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Depois de 51 jogos em alta rotação, o Benfica está a apenas 5 partidas de fazer história. Ou nem tanto. Nas próximas semanas, os encarnados terão pela frente 3 desafios para o campeonato, uma final da Liga Europa e uma final da Taça de Portugal. É obra.

Olhando para estes dados dá para perceber, desde logo, a sensacional campanha que a equipa de Jorge Jesus tem protagonizado. Com uma impressionante percentagem de vitórias de 74,5%, e apenas três derrotas em toda a época, este Benfica  chega ao final da temporada com uma pujança capaz de intimidar o mais forte adversário. A começar pelo Chelsea, adversário europeu da final de Amesterdão, no próximo dia 15.

Os londrinos têm uma lista infinita de craques do futebol internacional, mas um colectivo que não funciona. O Chelsea começou muito mal a temporada e a mudança de treinador não mudou o rumo das coisas. Rafael Benítez nunca foi um bem visto pelos adeptos e, ao que parece, também pelos jogadores. Os maus resultados iniciais e a falta de liderança do balneário têm prejudicado o seu trabalho, que apesar de tudo é agora recompensado com a segunda final europeia consecutiva do clube, desta vez na Liga Europa.

Foi contestado mas voltou a pôr o Benfica na rota do sucesso: Jorge Jesus.

Jorge Jesus é o rosto do Benfica vencedor de 2012/2013.

As peças dos blues são por isso bem mais valiosas do que aquelas do clube da Luz, isso é indiscutível, mas a sua complementaridade e integração é, sem dúvida alguma, muito mais forte na equipa portuguesa.

Após alguns jogos menos fulgurantes e a gestão de um ou outro jogador mais fisicamente condicionado, o técnico do Benfica pôs ontem à noite, num Estádio da Luz  vibrante, “toda a carne no assador”, e o resultado foi uma avalanche de futebol ofensivo daquelas já conhecidas como “à Jesus”. O treinador natural da Amadora, por muitos defeitos que tenha, e tem, usou uma das suas maiores qualidades para começar a golear a segunda-mão da eliminatória e inverter o resultado de Istambul: foi genuíno, sincero, e no meio de uma catrefada de pontapés na gramática portuguesa (alguns deles prontamente corrigidos, faça-se a ressalva), falou directamente para o seu povo, chamando a massa adepta benfiquista, tão crítica e severa quanto empolgante no apoio à sua equipa, para o Estádio da Luz, destacando o papel que o chamado 12.º jogador iria ter nesta partida crucial para a temporada do Benfica. O resultado foi uma vitória táctica em toda a linha, com o recinto benfiquista a registar uma das suas maiores enchentes da temporada, com 53 mil corações saltitantes a puxar pelos seus jogadores, e uma formação vencedora a entrar em campo com  a confiança e a qualidade que só os campeões conseguem demonstrar nos momentos de maior pressão.

A exibição de luxo do Benfica frente ao Fenerbaçhe, uma das melhores da temporada, foi tudo aquilo que a equipa e os adeptos encarnados mais precisavam. Uma demonstração de força, de classe, de supremacia e elegância que atestasse o nível da equipa e não deixasse nenhuma dúvida: o Benfica quer, e pode, ganhar tudo.

Seja Cardozo, como ontem, seja Matic, como sempre, ou seja Garay, Salvio, Gaitán, Ola John ou Lima, Jorge Jesus terá sempre artistas em quem confiar a coordenação da harmonia benfiquista. É muita gente, muitos pés, muita cabeça a brilhar junta. Uma orquestra de craques que não desafina e toca como ninguém. O segredo está mesmo no Maestro, agora parecem não haver dúvidas, o homem que colocou o Benfica no trilho do sucesso depois de anos e anos de secura e mau futebol.

Esta é por isso, em resumo, a época por que todos os adeptos benfiquistas mais esperavam. A conquista da tão ansiada tripleta significaria um regresso às conquistas europeias e um passo importantíssimo no processo de re-afirmação nacional que se iniciou, precisamente, com Jorge Jesus. A conquista de um campeonato invicto, com a possibilidade de revenge  através da conquista da competição no Estádio do Dragão, daqui a 2 jornadas,  a vitória na Taça de Portugal, dez anos depois, e a obtenção da glória numa final europeia, seriam o corolário de uma época imaculada e com contornos de excelência que ajudariam a apagar a humilhação de 2010/2011.

É que nem nos melhores sonhos (depois do furacão André Villas-Boas e do fracasso da temporada anterior) o universo encarnado acreditaria que Jorge Jesus, muito criticado e desgastado, conseguisse recolocar o Benfica no trilho do sucesso, e ainda para mais de forma tão clara e exuberante.

Cumprindo os mínimos na próxima partida do campeonato, frente ao Estoril, e numa jornada que pode desde já consagrar a equipa como campeã nacional de 2012/2013, o Benfica deverá centrar os seus esforços e atenções na final de Amesterdão, cujos 90 minutos de futebol serão de capital importância para o futuro do clube.

O adversário impõe respeito e obrigará à presença do melhor Benfica da temporada – o que ontem se apresentou na Luz, portanto. Sem esquecer o peso e o valor das individualidades do Chelsea, em quase todos os sectores superiores às dos encarnados, a equipa deverá acima de tudo jogar com rigor e equilíbrio, confiando na enorme dinâmica e criatividade da sua frente de ataque e na solidez e segurança da sua defesa, ajudada pela máquina Matic que procurará mostrar, frente aos blues, todo o talento e qualidade que o seu futebol tem e podia ter sido aproveitado em Stamford Bridge. O jogador sérvio será uma daquelas peças-chave que poderá ajudar o Benfica a superiorizar-se no meio campo e a estender o jogo encarnado para a frente.

Porque mesmo com Cech, David Luiz, Ramires,  Hazard, Mata ou até Fernando Torres, o Benfica não ficará atrás com jogadores como Garay, Matic, Salvio, Gaitán, Ola John ou Lima, e sobretudo ficará sempre por cima a partir do momento em que a dinâmica e o caudal ofensivo dos seus jogadores conseguir explanar o futebol que tem apresentado ao longo de toda a época, e que é manifestamente superior ao daquele exibido  pela formação de Rafa Benítez.

É por isso que os adeptos benfiquistas nunca, nos últimos anos, desejaram tanto chegar ao final do mês de Maio. Nunca 5 jogos pareceram uma mão cheia deles. Nunca três semanas pareceram uma eternidade. Mas enquanto esses dias não chegam, o momento é mesmo para desfrutar. Saborear  a vitória, beber cada golo como se fosse o último, e degustar  cada jogada de forma intensa, completa, e sem cobranças. O percurso da sua equipa assim o exige.

???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

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One thought on “As três semanas mais longas da história do Benfica

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