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O futebol é cruel. Mas essa crueldade, admito, assenta-lhe bem. Perder um jogo – e mais do que isso, um campeonato – já para lá dos noventa minutos desperta emoções completamente opostas nos dois lados da barricada. Um festejo efusivo e exuberante de um lado; Um cair de joelhos e um fechar de olhos do outro. São estes momentos que ficam para a história e que nos marcam para sempre. Por isso, uma vénia ao futebol e à sua paixão.

Parabéns ao FC Porto. Colheu o que o Benfica plantou porque esteve sempre atrás do arbusto à espera da mais pequena distracção do agricultor encarnado, o qual nestes últimos meses pulou vertiginosamente entre as três hortas que tão bem semeou e que até há bem pouco tempo pareciam germinar com sucesso. O FC Porto teve o mérito de nunca desistir, mesmo quando já poucos acreditavam (nem mesmo o seu treinador). Não ganhará a melhor equipa do campeonato, nem tão pouco o melhor plantel, mas ganhará aquela que fará mais pontos. E aí não há ‘justiça’ que nos valha. No final, por muito que custe, contam os golos marcados e os pontos acumulados: um golo aos 92 minutos e, muito provavelmente, um único ponto de diferença no final da competição.

O Benfica perdeu o campeonato em casa contra o Estoril. Resta saber se perdeu também aí a Liga Europa. Os quatro pontos de vantagem eram essenciais na deslocação ao Dragão. Permitiriam uma abordagem ao jogo muito mais descontraída e, quiçá, alguma rotatividade na equipa a pensar também na final europeia contra o Chelsea. A praxis não podia ter corrido pior. A péssima exibição contra os ‘canarinhos’ aguçou o apetite do dragão atrás do arbusto. O resto da história já todos sabemos. O Benfica não conseguiu rodar e, pior que isso, perdeu o jogo. O Campeonato passou a ser uma miragem e o físico e a moral para quarta-feira estarão irremediavelmente afetados.

A mim, o jogo de sábado mostrou algo diferente. Mostrou que sim, sou viciado nisto. E que sim, sou maluco da cabeça (como diz o novo cântico encarnado). Depois do empate em casa com o Estoril tomei a decisão de não ver o jogo do Estádio do Dragão. Não são apenas os jogadores que se cansam, nós também. Sentia-me esgotado como se tivesse jogado os 90 minutos, com constantes correrias junto à linha lateral. E sentia também que este tinha sido o enésimo jogo de uma temporada sempre a acumular desgaste. Bendita a hora em que tomei tal decisão.

Porém, tirei uma outra conclusão: a tal história do “longe da vista, longe do coração” não se aplica ao futebol. Nem pouco mais ou menos. Não sofri em frente ao televisor mas sofri no silêncio ensurdecedor de um monte alentejano, sem televisão nem internet. Às horas que pensei ter terminado o jogo, peguei com as mãos trémulas no telemóvel e perguntei ao meu irmão o resultado. A resposta surgiu imediatamente, em forma de sms: “Porra, que sortudos, marcaram agora mesmo o 2-1 aos 92 minutos” (a linguagem usada não foi bem esta, como podem imaginar). Escusado será dizer que me caiu tudo. Pessimista por natureza, admito que esperava uma derrota do Benfica. Mas nem o mais cruel seguidor de Satanás imaginaria um final mais doloroso. E a minha dor não terá sido ¼ da daqueles que viram o jogo. Não vi o golo do Lima nem pensei nesse momento que estávamos mais perto do título e quem sabe de conquistá-lo no Dragão; Não vi o auto-golo do Maxi; Não cheguei aos 90 minutos a pensar que estava quase garantido o empate que nos colocaria muito perto do Campeonato; Mas também não vi o golo da ‘catatua’. E ainda bem.

A crueldade deste jogo e deste Campeonato fica com o quadro completo com o Paços de Ferreira a assegurar o terceiro lugar antes de receber o FC Porto. Antes do jogo do Dragão o meu pessimismo fomentado por anos e anos de Benfica dizia-me que as águias tinham 5% de probabilidade de vencer o Campeonato. Mas desses 5%, apenas 1% advinha da possibilidade do Benfica alcançar um bom resultado no Porto. Os outros 4% estavam na Capital do Móvel, confiante de que o Paços de Ferreira pudesse necessitar de pontos para garantir o acesso à prova milionária. Pois bem, o Paços empatou mas o Braga fez-nos o favor de perder. Liquidou qualquer hipótese de chegar à Liga dos Campeões e terá liquidado também as minhas ténues esperanças, até porque os pacenses poderão receber o FC Porto de chinelos e toalha de praia. E merecem-no pela excelente temporada que fizeram. Não podemos querer que outros façam o trabalho que nós não conseguimos.

