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A Coreia do Norte prepara-se para declarar guerra aos EUA. A Europa afunda-se numa crise política e económica que pode ditar o fim da zona Euro. O PS avança com uma moção de censura que pode derrubar o governo. Temas como a poluição, a devastação ambiental e a exploração do trabalho infantil estão na berlinda.

Reflecti muito sobre estes tópicos e tendo em conta todos estes predicados que afligem o nosso universo mundano, vou escrever sobre algo que o país tem necessidade de ler: o Toy.

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Acerca desta voz setubalense preservada diariamente com sopas de cavalo cansado, muito haverá para dizer. Como bom representante da MPP (Música Popular Portuguesa – para alguns mesquinhos anti patrióticos, música Pimba) foi emigrante (na Alemanha) e regressou em grande ao nosso país para delírio de milhões de portugueses no final da década de 80.

António Ferrão, sempre foi um visionário, um homem à frente do seu tempo. Foi ele que trouxe o house ou a electronic music para Portugal. Antes dos Davids Guettas desta vida, já o Toy rebolava de calça amarela e camisola cor de laranja (foi inspirado neste figurino que este ano a Nike criou o equipamento alternativo do Barcelona) num estilo musical muito singular.

Um estilo onde, qual navegante descobridor, conseguia enquadrar o house, com o cabelo à Jorjus e com o apelo sexual que só um cantor de Kizomba, Hip Hop ou o Nel Monteiro possuem. Nesse momento todos os problemas do universo feminino pareciam ter apenas uma solução: “chama o António!”. – http://www.youtube.com/watch?v=wBJIgZzAuFE

As mulheres portuguesas na década de 90 sabiam bem que se fossem assediadas no trabalho, vítimas de tráfico sexual, tivessem os glúteos flácidos, sofressem de violência doméstica, ou possuíssem os mamilos invertidos, assim que entrassem num escritório de advocacia ou num consultório médico ouviriam a mítica e redentora frase – “Chama o António”.

Talvez se tivessem apresentado o Toy à Merkel, a zona Euro estaria pujante economicamente e aquele mamarracho um xuxuzinho.

Este mito da MPP fez muito sucesso com um variado leque de canções. Conseguiu ser o primeiro português a cantar lambada ou a fazer duetos com cantoras moldavas.

Contudo sempre que o António vem à minha cabeça, penso logo que estou “Estupidamente Apaixonaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaadoooooooo”. Quem me manda ser assim? Desculpem mas é mais forte do que eu. Tenho a certeza vou deixar a vida inteira para te amar, porque o meu coração é teu.

Lá está o malvado a dominar a minha mente. Podia divagar sobre a obra desta lenda nacional. Falar no quanto “És tão sensual” e confessar que “Sou português”, ou ainda dizer-te “Aguenta-te com esta” enquanto renego essa bebida nefasta: “Água não”.

Falar do Pavarotti do Sado sem citar o programa da Sic, “Na Caaaaaaaaaaaaasa do Toy”, seria como ir à Bairrada e não comer Leitão. Nesse espaço, todos os valores do Toy são expostos à comunidade.

Quando leva strippers para espectáculos familiares com crianças e tudo, ou quando confessa o seu amor à ex-esposa no mesmo instante em que de boca cheia devora uma valente bucha.

São exemplos de um homem que graças às suas aderentes calças de veludo cotelê conduz com os joelhos. Para o Toy a condução com as mãos está sobrevalorizada. O nosso herói acredita que, caso o João Pestana comece a chamar, se deve aumentar a velocidade até o dobro do permitido por lei. Um inovador e acima de tudo um pensador da sociedade actual. O seu programa foi uma lufada de ar fresco no panorama nacional e o Gato Fedorento esmiuçou-o brilhantemente. – http://www.youtube.com/watch?v=fZey2B1WVCc

Contudo esse não é objectivo deste artigo. Prefiro fazer aqui um deja vuzinho sobre a hisToyria deste profeta do choco frito. Hoje em dia trocou o gás que tinha nas últimas duas décadas por quilos e faz parte do Rechonchudos Futebol Clube. Do penteado à Pirlo, resta apenas uma sombra capilar que esconde o aproximar da calvície. Contudo a capacidade de sedução e aqueles falsetes profundos continuam lá.

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Assim como todos os grandes ícones da música das feiras, eu também fui emigrante. Quando regressei acabei por não optar pelo MPP, mas ainda estou aberto a propostas. Quem sabe se o Tony Carreira me der o seu nome…

Durante a minha estadia lá fora, tornei-me um apreciador convicto dos grandes músicos nacionais. Regularmente videoclipes (até desconhecidos em Portugal) da MPP eram emitidos na RTP África ou Internacional (isto sim é serviço público). Cada intervalo na programação transformava-se num conjunto de minutos líricos e sábios onde as profecias melódicas chegavam nas bocas de Clemente, Toy, Marante ou Luís Filipes Reis.

Hoje apresento-vos o melhor videoclipe do ano. É de 2004, mas é na mesma o melhor videoclipe que vi este ano e será o melhor videoclipe de 2014,15,16…

É assim desde que surgiu e sempre será. Faz parte do álbum “É só sexo”, que continha grandes composições como: “Louca de desejo”, “Seduzido por ti”, “Enlouquecidamente te desejo”, “Hey Tu (Vem e Vais Gostar) ” ou uma das minhas prediletas, “Sado Masoquismo”. Esta última, uma analogia entre o rio Sado e o sexo masoquista, provavelmente entre pescadores, charrocos e, ou, golfinhos.

