Home

apostas_betfair_futebol_portugal_dinamarca_euro2012Q[1]Sem surpresa, Portugal está nesta altura na corda bamba na luta por um lugar no Mundial 2014, no Brasil. Com seis jogos da fase de apuramento já disputados, os resultados são fracotes e colocam a qualificação em risco.

Fracotes porque, antes de tudo, a equipa é fraquinha. Hoje sabe-se isso, mas talvez há dois, três anos as coisas não fossem bem assim. Passada a fase das promessas, a maioria dos jogadores que hoje forma a elite da selecção nacional não passa de um conjunto de futebolistas com bom toque de bola mas sem qualquer tipo de genialidade ou categoria que os faça ir muito mais além desse patamar. Pseudo-estrelas que nunca chegaram a confirmar o valor que lhes foi atribuído e que nem por isso parecem estar muito incomodadas com esse defraudar de expectativas. Conformados com o nível de vida que os contratos com os seus clubes lhes proporcionaram, estes atletas vestem a camisola nacional como outra qualquer rotina que tem de ser cumprida de x em x meses. Adormecem à sombra da sua mediocridade e deixam-se sonhar com o nível e a qualidade que nunca foram capazes de atingir. Apesar das promessas.

A Selecção Nacional portuguesa é hoje um antro de «mitras da bola» que acreditam (cegamente) serem os melhores jogadores de futebol do Mundo. Munidos de indumentárias extravagantes e “de marca”, de fazer inveja aos figurinos mais patéticos dos alienígenas que todos os anos aterram na Moda Lisboa, os jogadores jogam a seu belo prazer e não de acordo com aquilo que o seu treinador lhes pede e que o país precisa. Porque se jogassem, não faziam exibições miseráveis como aquela da semana passada com Israel (3-3), num jogo de capital importância para a equipa e os seus objectivos de chegar ao próximo Mundial.

 A inutilidade destes jogadores nasce por isso nas suas cabeças e desemboca nos seus pés, postos sobre o relvado, confluindo com um treinador que vai alimentando o seu ego desmesurado e cujas limitações técnico-tácticas contribuem para a inoperância da máquina da selecção.

Não tenho dúvidas de que Paulo Bento seja um tipo frontal, autoritário e leal. Um líder nato capaz de levar as suas tropas para as mais duras frentes de batalha. Olho para ele e vejo-o, aliás, como um potencial general do exército português (nunca deixei de o considerar um sósia perfeito do Telmo do Big Brother). E se isso é um óptimo princípio para conseguir a confiança dos jogadores e fazer com que eles joguem para e por ele, não deixa de ser insuficiente para enfrentar os desafios e as equipas do futebol actual. Por mais que os jogadores corram e dêem o litro, por mais que se empenhem no jogo e procurem ir a todas, isso não chega. É preciso mais, é preciso competência, é preciso conhecimentos do jogo, é preciso fundamentalmente apetência para o treino que Paulo Bento não tem.

No Sporting, o antigo internacional português conseguiu resultados que o tempo e a crise na qual o clube mergulhou desde a sua saída, viriam a classificar como extraordinários. Com plantéis limitados e sem a mínima capacidade de incursão no mercado, os leões foram sempre competitivos e conseguiram superiorizar-se consecutivamente ao Benfica e às suas contratações milionárias. Apesar disso, e da disputa da Liga dos Campeões, o futebol da equipa era muito pobre e aborrecido. Jogando no erro do adversário e sem uma pontinha de entusiasmo, emperrada por aquele maldito losango, o Sporting de Paulo Bento era das equipas mais amorfas que eu já vi jogar. 0 de ideias, 0 de dinâmica, 0 de magia. Isto lembra-lhe alguma coisa?

Costuma dizer-se que todos os treinadores são teimosos, que todos vão até à última com as suas ideias, e morrem com elas. Mas Paulo Bento vai para além da simples teimosia. Tal como no Sporting, onde o treinador foi coleccionando polémicas e mais polémicas com a chamada e a dispensa de jogadores, desprezando os melhores e contando com os piores, também na selecção percebemos que o grupo de jogadores com os quais PB conta para a qualificação para o Mundial não será eventualmente aquele que melhor pode satisfazer os interesses da equipa.

