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Nas últimas eleições do Sporting, os 3 candidatos, apesar de diferentes, revelaram a mesma intenção de seguir o caminho da formação. Todos eles, cientes do impacto positivo que o vocábulo teria no eleitorado verde e branco, defendiam um projecto para o clube lisboeta que passava pela aposta nos jogadores “made in Alcochete”. Todos eles, porém, sabiam de antemão a situação de pré-ruptura contratual da maior parte das pérolas leoninas e da herança que o vencedor iria receber da direcção cessante presidida pelo engenheiro Luiz Godinho Lopes, o último dos aristocratas a governar o reino do leão.

Esta elite, que de croquete em croquete foi reduzinho o Sporting à situação em que hoje se encontra, foi-se servindo do clube e tapando os buracos nas contas com soluções e engenharias financeiras que a esta altura impedem os leões de seguir em frente. Depois de endividar o clube e adicionar resultados desportivos catastróficos a milhões e milhões de euros de prejuízo, o engenheiro achou que era hora de apostar na formação,  lembrando-se dos miúdos que durante quase dois anos menosprezou e cujos processos de renovação contratual foi negligenciando.

Em cima do joelho, e já com um pé fora de Alvalade, Godinho Lopes procurou reverter esta situação a seu favor, accionando cláusulas de opção e prolongamentos quase precários nos contratos de alguns destes atletas, de forma a diluir  a sua quota de responsabilidades em todo este processo.

O projecto de Bruno de Carvalho, hoje Presidente do Sporting, preconiza precisamente o oposto da linha seguida pela anterior direcção, algo que até certo ponto poderá descansar os sportinguistas mais inquietos com a situação dos seus futuros craques. “Não teremos necessidade de vender obrigatoriamente. Apenas o faremos por uma gestão de política desportiva e não por questões financeiras”.

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Bruma, 18 anos. “O novo Nani” pode ficar livre já a partir de Janeiro.

Até certo ponto porque a imagem de líder implacável do novo presidente dos leões continua presa por arames. Depois da conclusão das negociações com a banca, cujos contornos ainda se mantêm por apurar, Bruno de Carvalho tem agora em mãos uma missão tão ou mais complicada por resolver. Talvez até mais, porque o falhanço no processo de renovação com as principais estrelas da Academia, com Bruma à cabeça, hipotecarão, sem qualquer margem para dúvidas, as suas hipóteses de sucesso em Alvalade.

É  que por detrás das manchetes que colocam Bruma cada vez mais longe de Alvalade, há um verdadeiro batalhão de jovens jogadores com uma situação contratual de risco que os coloca à mercê dos maiores empresários e clubes de futebol do mundo.

Para além de Bruma e Gael Etock, que poderão negociar com outro clube já a partir de Janeiro do próximo ano, Tiago Ilori, Ricardo Esgaio, João Mário, Fabrice Fokobo e Betinho têm os seus vínculos válidos por apenas mais duas temporadas, ou seja, até ao ano de 2015, o que, de maneira alguma, acautela os interesses do Sporting a curto prazo.

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Tiago Ilori, titular há 11 jogos consecutivos, tem sido seguido de perto pelo PSG.

Olhando para os casos mais prementes, os de Bruma e Tiago Ilori, o arrastar do impasse destas negociações torna-se ainda mais grave considerando a sua promoção à equipa principal do Sporting, onde ambos os jogadores têm tido prestações acima da média que valorizam, jogo após jogo, a sua cotação no mercado internacional. A cada passe, a cada corte, a cada drible, as camisolas destas duas pérolas da Academia vêem o seu preço ser inflacionado em milhares e milhares de euros. A cada notícia especulativa sobre as dificuldades dos leões em acertarem estas renovações, há milhões e milhões de euros a serem postos sobre a mesa.

O tempo passa e o pior que pode acontecer ao Sporting é mesmo o despontar das suas maiores promessas, hoje já certezas. Porque por muito que esta valorização atraia interessados nas suas aquisições, a frágil condição contratual destes atletas implica um retorno financeiro quase miserável e manifestamente inferior ao rendimento desportivo que a sua continuidade, sobretudo nesta fase das suas carreiras, poderia garantir.

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Carlos Mané é a próxima estrela que se segue.

