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Terminada mais uma temporada, é tempo de recarregar baterias. Não só as dos jogadores mas também – e sobretudo – as dos adeptos. Os últimos dias de maio e os primeiros de junho são as férias dos ‘loucos pela bola’. A redondinha deixa de rolar nos relvados e os adeptos ressacam. Uns felizes… outros nem tanto.

Em junho começa a ‘silly season’ em força e os loucos da cabeça tiram os cachecóis da gaveta, não para ver o seu clube jogar mas para navegar na net, ler jornais e percorrer a blogosfera na procura de tudo o que esteja relacionado com contratações para a sua equipa. Os dias passam a ser importantes ou insignificantes consoante aquilo que a capa dos jornais desportivos indica. Um dia sem a ventilação de um novo jogador para o nosso clube começa muito pior que um outro onde a capa da Bola, do Record ou do Jogo faz manchete com um nome reconhecido. “Fulano no Benfica”; “Beltrano vai ser leão”; “Sicrano a caminho do Dragão”.

Entre junho e o último dia de agosto (os russos fizeram questão de prolongar a angústia por mais uns dias) as noites destes loucos terminam às 3h da manhã, horário do lançamento das capas dos desportivos. Às 2.50h a blogosfera rejubila e imagina os seus craques favoritos ou os seus fetiches predilectos vestidos com a camisola do seu clube, mesmo que seja mais uma daquelas montagens manifestamente mal conseguidas de cabeças e corpos desproporcionais às quais a imprensa nacional tanto nos tem habituado.

A ‘silly season’ é também o período da ‘cenoura’. Lembram-se da tal ilustração do burro com a cenoura em si pendurada que o faz caminhar até à exaustão? Pois bem, os burros somos nós e as cenouras são colhidas e distribuídas sem critério pela imprensa desportiva. E não raras as vezes, o diz-que-disse é mais do que suficiente para que algo seja noticiado como dado adquirido. Afinal de contas, o que interessa é vender a boa da cenoura ao louco do burro.

Vêm aí as férias, a praia, o Algarve e o jornal debaixo do braço. O desfilar de novos craques e projectos de craques vestidos de vermelho, azul ou verde e com um bronze de fazer inveja. As romarias ao Seixal, a Alcochete e ao Olival. As conversas entre amigos sobre a melhor posição para a nova aquisição. O toque de calcanhar do ‘Novo Maradona’ proveniente do Arsenal de Sarandí que faz dele o novo ídolo dos loucos, mesmo que o jogo seja contra um grupo de pasteleiros, pedreiros e electricistas que se juntam ao sábado para dar uns pontapés na bola. As entrevistas de jogadores, treinadores e dirigentes com as promessas de sempre e o optimismo bacoco. Os banhos de multidão nos estágios em França ou na Suíça. A confiança irredutível dos adeptos numa equipa da qual muitas vezes sabem apenas o nome do próprio clube, pois tudo o resto mudou desde a passada temporada.

Venha daí o defeso, o turbilhão de notícias mais ou menos verdadeiras. Venha a distracção para que benfiquistas e sportinguistas coloquem para trás das costas a frustração de uma temporada contrastante mas igualmente frustrante. Não queiram que sejamos racionais. Somos loucos, ponto final.

E não nos peçam para não salivar com os novos craques cujos nomes terminam em “inho” ou em “ic”. Antes esta que outra loucura qualquer.

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joni_desenhoJoni Francisco

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