As limitações de Paulo Bento começam por isso na sua deficiente análise de jogadores e prospecção de mercado. Se no Sporting o treinador apostou em craques como Leandro Grimi, Ronny e Farnerud, todos contratados com o seu aval, na selecção a obsessão por pés de chumbo ou jogadores em baixa de forma bate todos os limites da razoabilidade. A presença em convocatórias de atletas como Eduardo, Sílvio, Sereno, Ricardo Costa, Carlos Martins e Hélder Postiga são a prova provada de que Paulo Bento não está bem, ou que está como sempre esteve. E depois o esquecimento de jogadores como Eliseu, Manuel Fernandes e Hugo Viana, ou revelações da presente temporada como o guarda-redes da Académica Ricardo, o lateral maritimista Rúben Ferreira, os médios do Paços André Leão e Vítor e muitos outros jovens que se têm destacado ao longo dos últimos meses, não é justo para quem reclama e merece pelo menos uma oportunidade, nem que seja num dos muitos amigáveis sem sentido que a Federação costuma arranjar. Afinal esta é precisamente a altura das experiências e das oportunidades, e não quando as grandes competições se iniciarem.

Os problemas de Paulo Bento estendem-se depois à sua incapacidade de moldar as suas equipas a outras estratégias e planos de jogo que não aquele que ele mais privilegia. Essa é aliás a justificação do seleccionador para o seu desprezo por Hugo Viana e Manuel Fernandes, por exemplo. Voltando ao Sporting da era da tranquilidade, lembramo-nos no quão previsível e automatizada aquela equipa era. Passe para o lado, passe para trás, um vazio de imaginação e intencionalidade que desde sempre desesperou as desesperadas bancadas de Alvalade. No centro nevrálgico do 4x4x2 losango -o meio-campo-, a lentidão e pouca mobilidade dos médios que o compunham tornavam aquele onze completamente estático e robotizado, ajudado pela pouca largura e profundidade que os laterais Abel e Ronny/André Marques/Caneira/Grimi lhe emprestavam, qualquer um deles incapaz de subir pelo flanco e estabelecer combinações que de alguma forma desbaratassem as defesas contrárias e acrescentassem ao natural domínio da zona central do terreno, movimentações ofensivas e de ataque que proporcionassem golos. A acrescentar a isto a baixa estatura da defesa fazia com que o Sporting entrasse em campo sabendo de antemão que mais minuto menos minuto, acabaria por sofrer um golo de bola parada.

Na selecção passa-se mais ou menos a mesma coisa. O sistema é aquele, os jogadores são os mesmos de sempre e a estratégica, independentemente do adversário que aparecer pela frente, há-de ser sempre a mesma. Rui Patrício, João Pereira, Pepe, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, C.Ronaldo, Nani e Hélder Postiga. São estes e ponto final. E por serem estes é que a coisa não funciona. João Pereira tem gritantes fragilidades defensivas e pouco critério nas suas subidas loucas pelo corredor direito: fá-lo com intencionalidade e velocidade, é capaz de galgar metros e metros sem que ninguém o apanhe, mas quando chega lá à frente tudo se complica. Os cruzamentos são sempre tortos e a criatividade q.b não lhe permite grandes “engenhos” para furar pela zona central e combinar com os extremos. Torna por isso o seu jogo, uma vez mais, previsível e facilmente interpretável.

A tal previsibilidade arrasta-se depois para a zona intermediária, onde a coabitação de três jogadores praticamente com as mesmas características resulta num estilo de jogo atabalhoado, onde todos procuram fazer a mesma coisa exactamente da mesma maneira. Veloso, Moutinho e Raul Meireles compõem assim um meio-campo de baratas tontas onde o objectivo único é o de pressionar e roubar a bola. Com as suas características arrastam toda a equipa para um jogo de pressão mas onde a ambição de ganhar esbarra sempre na inexistência de médios criativos que criem uma ligação fluida e natural com o ataque. E se isso funciona contra equipas do mesmo nível, já para a maioria dos adversários contra quem a selecção joga, fechadinhos lá atrás,  não resulta. Mesmo com Cristiano Ronaldo e Nani lá na frente (Postiga não existe), os golos não aparecem porque a bola chega sempre da mesma maneira, o que só facilita o trabalho dos defesas contrários. E Carlos Martins não é hoje um jogador que possa fazer essa posição, arredado que está, há meses consecutivos, dos jogos da sua equipa.