A composição que merece esta distinção dá pelo nome de “Profunda Intimidade”. Os melhores 4m e 11segundos de muitas vidas. – http://www.darktube.org/watch/clip-toy-intimidade

Num primeiro momento, o Antonio Banderas sadino entra num Hotel, num estilo vagaroso e despreocupado de guitarra às costas. Num cenário intimista e de filme porno vintage, Toy aborda a recepcionista: “Olhe era um quartinho se faz favor”. Depois dá um autógrafo nos papéis de entrada do hotel e com um olhar de engatatão, solta um sem sentido “se tiver uma vista bonita”. Despede-se com um “obrigadíssimo” e aí começa a nossa viagem de sonho.

A canção inicia-se com um solo do Carlos Santana da Bobadela. O cabelo comprido a esvoaçar, enquanto o brinco brilha na orelha esquerda são de extrema imponência.

Entramos num universo paralelo onde Toy, numa limusine decorada com rosas vermelhas e morangos, navega “à mais profunda intimidade de um mar de agulhas cálidas e roxas”.

Eu nunca vi uma agulha roxa, muito menos cálida. Pessoalmente, prefiro alfinetes adiposos e lânguidos. São opções…

O golfinho buchudo segue embalado pela sua voz libertina quando solta o seguinte verso: “Mergulho na profana santidade, da procissão da saudade no dançar das tuas coxas.”

Este é talvez o melhor verso da história da música na língua de Camões. Num espaço de 13 palavras o erotismo de Toy consegue misturar religião, com saudosismo, dança e coxas (quem é que põe coxas numa letra?). Tudo isto enquanto qual suíno no cio, olha para a câmara de rosa vermelha na mão, servindo a kosovar (pelo menos ar disso tem) que o acompanha de champanhe.

O verso que segue, esclarece muita coisa: “Entrego-me ao novelo do delito, nesse teu ventre bandido, fonte santa de alegria.” – A PJ devia investigar esta letra. É evidente que esses novelos do delito e esses ventres bandidos que andam a fazer a alegria dos criminosos, sabem muito e devem ser espremidos.

O Toy está numa limusine de motorista, (devem ter lhe retirado a carta, vá-se lá saber porquê), vestido como um mafioso siciliano, com uma mosca e patilhas suspeitas, acompanhado de uma cidadã romena (provavelmente ilegal no nosso País) e a cantar em código. Só não vê quem não quer. Cá para mim esse gang dos ventres bandidos deve ser aquele que andou a espoliar caixas multibanco. O Toy é cúmplice e os novelos do delito também. Fazia já uma rusga aos sótãos das avós portuguesas com máquinas de cozer e tricô. Os canis de gatos também deveriam ser investigados.

3264135_1361495850034_1Chegamos ao refrão. O início e o fim são assim: “Intimidaaaaaaaaaaaaaaaadeeee”. O nosso Toy, aqui ainda uma jovem promessa da academia da Obesidade, aproveita para acariciar as coxas eslavas da sua parceira. Em simultâneo entope a boca vermelha de baton, da jovem imigrante, de morangos. A moça está extasiada ou em coma. Uma dúvida que persegue quem assiste o vídeo. Esta tentativa dos românticos nacionais de encher a boca das figurantes, de fruta da época nos videoclipes, é um truque velho. Nos idos anos 80, Marco Paulo já fazia a sexy Anita (ou o seu cadáver em estado vegetativo) devorar um citrino.

Por fim, volta o solo do Carlos Santana da Bobadela, enquanto a lua cheia cai sobre a cidade. Tocar guitarra com um pé em cima da jante mostra logo a nacionalidade do artista. Numa estação de comboio europeia, um lusitano é logo detectado por essa posição… E pelo garrafão de vinho, no chão.

A limusine segue o seu caminho enquanto Toy uiva aos céus do Pragal ou dos Foros da Amora. Gastaram o orçamento todo em champanhe e morangos, então não conseguiram filmar num espaço melhor, sem prédios e bairros sociais.

Antes de bradar o refrão novamente, o nosso herói confessa: “Caio na sagrada redondura que mora negra e madura na tua boca divina. Em ti serei ofício deslumbrado, o pássaro secreto, a liturgia. E digo meu amor, meu chão sagrado, és minha amante e meu fado, eu não sei de outra alquimia”.

Não sei quem compôs esta música. Mas duvido que tenha sido um ser humano. Quem é que versa redondura (será uma indirecta à voluptuosidade do cantor) madura com boca divina? Talvez um símio maneta e iletrado. Nem vou entrar pelo ofício deslumbrado (estará o cantor disposto a entrar na Política?) o pássaro secreto e a liturgia.

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Toy admite que não sabe de outra alquimia. Contudo nesta da MPP é um alquimista rei, pois tudo em que toca se transforma em ouro. Esperemos que o seu pançudo legado perdure pela Eternidaaaaaaaaaadeeee.

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SONY DSCBruno Gomes

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