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O jogo entre Belenenses e Vitória de Guimarães da passada quarta-feira, a contar para a meia-final da Taça de Portugal, contou com apenas seis jogadores estrangeiros nos dois onzes iniciais. Não será precipitado analisar estes números à luz das dificuldades financeiras que os dois históricos clubes do futebol português têm vindo a sentir nos tempos mais recentes.

O jogador português poderá reencontrar o seu espaço nos principais clubes do futebol português com a crise e respectivo reflexo nas contas dos clubes. Em Guimarães, a temporada começou com uma revolução tão drástica quanto necessária. As principais figuras do clube, muitas delas ‘envelhecidas’ e com salários bem para lá do suportável pela tesouraria do clube, deram lugar a jogadores mais jovens e, ao longo da época, o Vitória foi recorrendo cada vez mais aos miúdos portugueses da equipa B que hoje são as estrelas de uma das equipas revelações da Liga (não pela grandeza do clube mas pelas expectativas baixas criadas no início da temporada). Tiago Rodrigues (por mim, este mais que todos), Ricardo e Paulo Oliveira são hoje esteios de uma equipa de sucesso que tem ainda, no onze-base, Alex, Luís Rocha, André André e Baldé como representantes nacionais.

Da revolução efectuada em Belém já aqui falei numa outra ocasião. Os azuis do Restelo começaram esta temporada somente com três jogadores que transitaram da temporada passada (entretanto, um deles já deixou o clube). Porém, desta vez não chegou um camião de brasileiros mas sim um grupo de jogadores escolhido a dedo por Mitchell van der Gaag. Entre os talentos jovens portugueses, o destaque vai para Tiago Silva.

Alguém acredita que estes jovens jogadores portugueses teriam estas oportunidades se os clubes vivessem uma fase de maior fulgor financeiro? As últimas duas décadas foram, também no futebol, de gastos desenfreados. Hoje, a corda partiu e muitos são os clubes que já perceberam que o segredo não está no banco mas sim nos jovens jogadores que deram nas vistas nos juniores. A Belenenses e Vit.Guimarães junto casos como o do Leixões (onde os jogadores portugueses representam 84% do total do plantel), Vit.Setúbal (69%) ou o do sensacional Paços de Ferreira (65%).

A crise, como se sabe, chegou também a Alvalade proporcionando um regresso à aposta na formação. Conhecido pelos talentos que emergem ano após ano da Academia de Alcochete, o Sporting acreditou, num passado não muito distante, que o sucesso passaria pela aposta em jogadores estrangeiros com talento e condições discutíveis. A estratégia tinha tudo para correr mal. E correu mesmo, contribuindo para um dos períodos que mais envergonham os adeptos dos leões devido à falta de talento evidente de alguns dos contratados a peso de ouro. Esta aposta só ajudou a estrangular ainda mais a já débil tesouraria do leão e, já no decorrer desta temporada, assistiu-se a uma debandada dos jogadores estrangeiros e a uma forte aposta em jovens jogadores da equipa B e juniores. A qualidade de jogo da equipa subiu e o orgulho dos sportinguistas foi, em parte, restabelecido.

Numa altura em que se fala cada vez mais da falta de opções para a selecção nacional, talvez seja a crise a solução. Aliada a uma correcta utilização das equipas B, poderemos voltar a ver os jovens jogadores portugueses a despontar nos principais palcos do futebol português e a chegar cedo à lista de Paulo Bento. No Azerbaijão, o mais novo era Fábio Coentrão, com 25 anos. Observando com atenção os seleccionáveis, percebemos que existe um buraco geracional tremendo. Depois da geração de Coentrão e Patrício, não encontramos grandes valores. Entre a geração de 1988 e a de 1992 temos um deserto de nada. Resta rezar para que estes talentosos jogadores que hoje despontam consigam atingir rapidamente um nível alto de maturidade de forma a colmatar essa deficiência de 5 anos. Paulo Bento agradece. Nós também.

joni_desenhoJoni Francisco

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One thought on “Será a crise a salvação?

  1. Acredito que realmente, nesta esfera do futebol, a crise possa ter um efeito positivo. É preciso não só investir na formação de jogadores portugueses, mas principalmente dar-lhes oportunidade para se provarem em campo. Esta conjuntura económica tem favorecido estes jovens jogadores e concordo com o autor, pode favorecer muito a Selecção. No Sporting, consigo pensar em dois ou três jovens com menos de 20 anos (dando destaque a Bruma, a quem considero especialmente bom) que há uns anos provavelmente não teriam chance na equipe principal. Assim é também nos outros clubes que o Joni referiu.

    Parabéns pela excelente análise!

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