Contra o Azerbaijão, Portugal fez um jogo igual a tantos outros que tem feito desde o início da fase de qualificação para o Mundial 2014. Sem Ronaldo e Nani, a equipa foi um espelho de tudo o que acabei de dizer no parágrafo anterior. E o mais preocupante é pensar que os restantes jogadores que não fazem parte do tal onze tipo de Paulo Bento não têm a mínima capacidade de acrescentar algo à equipa. Olhar para o banco de suplentes e ver jogadores como Sereno, Paulo Machado e Hugo Almeida é desesperante. Não há ninguém melhor do que estes? Há. Uma das críticas apontadas ao seleccionador nacional, e com razão, prende-se com a sua cedência aos poderes instalados e aos interesses dos mais fortes empresários de jogadores da actualidade. São inúmeros os casos de convocatórias completamente bizarras e de outras ocorridas apenas em momentos de ascensão na carreira destes atletas. O círculo está quase restrito ao quarteto Sporting, Benfica, Porto e Braga e a dois ou três empresários dominadores do mercado. Qualquer jogador que não jogue por um dos actuais quatro grandes do futebol português escusa de alimentar esperanças de ser chamado aos AA, a não ser que entretanto salte para fora do país. Foi o caso do lateral-esquerdo Antunes, uma das figuras da equipa revelação da Liga, o Paços de Ferreira, mas que só depois de se transferir para o Málaga ganhou “estatuto” para chegar à selecção nacional. E mesmo que a falta de estratégia no que toca à formação e ao apoio aos jovens jogadores portugueses, por parte da FPF, seja uma realidade, nada justifica o total esquecimento de PB de alguns jogadores que mereciam muito mais uma chamada do que alguns dos pseudo-craques que lá estão.

Tirando Cristiano Ronaldo, que mesmo a jogar pouco permanece num nível à parte dos restantes companheiros, e também algum virtuosismo de Nani, a frente de ataque portuguesa não funciona. Muito também fruto da tal desconexão entre os dois últimos sectores da equipa. O “ponta-de-lança” Hélder Postiga continua perito em mastigar jogo e a falhar golos, ao mesmo tempo que os dois extremos são os dois únicos jogadores em campo capazes de criar uma movimentação de desequilíbrio e agitar a maré.

Com um lote de jogadores com enormes deficiências técnicas e fraca mentalidade, juntamente com um treinador limitado e sem capacidade para fazer uma equipa vitoriosa, a selecção portuguesa está condenada a fazer nada de muito diferente do que fez até hoje, nestes anos e anos de história. E a chegada ao Mundial, que como sempre deverá acontecer aos tremeliques, até poderá não ser uma boa notícia. É óbvio que as maiores dificuldades ainda estão para vir e este é um problema essencialmente estrutural, que nenhum treinador nem Cristiano Ronaldo poderá resolver. Mas a responsabilidade da construção desta equipa, dos jogadores que a compõem e do tipo de jogo miserável que eles praticam, é da exclusiva responsabilidade de Paulo Bento, que acredito convictamente não ser o homem ideal para comandar a nossa selecção.

???????????????????????????????André Cunha Oliveira

Anúncios

3 thoughts on “Exclusão Nacional

  1. Descreveste o cenario da situacao da seleccao com as mesmas palavras que eu usaria se soubesse escrever como tu hehehe. Mas é mesmo isso….aborrecido, sem criatividade e pior que tudo, totalmente ineficaz. É este o futebol praticado pela seleccao, e fico profundamente irritada com a teimosia doentia do PB. Parece preferir perder do que dar o braço a torcer, e ignora que o que esta actualmente a fazer simplesmente nao funciona!

  2. Pingback: A Maldição de Bebecas | Palavras ao Poste

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s