Home

Depois de Lisboa, Leiria, Porto, Londres, Milão e Madrid, o “comboio Mourinho” prepara-se agora para seguir viagem e desembarcar num outro qualquer destino europeu mais próximo. Após as quatro batatinhas de Dortmund, o melhor mesmo é começar a fazer a mala e arrepiar caminho.

A aventura do treinador português em Madrid, admitamos, não correu bem.  Mourinho aguentou-se três tumultuosos anos na capital espanhola e a sua passagem pelo colosso espanhol não ficará na história como uma ligação de sucesso. O casamento entre os dois tinha, aliás, tudo para correr mal. Era um daqueles matrimónios demasiado perfeitos para ser verdade, daqueles que acabam em menos de nada e sem se perceber muito bem porquê. “Eles são tão parecidos, têm tantas coisas em comum, foram feitos um para o outro!”.

Por terem sido feitos um para o outro é que Mourinho e Real não funcionaram. Os estilos, quase idênticos, chocaram em tudo aquilo o que os uniu: o mediatismo, o ego nos píncaros das alturas, o orgulho, a arrogância e o espírito vencedor. Duas personalidades abusivamente egocêntricas que mais tarde ou mais cedo acabariam por entrar em confronto.

A precipitação do enlace começou desde logo num dos erros clássicos dos casamentos falhados: acreditar que a coabitação na mesma casa, no mesmo tecto, não é muito diferente da vida em separado e sem satisfações de parte a parte.

mourinhovaldanoMourinho ignorou os problemas com Valdano e achou que as diferenças entre ambos ficariam à porta do Santiago Bernabéu, a partir do momento em que começassem a trabalhar juntos e a remar para o mesmo lado. Enganou-se. Esqueceu-se que viver “24 sob 24 horas”, dentro do mesmo estádio, do mesmo centro de treinos, com alguém em quem não se confia, não resulta.

Com Florentino Pérez enfiado nos gabinetes, pensou “El Speciale” que chefiar todo o futebol blanco seria a única solução para fazer valer os interesses do seu grupo, e que apesar da complexidade da tarefa, conseguiria dar conta do recado. Houve um ultimato, saiu Valdano e chegou mesmo a dizer-se: “Mourinho venceu mais uma batalha”. E tinha vencido. À segunda vez, o treinador português conseguiu superar o “dream team” de Pep Guardiola e com distinção, conquistando o campeonato espanhol com números assombrosos.

À Taça do Rei da temporada anterior e à Liga adicionou ainda uma Supertaça de Espanha, conquistando assim uma tripleta trienal a que não estava habituado. Mas o poder e a influência que Mourinho foi obtendo no Real Madrid, e que o tornaram treinador e director desportivo do clube, acabariam por se virar contra si já na presente temporada. Iker Casillas e Sergio Ramos, pesos pesados do plantel madrileno e jogadores que no final da última época entraram em rota de colisão com o treinador português, viram-se assim isolados e sem o apoio de nenhuma figura do clube de quem pudessem obter protecção. Com Mourinho a comandar todo o futebol blanco, a frustração destes jogadores tornou-se ainda maior, e o desejo de ver o Special One  “pelas costas” praticamente uma obsessão.

181755hp2A pressão dos históricos e das vedetas provocou fissuras no balneário merengue que hoje parecem irreversíveis. O mau ambiente na equipa começou na pré-poca e repercutiu-se no péssimo início de temporada, que provocou a perda do campeonato logo nas primeiras jornadas da competição para o Barcelona. Os conhecidos “bufos” de Madrid, que há anos minam o clube e fazem transparecer a enorme fragilidade da sua estrutura, acabaram por dividir o plantel e afastar ainda mais o treinador português dos seus jogadores. O desgaste provocado pelas fugas de informação para a imprensa foi aliás determinante para o desfecho que entretanto se avizinha.

O Real Madrid perdeu muito provavelmente, em Dortmund, a grande oportunidade de salvar uma época cheia de obstáculos. Muito do futuro desta equipa, deste plantel, deste grupo de jogadores, jogava-se ali, no Signal Iduna Park. Atletas como Iker Casillas, Sergio Ramos, Xabi Alonso, Essien, Arbeloa, Modric, Di Maria, Higuain e até Cristiano Ronaldo não têm lugar garantido no futuro merengue. Caso se confirme novo insucesso na tentativa de conquista da décima Liga dos Campeões, e sem o campeonato na mão, Florentino Pérez enfrentará um duro desafio que talvez nenhum Gareth Bale conseguirá ajudar a enfrentar. É que o empresário madrileno voltou a contratar os melhores e não venceu, pelo que o problema, está à vista de todos, não passa por aí.

Entretanto, José Mourinho vai olhando para o mapa europeu e procurando um banco de suplentes para se sentar na próxima temporada. O “semi-desaire” no Real Madrid não arrefece de maneira nenhuma a cobiça de que o técnico natural de Setúbal sempre foi alvo. O regresso anunciado a Inglaterra deverá por isso acontecer mais cedo do que o previsto, e a questão é agora saber para qual das maiores capitais britânicas do futebol Mourinho irá viver: em Londres a dúvida sobre a cedência ou não de uma segunda oportunidade a Roman Abramovich, depois do divórcio litigioso de há seis anos; em Manchester o “déjà vu” de se ver a trabalhar com alguém em quem não confia a 100%, neste caso Txiki Begiristain, actual director-desportivo do Manchester City e antes do Barcelona.

Em ambos os clubes, Mourinho terá margem de manobra (€) para trabalhar. Ainda que os dois plantéis estejam bem definidos, o português quererá, como sempre, dar o seu toque e oferecer soluções do seu agrado à futura equipa. Com um leque de jogadores mais jovem e de grande futuro nos blues, é no entanto no Manchester City  que reside o maior potencial para ser trabalhado pelo técnico português. Jogadores como Joe Hart, Kompany,  Yaya Touré e Dzeko são o tipo de jogadores que Mourinho adora tornar vencedores e que ele sempre procura para as suas equipas. Os citizens têm um plantel rico, completo, com uma variedade ampla de soluções que certamente não obrigaria a grandes incursões no mercado (ainda que Mancini tenha o desplante, ano após ano, de exigir novas contratações aos bilionários sheiks proprietários do clube).

Entre a experiência do passado e o desafio do futuro que está por vir, a decisão de Mourinho terá forçosamente de ser bem ponderada e analisada, sob pena de “perder” mais três longos anos da sua carreira.

???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s