Mas o tal batalhão não termina aqui. Entre os vários jogadores da Academia com contratos profissionais assinados, muitos têm também a sua ligação ao Sporting prestes a chegar ao fim. Tobias Figueiredo e Carlos Mané, as duas maiores estrelas da equipa de juniores dos leões, têm a sua situação contratual pouco definida, e embora as informações vindas a público careçam de confirmação oficial, tudo aponta para que os seus contratos sejam válidos apenas por mais uma ou duas temporadas.

Dos jogadores mais promissores e com maior futuro no clube de Alvalade, André Martins, Eric Dier, Diego Rubio, André Carrillo e Marcos Rojo são alguns exemplos de jogadores com uma ligação mais duradoura ao Sporting (até 2016), mas que ainda assim não oferece grande segurança e tranquilidade à nova direcção dirigida por Bruno de Carvalho, que na próxima época, senão já nesta, deverá encetar contactos para prolongar mais estes vínculos contratuais.

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André Martins, médio titular do Sporting, tem contrato até 2015.

Qualquer clube organizado do futebol mundial tem as suas principais estrelas seguras por contratos de longa duração de seis, sete e às vezes até mais temporadas. No Sporting, a história assim o diz, esta nunca foi uma política seguida com grande rigor. Bruno de Carvalho sabe disso e também saberá que conseguir esta lista interminável de renovações, herança pesada de Godinho Lopes, será um balão de oxigénio para os primeiros meses do seu mandato e o resto do seu projecto.

No caso particular do jovem extremo Bruma, o processo que mais dores de cabeça está a dar a Bruno de Carvalho, o trabalho da imprensa e o contraditório  dos leões lançado para os jornais, e que o Sporting confirmou recentemente num comunicado, não podem escamotear o óbvio: por mais baixo que seja o orçamento da próxima temporada (já anunciado entre os 25 e os 30 milhões de euros), por muito  intransigente que seja o agente do jogador, o Sporting, e consequentemente Bruno de Carvalho, têm a obrigação de fechar a renovação de contrato com a maior estrela da sua formação.

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Pini Zahavi, empresário de Bruma.

E por muito que esta versão seja atractiva para os indefectíveis apoiantes de Bruno de Carvalho, a verdade é que os empresários dos jogadores do Sporting não são mais mercenários do que os dos outros, nem sequer os seus jogadores podem ser, por natureza – qual herança genética -, mais interesseiros do que os atletas rivais. Há, na sua origem, uma clara deficiência e incompetência na forma em como estes processos são geridos em Alvalade. Por outras palavras, Pini Zahavi não é mais mercenário do que qualquer outro empresário do mundo do futebol, os dirigentes do Sporting é que são, objectivamente, bem mais anjinhos a negociar do que os dirigentes dos seus principais rivais.

Mesmo que Bruma possa ser visto como apenas um miúdo de 18 anos com alguns meses de futebol profissional, o seu potencial e valor de mercado justificam um contrato de longa duração por valores semelhantes a qualquer outro jogador do quadro de atletas que iniciaram o plantel da equipa A na presente temporada. E que o Sporting pode obviamente pagar. Seja com a venda de alguns dos activos com mercado mas com pouco espaço no plantel de 2013/2014, seja com o investimento de 15 milhões de euros que, depois do fecho da reestruturação financeira, entrará em Alvalade, conforme anunciou Bruno de Carvalho no passado mês de Abril.

O relógio do novo Presidente do Sporting não pára e outra das tarefas por resolver é o trabalho ao nível da confiança e da aposta em jogadores como Zakaria Labyad e Marcos Rojo, que apesar de uma primeira época intermitente, fruto também da instabilidade permanente à volta do clube, são dois dos valores mais seguros do actual plantel que, a serem valorizados, poderão garantir um importante retorno desportivo e financeiro para o Sporting.

Obrigado pela banca a conseguir uma quantia mínima de 10 milhões de euros em vendas já neste verão, Bruno de Carvalho deverá centrar-se na colocação, no mercado, de jogadores com alguma cotação mas com pouca margem de progressão no actual plantel, como são os casos de Stijn Schaars, Adrien Silva, Diego Capel e Jéffren. Isto para além da saída, aparentemente inevitável, do jogador mais valorizado de Alvalade, o guarda-redes Rui Patrício. A saída de qualquer um destes elementos seria facilmente colmatada pelos jogadores da talentosa geração de sub-19 da Academia que agora começa a despontar, à excepção de Patrício, que ainda assim teria em Marcelo Boeck um substituto à altura dos acontecimentos.

