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Alguns não terão uma sensata noção da realidade, ou talvez não a queiram ter, mas o ano de 2013 constituiu-se como uma das mais dramáticas facadas no orgulho benfiquista. Depois de perdida a final da Liga Europa, um troféu de prestígio que poderia ter servido para os adeptos encarnados afogarem as mágoas da anterior derrota no Dragão, a sina do clube da Luz alastrou-se tragicamente às modalidades, sempre por culpa de um único e poderoso predador: o FC Porto. No jogo do gato e do rato, do caçador e da caça, o dragão agarrou a águia pelo bico e por três vezes lhe tirou o pio. Haverá dor maior que esta?

A história começa a desenhar-se no dia 11 de Maio, quando o Benfica se desloca ao Porto para defrontar a equipa local numa partida inserida na 29ª jornada da Liga Zon Sagres. À equipa de Jorge Jesus bastava o empate, mas o ‘Rei Artur’ não teve a força suficiente para desviar para canto o remate de Kelvin que deu a vitória ao emblema da casa à passagem do minuto 92, e o Benfica perdeu o campeonato. Na sexta-feira seguinte, 17 de Maio, o segundo episódio da trilogia mudou-se para o Andebol e decorreu no Dragão Caixa. Novamente na penúltima jornada da competição, aos encarnados bastava a vitória para se sagrarem campeões, aos azuis só um triunfo por uma diferença mínima de 3 golos de vantagem lhes daria o ‘penta’: o Porto venceu por 26-23, e o Benfica perdeu o campeonato. Logo no dia seguinte, sábado 18 Maio, o Hóquei em Patins foi a modalidade em destaque e o clube de Pinto da Costa voltou a derrotar a formação lisboeta por 7-3. Os dragões conquistaram nesse jogo o título da liga nacional, e o Benfica perdeu o campeonato.

Contas feitas, foram três desportos distintos, com três lutas aguerridas até às últimas jornadas entre azuis e vermelhos, em três jogos decisivos entre os rivais em regime de confronto directo pelos respectivos troféus, resultando em três vitórias para o Porto e três derrotas para o Benfica. A temporada 2012/2013 esteve perto de ficar registada para sempre na história encarnada por um incrível registo de vitórias em todas as frentes e em todas as modalidades, mas acabou por se tornar memorável pelos piores motivos. Com o Sporting a arrastar-se pelos cantos em quase todas as vertentes, a maior potência desportiva nacional deste ano voltou a ser o FC Porto. E muito embora alguns marinheiros queiram fazer crer que “o Benfica não morreu na praia”, é inquestionável que foi exactamente isso que aconteceu, e não só no desporto-rei.

A questão que então se impõe é relativa às causas de tamanha avalanche de sucesso desportivo azul e branco. Talvez a solidez da estrutura do clube portuense, talvez Pinto da Costa, talvez as arbitragens, talvez falta de sangue frio do Benfica nos momentos decisivos, talvez até uma maldição ditada por alguém que já não se encontra entre nós. A resposta é difícil de obter, e talvez até seja uma conjugação de todos os factores acima referidos, mas o que é indubitável são os factos, e os factos no desporto são os títulos, e esses ultimamente caíram quase todos nas mesmas mãos. Nas últimas 10 épocas o histórico de vitórias nas modalidades colectivas tem sido destruídor para a reputação dos dois principais emblemas lisboetas: na mais recente dezena de campeonatos nacionais disputados em Portugal, o Porto conquistou nove no hóquei em patins, seis no andebol e oito no futebol. Os números são expressivos, e contra tamanhos factos poucos argumentos se poderão fazer valer.

Perante isto, dizem-me que ficar em segundo tem o seu mérito, que dá acesso à Champions e que é bem melhor que terminar em sétimo; eu aceno com a cabeça e concordo com tudo isto, e de seguida pergunto “quantos vice-campeonatos tem o teu clube no currículo?”. Pois é, por mais fanático e conhecedor que se seja aí a resposta é sempre um tímido “não sei”. E não sabem porque ficar atrás do primeiro lugar não dá nenhum título nem nenhuma taça, os que ficam gravados nos registos são os vencedores e não os vencidos, e o segundo acaba sempre por ser o primeiro dos últimos. Tem sido esta a tendência do desporto nacional já há largos anos: um vencedor mais que provável e quase pré-anunciado e outros dois clubes, aqueles que historicamente são os maiores em termos nacionais, a tentarem-se intrometer a muito custo na senda contínua de vitórias deste imparável FC Porto. Como o Sporting já dificilmente dá luta, foi esse o ingrato papel desempenhado pelo Benfica este ano, o de uma águia que voou muito alto e quase conseguiu tocar o céu, mas que no momento decisivo passou de predadora e presa de um dragão enfurecido que sem a mínima piedade a deitou por terra. E para o ano há mais.

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Diogo Taborda desenhoDiogo Taborda

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One thought on “2013, o ano em que o dragão caçou a águia

  1. Só te esqueceste quem caçou a águia foi a arbitragem, enquanto não falarem a verdade, estão a compactuar com este crime que se passa no futebol, onde o pinto da costa tem passado impune à justiça..

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