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A época que André Almeida tem vindo a realizar de águia ao peito volta a levantar a questão da importância de factores extra técnico-tácticos na prestação individual de um atleta que pratique qualquer desporto colectivo. O miúdo, resgatado ao Belenenses, começou a temporada na equipa B e só acabou promovido à equipa principal em definitivo depois das saídas tardias de Axel Witsel e Javi García. A desconfiança pairou sobre ele desde o primeiro momento. Primeiro, porque ele e André Gomes foram logo vistos como os substitutos do belga e do espanhol, numa equação na qual o Benfica ficaria certamente a perder (na verdade, os substitutos já lá estavam: Matic e Enzo Pérez). Segundo, porque aquilo que Almeida fizera em Belém ou em Leiria era de um jogador não mais do que mediano.

Quase oito meses depois da promoção definitiva de André Almeida à equipa principal, o balanço dificilmente poderia ser melhor. O médio passou a lateral direito e o Benfica ficou com a tal alternativa a Maxi Pereira que há muito se pedia. A fiabilidade passou a ser a imagem de marca de Almeida que agarrou o lugar na Liga Europa, permitindo que o guerreiro uruguaio recarregasse baterias para os desafios ligueiros. Os resultados estão à vista.

Em Olhão, André Almeida até jogou a lateral esquerdo. E fê-lo muito bem. “Diz-me com quem jogas, dir-te-ei como jogas” é a mensagem que fica. Um jogador mediano mas com determinadas características pode fazer o papel de craque quando inserido numa equipa com espiral positiva, ganhadora e recheada de jogadores talentosos. Em Portugal, nos anos mais recentes, André Almeida junta-se aos casos de Rúben Amorim, César Peixoto, Nuno Valente, Sapunaru ou Silvestre Varela. Não querendo comparar a qualidade dos atrás citados, parece óbvio que todos eles beneficiaram de uma conjuntura colectiva favorável, fazendo bem o papel de estrelas que nunca foram.

César Peixoto é, talvez, o melhor exemplo que consigo dar. Chegou ao Benfica pela mão de Jorge Jesus que o treinara em Braga. Na Luz nunca foi titular, nem tinha qualidade para tal. Porém, o que fez na primeira época foi suficiente para convencer os adeptos. Não deslumbrava mas não comprometia e, inserido numa super-equipa, a sua presença não incomodava nem atrapalhava os processos colectivos. A uma época fantástica a nível colectivo como a de 2009/10 seguiu-se uma menos conseguida. E, num contexto menos favorável, as fragilidades individuais vieram ao de cima. Peixoto passou de suplente fiável a ‘patinho feio’ da equipa. O terceiro anel percebeu as limitações e empurrou-o para fora do clube um ano depois de o aplaudir. César seguiu para Barcelos e passou a ser não mais que o parceiro de Diana Chaves e o ex- de Isabel Figueira. Porém, arrisco a dizer que estaria a ser bastante útil no Benfica deste ano.

A nível internacional, o Manchester United é o melhor viveiro destes jogadores medianos transformados em algo mais do que aquilo que realmente valem. John O’Shea ou Darren Fletcher fizeram de travestis em equipas recheadas de vedetas conceituadas. Não eram craques mas vestiam-se como tal.

Também é verdade que é muito ténue a linha que separa estes futebolistas travesti e os que ascendem meteoricamente de um plano mediano para um nível meritório. Corro o risco de estar a ser injusto com o “miúdo”, como lhe chama Jorge Jesus. Fui dos que desconfiou de André Almeida desde o primeiro momento mas já me rendi à sua entrega e à sua utilidade no Benfica de 2012/13. No entanto, não posso deixar de considerar que o impecável lateral direito deste ano tem muito de ilusório. André Almeida não é um excelente jogador, mas está a fazer uma excelente época. Espero que o continue a ser nas próximas temporadas porque seria sinal que o Benfica continuaria numa espiral positiva e de sucessos. Mas se o Benfica tremer, André Almeida será o primeiro a cair.

joni_desenhoJoni Francisco

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4 thoughts on “Diz-me com quem jogas

  1. É verdade que não é um jogador com potencial para ser um craque mas é um jogador que faz a posição de defesa direito, médio defensivo e pelos vistos defesa esquerdo de uma forma competente. Não enche os olhos como talvez o Maxi nas últimas temporadas mas este ano tem desviado atenções da péssima temporada que o Maxi está a fazer este ano que ontem em mais uma brincadeira deu um golo que se fosse para o campeonato representava menos 2 pontos. Penso que em todas as equipas são necessários jogadores assim competentes e regulares em que sabemos que não podemos esperar magia deles mas que podemos contar com a sua competência. Na próxima época se o Ruben Amorim ficar serão 2 jogadores facilmente adaptáveis ao que a equipa precisar e isso é sempre bom. Neste momento não sei se não confio mais no André Almeida ou no Mini Maxi desta época mas penso que a espaços e de uma forma quase escondida o André Almeida tem sido uma peça muito importante principalmente na Europa. Confesso que também não me convencia nada, a bola parecia queimar-lhe os pés na temporada passada mas com a confiança que ganhou este ano melhorou bastante. Para mim foi o melhor contributo da equipa B na época toda.

  2. De forma geral concordo, mas acho que és demasiado caustico com César Peixoto – Peixoto tinha muito mais talento que aquele que lhe foi creditado na Luz. (Um dos que foi fatiado sem contemplações.)
    Com um pouco mais de velocidade, era jogador para voos muito mais altos. mais ou menos como Hugo Viana, que só se realiza em equipas “menores”…

  3. O Peixoto quando chegou ao Benfica já não era jogador. Na minha opinião muito fraco. Prefiro mil vezes um André Almeida, mais novo, com muita margem de evolução. E também é Português…p ultimo grande lateral direito do Benfica Português foi o Veloso…não?

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