros das dívidas), da banca, do poder privado dos grandes conglomerados empresariais. Isso fica patente nas fáceis privatizações que se espalham pela Europa. As nações estão decadentes, pobres, socialmente manietadas, com cada vez menos independência nacional (caso de Portugal, Grécia, Espanha, Chipre, Itália…e muitos mais no futuro).

    E esta é a verdade: nas décadas que se passaram, e hoje, de um modo ainda mais claro, quando se fala em patriotismo, só se pode estar a brincar com o conceito. O povo descuidou-se, deixou de ser activo na vida eleitoral e política dos países, a política corrupta tomou conta dos processos democráticos, e assim vemos o resultado: uma classe corrupta que se habitou a roubar o contribuinte, uma justiça cega, surda, muda e tendenciosa, e uma economia esburacada onde o interesse nacional é a última coisa a ser defendida. Os portugueses, em concreto, deixaram-se dormir sobre o «patriotismo» e hoje acordaram num pesadelo que parece não ter fim. Hoje somos governados por estrangeiros, não por portugueses. A nossa política é feita por ordens enviadas pelo BCE e pelo FMI. O nosso ordenamento económico é definido pelos alemães em conluio com os núcleos duros da banca central da Europa. As medidas de austeridade são a lição que temos andado a aprender dos nossos tutores da Troika, como se fossemos um país com meia dúzia de dias, que não se sabe governar. E não sabemos. Porque o povo, de tão patriota que foi, deixou que os seus líderes andassem quase 40 anos desde o 25 Abril a brincarem aos políticos, fazendo negócios ruínosos, elaborando esquemas de compadrio escandaloso como o BPN e depauperando a economia com favorecimentos e «tachos». Tudo isso, refastelado na poltrona, vendo os golos patrióticos enquanto o país desaba lá fora. Porque os políticos servem de lição: eles não vêm de Marte, eles são portugueses também, como o povo. E isso explica muita coisa. Explica que o nosso país tem hoje pouco com que se orgulhar. A prova disso é o actual estado de coisas a que isto chegou. Os políticos são o reflexo do povo que temos.

    Antes da «patriotice» vem o pensamento. Próprio. Crítico. Político. Activo. Preocupado com o social. Com os direitos, com as injustiças. Um país forte e bem governado necessita de um povo letrado que procure saber mais, que queira dar o contributo para obrigar os políticos a respeitarem o povo. Querem ser patriotas? Assim a petição contra a privatização da água em Portugal. Isso sim, é um começo. Os golos do Ronaldo tampouco fazem diferença nesse aspecto. Obrigado a todos, fico feliz pelo debate e saúdo a participação de todos sem excepção. Obrigado!!!

  6. Pingback: Real Negação | Palavras ao Poste

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