Home

O Sosteniamo Pereira falou com Riccardo Carucci, jornalista italiano residente em Portugal, sobre a situação económica e social vivida no país. Carucci abordou o excesso de austeridade aplicado no continente europeu e apontou à falta de alternativas políticas existentes no nosso país. Uma entrevista exclusiva agora partilhada no «Palavras ao Poste».

“É difícil encontrar uma solução para esta crise. E parece-me que, os que tentam mudar as coisas, como o Letta em Itália, o Holland na França e talvez o Rajoy em Espanha, acabam por chocar com a política da austeridade imposta pela Alemanha, ajudada por uns pequenos países como a Holanda e a Finlândia e mesmo pela União Europeia. Por um lado, temos que aceitar os equilíbrios nas forças em campo, mas há um limite para tudo.

É preciso reduzir o défice e o débito, pois é. Mas também é claro que uma política de austeridade exasperada como a que se está a fazer em Portugal não dá para nada, aliás, deu apenas para piorar até mais a situação económica e social.

Se a gente comprar menos, também as receitas e o IVA pelo Estado são menores, torna-se mais difícil investir e também para as empresas torna-se mais complicado ter acesso ao crédito. Eu não tenho soluções: concordo com algumas medidas de austeridade, mas pelo outro lado concordo também com quem critica esta austeridade porque leva a desastres económicos e sociais.

Haverá uma força capaz de mudar esta política, no sentido de torná-la muito mais tolerante e flexível? Não sei! Mas Portugal assinou um acordo com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, em 2011, ainda com o governo socialista, depois veio um governo centro-direita que decidiu ir mais além das exigências da própria Troika.

Há um Ministro das Finanças que é considerado uma espécie de robot: frio, e que corta, tal como se faz em Itália, reduzindo a actividade útil e necessária, e depois, ao mesmo tempo, continuam a haver desperdícios incompreensíveis.

Cortam e aumentam os impostos, é esta a situação. Por isso o mal-estar dos portugueses é grande, mas apesar de algumas enormes manifestações e protestos organizadas pelos sindicatos, não há ainda, apesar de todos os rumores e tudo o que é dito, um clima de ruptura social. E as sondagens, ainda que dêem como favorito o partido socialista neste momento, porque a oposição pede a demissão do governo e o governo continua com uma maioria (com algumas divisões e contrastes, mas o certo é que funciona), não lhe dão uma maioria absoluta, e não indicam uma maioria operativa de esquerda. Ou seja, se a lógica seria que os portugueses, estando insatisfeitos, votariam claramente esquerda, isso neste momento não se verifica.

Seja como for em Portugal existem dois grandes partidos, um Partido Socialista (PS) e um Partido chamado Social Democrata (PSD), que é de centro-direita, apesar do nome, e que dividem o eleitorado. Ou um, ou outro, e não há a fazer. E distinguem-se, frequentemente, por mentiras, promessas não cumpridas, por escândalos de corrupção, etc.

E daqui não se escapa.”

(Entrevista realizada por Daniele Coltrinari e traduzida por Marco Gaviglio)

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO ENTRE
EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’ E
ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

21101_580860361944901_1520408781_aMarco Gaviglio
*Jornalista e colaborador do  blogue «Sosteniamo Pereira»

Veja a entrevista original em vídeo no blogue “Sosteniamo Pereira”

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s