Esta verba, que sobretudo em virtude da venda do actual dono titular da baliza da Selecção Nacional, tem francas possibilidades  de ser superada, poderia assim permitir a incursão dos leões no mercado por duas ou três posições-chave, mas em que os protagonistas deverão forçosamente ser outros que não Cícero, Edinho ou Candeias.

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Nabil Ghilas, treinado por Augusto Inácio, é um dos nomes categorizados em Portugal que poderia estar a ser acompanhado pelo Sporting.

Nomes interessantes e de grande potencial vão entretanto sendo afastados do radar leonino. Roberge, um dos melhores defesas-centrais da Liga Portuguesa, estava em final de contrato e terá agora chegado a acordo com o Sunderland, de Inglaterra, país que tem sido apontado como destino de um dos avançados mais perigosos do nosso campeonato, o francês Nabil Ghilas. Outros nomes como o ponta-de-lança japonês Suk, de 21 anos (termina contrato esta época com o Marítimo), o central Steven Vitória (também à beira de se tornar um jogador livre) e o lateral-esquerdo Jefferson não parecem despertar grande interesse da estrutura dirigente do Sporting. Amido Baldé, jogador da casa e recém-eleito melhor jogador jovem da Liga no mês de Abril, não parece ser sequer ponderado para o futuro dos verde e brancos, mesmo que os leões ainda detenham uma percentagem significativa do seu passe (30%). Da parte de Augusto Inácio e Virgílio, responsáveis máximos pelo futebol leonino, não é conhecido um único passo no sentido da construção do plantel da próxima temporada. Com a maioria dos clubes da Liga com os seus plantéis de 2013/2014 já completamente definidos, o Sporting poderá ainda não ter adquirida sequer uma contratação para a próxima temporada.

Isto para já não falar do “Dossiê Jesualdo”, um processo que, a par das renovações que não atam nem desatam, continua a comprometer o sucesso do Sporting na próxima época. Apesar das declarações em sentido contrário, não parece haver grande química entre Bruno de Carvalho e o actual treinador leonino. O bom trabalho do Professor, reconhecido e traduzido pelos números e pela prestação da equipa, não agrada de sobremaneira ao Presidente do Sporting, que parece estar mais virado para outra solução. Também no que toca ao treinador não há qualquer indício relativo ao próximo nome a sentar-se no banco de suplentes de Alvalade, e as dúvidas à volta do planeamento da temporada que daqui a não muito tempo se iniciará, persistem.

Considerando que o segredo seja mesmo a alma do negócio, Bruno de Carvalho não deixa de ter uma autêntica bomba-relógio em mãos prestes a explodir. O tempo passa e não perdoa, e as notórias dificuldades em fechar estas matérias absolutamente crucias para o futuro do clube podem pôr seriamente em causa o cumprimento do seu mandato. Tem por isso a palavra o homem que foi eleito pelos sócios do Sporting para mudar radicalmente o rumo que o clube vinha a tomar nos últimos anos. É agora que Bruno de Carvalho deverá mostrar de que massa é feito. E enquanto isso, tic- tac, tic-tac, tic-tac…

???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

3 thoughts on “A bomba-relógio de Bruno de Carvalho

  1. Pingback: Adeus Bruma, adeus Bruno? | Palavras ao Poste

  2. A QUANDO DAS INSCRIÇÕES DA FORMAÇÃO NA ACADEMIA DO SPORTING DEVERIA SÊR ESCRITO E CONFIRMÁDO DE QUE O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL , SEJA DONO ABSOLUTO DOS PASSES DE TODOS JOGADORES ALI FORMADOS.
    O SEU VALOR CASO HAJA DEVE PERTENCER Á ACADEMIA QUE OS FORMOU , E SENDO PAGA UMA CERTA IMPORTÂNCIA PELA SUA FORMAÇÃO — PELO JOGADOR EM CAUSA OU PELO SEU REPRESENTANTE .
    SÓ ASSIM DESTA MANEIRA O SPORTING TERÁ BENEFICIOS DOS BONS TRABALHOS FEITOS NA ACADEMIA DE ALCOCHETE .
    OS FAMOSOS ABÚTRES DE CARNE HUMANA QUE PAGUEM O JUSTO .
    timanel

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