São já dois anos seguidos a esbanjar vantagens pontuais importantes no sprint final do Campeonato. Dois anos em que a melhor equipa durante a maior parte da competição baqueou quando menos se esperava. As arbitragens ou a falta de sorte não são mais que areia para os olhos. Um problema mais alto se levanta: a falta de mentalidade ganhadora. Benfica e Sporting desabituaram-se a ganhar e continuam – mais o Sporting que o Benfica – com estruturas directivas a roçar o amadorismo no que à questão motivacional diz respeito. Na Luz, o caminho parece que está a ser feito, mas demorará o seu tempo. O que se perde em décadas não se recupera num par de anos.

Resta esperar que o pacto com o Diabo que Pinto da Costa parece ter assinado seja tão vitalício quanto o contrato que João Vieira Pinto rubricou com o Benfica. Os ventos mudam e os tempos também, dizem. Desejo ardentemente que comecem a mudar já amanhã, com o regresso das vitórias do Benfica nos palcos europeus.

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joni_desenhoJoni Francisco

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3 thoughts on “Para o ano há mais

  1. É verdade que perdemos e perdemos por culpa própria. O jogo contra o Estoril foi importante para esta derrota mas o jogo do Dragão é que era o mais importante e para mim o erro esteve aí. Quando empatamos com o Estoril o universo benfiquista ruiu e acabamos por perder o campeonato na semana entre o jogo do Estoril e o do Porto. Uma equipa que pretende ser campeã tem que ter uma mentalidade de campeão e nós não tivemos, pelo contrário revelámos uma enorme falta de ambição e medo da equipa adversária e quem joga assim não merece ser campeão. Não me lembro de ter visto jogo nenhum em que o Porto á frente na classificação ou atrás fosse á luz passear e abdicar de atacar ou contra atacar o jogo inteiro e é essa mentalidade que faz campeões e o Jorge Jesus por muito bom treinador que seja e é um treinador fantástico não tem mentalidade de campeão. Penso que tivemos o jogo do Dragão na mão e que começou a correr muito bem para o Benfica, praticamente no único remate de jogo corrido que fizemos marcamos um golo e a partir daí o jogo era nosso, estava mesmo ao nosso estilo e mais cedo ou mais tarde num contra ataque marcavamos o segundo e eramos campeões no Dragão. Apesar de eu não apreciar este estilo de jogo tem sido bastante eficaz durante a época, aliás tem sido a nossa imagem de marca esta transição rápida e eficácia no contra ataque. Contrariamente ao que seria de esperar principalmente na segunda parte em que o jogo estava partido o que ainda era melhor para o Benfica sair em transição rápida, assistimos a um Benfica sem ambição nem chama de campeão a entregar bolas ao adversário sem se quer tentar sair em contra ataque. A partir da saída do Fernando que fez um jogo tremendo o Porto perdeu o homem que segurava o equilíbrio da equipa na transição e essa era a chance do Benfica pegar no jogo e passar a pressão para o lado do Porto mas em vez disso preferimos ficar com um empate para decidir o campeonato na última jornada e isso foi fatal. Este campeonato não podemos queixar-nos de outra coisa a não ser culpa própria pois estávamos numa posição muito favorável mesmo com o empate com o Estoril. Não acredito que o Porto perca ou empate simplesmente porque o Paços já não tem nada a ganhar ou a perder e pode optar por jogar tranquilamente em sua casa e fazer a festa da champions. Se por acaso o Paços tentar vencer não sei se o Porto se safa porque não é uma equipa com muitas soluções e o Paços só tem uma derrota em casa.

  2. É engraçado. Este post fala em vitórias antecipadas e, de facto, o Benfica ainda pode ser campeão. Há aqui uma ironia gigantesca. E agora vai-me dizer “sim, mas isso é quase impossivel” também eu (e outros, incluindo o treinador do Porto) achamos impossivel o Benfica perder pontos até ao Benfica-Porto e a verdade é que perdeu. Há que ser isento acima de tudo.

  3. Olá turma do Palavras ao poste,

    Meu nome é Humberto Alves, sou gerente de afiliados do http://www.apostasonline.com e gostaria de lhes fazer uma proposta.

    Como não consegui encontrar nenhuma área para contato, poderiam me enviar um email para afiliados [arroba] apostasonline.com para darmos continuidade a negociação?

    Grande abraço

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