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A passada quarta-feira confirmou o segundo capítulo do pesadelo benfiquista. Num jogo empolgante e apenas resolvido nos descontos, o Chelsea derrotou o clube da Luz e levou para casa o título de vencedor da Liga Europa. Perante tamanho dramatismo, as imagens mostraram um Jorge Jesus que mesmo sem se ajoelhar transpirava por todos os seus poros um desalento inconsolável, e do outro lado um senhor gorducho de rosto arredondado que exibia um sorriso discreto e uma serenidade pouco compatível com a situação. Os menos atentos jamais diriam que aquele homem acabara de entrar para o corredor da fama dos melhores treinadores, mas era mesmo verdade: Rafa Benitez arrecadara a sua terceira taça europeia.

Os êxitos de Rafael Benítez Maudes tiveram início na temporada 2001/2002, aquando da sua chegada ao comando técnico do Valência. A formação do Mestalla até tinha conseguido chegar à final da Liga dos Campeões dois anos antes pelas mãos de Héctor Cúper, onde perdeu por 3-0 com o Real Madrid, mas o campeonato já lhe escapava desde 1971 e no que toca a competições europeias o histórico de vitórias era nulo. O cenário não era animador, mas na sua época de estreia Rafa pegou num conjunto de jogadores em tudo semelhante àquele que havia ficado em 5º lugar na época anterior e catapultou o clube para um feito histórico: 31 anos depois, o Valência sagrou-se novamente campeão nacional. Sem nunca se dar por satisfeito, a temporada 2003/2004 foi ainda mais brilhante para o técnico espanhol, com a reconquista do campeonato frente ao Barcelona de Frank Rijkaard e Ronaldinho e da Taça UEFA (agora denominada Liga Europa) com uma vitória na final frente ao Merselha.

Perante tanto sucesso, Benítez mudou-se no ano seguinte para o Liverpool e a sua estadia em terras de Sua Majestade não podia ter começado de melhor maneira do que com a conquista da Liga dos Campeões, troféu que fugia ao clube inglês desde 1984. Nos reds Rafa ganhou ainda uma Supertaça Europeia, uma Taça de Inglaterra e uma Supertaça de Inglaterra, mas a ausência do tão desejado título de campeão nacional empurrou-o para uma saída precoce do clube inglês no final da época de 2009/2010; e é por esta altura que nasce um novo Benítez.

A decisão de ir para um Inter que na época anterior tinha ganho tudo aquilo que havia para ganhar pelas mãos do carismático José Mourinho foi o primeiro passo para a degradação da reputação pública do treinador espanhol. O nível de exigência dos adeptos estava altíssimo, para a família interista não acreditou que Benítez tivesse capacidade para guiar o clube à glória, e a pressão acabou mesmo por fazer com que o técnico acabasse por abandonar o barco com o rótulo de incapaz e desconhecedor do futebol italiano. Seguiu-se o Chelsea e a recepção que a massa associativa lhe proporcionou foi ainda mais calorosa: invocavam a sua ligação ao Liverpool e exigiam a sua saída imediata. Benítez aceitou, disse que saía no final da temporada, e eis que, mesmo tendo os adeptos e até alguns jogadores contra ele, conquista a Liga Europa; e uns meses antes ninguém dava nada por ele nem por aquela equipa.

 A verdade é que mesmo perante tão nobre palmarés, Rafa ganhou a capacidade nestes últimos dois anos de despertar o ódio generalizado nos adeptos do futebol e, em particular, nos do seu próprio clube. A sua postura quase cínica não o transforma numa figura credível e competente aos olhos da opinião pública, o que faz com que por mais que ganhe tenha sempre que provar novamente o seu valor. Foi exactamente isso mesmo que aconteceu agora com o Chelsea, numa batalha ainda mais complicada por não ter o apoio daqueles que deveriam ser os seus companheiros, e mais uma vez conseguiu.

São três taças europeias no currículo, três. Dos treinadores em actividade quantos se podem gabar de registo semelhante? Muito poucos, e Benítez também não o faz. Não tem a falta de humildade suficiente para se auto-colocar no nível a que pertence e que merece, e talvez essa atitude se transforme numa contribuição decisiva para que não seja considerado um treinador de elite. E é por esse motivo que no final deste artigo o leitor irá pensar que atendendo à qualidade dos jogadores que teve à sua disposição foi fácil para Benítez vencer esta Liga Europa. Talvez, mas teria sido ainda mais fácil tê-la perdido. Títulos são títulos, e a reputação de um treinador tem que ser construída em função deles. Estarei eu errado?

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Diogo Taborda desenhoDiogo Taborda

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