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No passado fim de semana o SL Benfica juntou o título de Campeão Nacional de Juvenis ao de Juniores conquistado duas semanas antes. É apenas a terceira vez na história do clube encarnado em que os títulos de Juniores e Juvenis seguem para a Luz na mesma temporada e a primeira desde a longínqua temporada de 1974/75. E é interessante ainda recordar que o título de Iniciados, conquistado pelo Sporting, teria seguido o mesmo caminho se o Benfica não tivesse perdido de forma surpreendente contra o Gafanha, no Seixal.

Não vou cair na tentação de fazer destas duas conquistas a salvação de uma época que, a nível futebolístico, ficou à porta da glória. Os miúdos foram campeões, viram o seu trabalho recompensado, e até houve quem tivesse categoria para conquistar o título no terreno do rival, numa situação em tudo idêntica à da equipa principal quando jogou no Dragão. Mas não passa de uma mera coincidência – como a que se assistiu na vitória final europeia de hóquei – que não pode assumir maior relevo do que a conquista em si.

João Cancelo recuperou da tragédia familiar e deu grande contributo para o título de Juniores

A nível histórico, o Sporting (a partir de determinado momento também impulsionado pela Academia de Alcochete) tem sido a principal fonte de grandes jogadores portugueses das últimas duas décadas. Mas a história diz-nos que nem sempre foi assim. Nos Juniores, por exemplo, o clube de Alvalade tem 16 títulos, menos que FC Porto (20 títulos) e SL Benfica (24). Bem sabemos que na formação, ganhar nem é o mais importante mas ninguém pode negar a importância das conquistas no crescimento de um jovem jogador.

Falar de um domínio do Benfica na formação à luz destas duas vitórias seria ingénuo da minha parte e, mais do que isso, mentira. O título de Juniores, por exemplo, não era conquistado pelos encarnados desde 2003/04. Nos restantes escalões, o Benfica também está longe de ser dominante. Mas está melhor, muito melhor do que há uma década atrás. E é esse trabalho que importa realçar.

Os dois títulos no mesmo ano, não significando por si só uma mudança de paradigma, dão a garantia aos benfiquistas de que o trabalho está a ser bem feito e de que há muito potencial nos miúdos que nos próximos 3/4 anos passarão a seniores. Muitos se perderão por escalões secundários, outros abandonarão o futebol de forma prematura. O leque dos que são aproveitados dependerá muito da aposta que for feita pelo Benfica.

Renato Sanches brilhou pelos Juvenis

Quem seguiu minimamente o Campeonato Nacional de Juvenis terá constatado que a equipa do Benfica era manifestamente superior à dos seus rivais. Na fase final, os encarnados garantiram o título (o 16.º da sua história) a uma jornada do fim, com 4 vitórias e 1 empate, onde se destacou o duplo 4-1 diante do mais que provável segundo classificado, o Sporting. Nesta equipa, o talento abunda e jovens como Renato Sanches, Guga, Romário e Gonçalo Guedes parecem ter tudo para singrar ao mais alto nível. O tempo, e as oportunidades (ou falta delas) o dirão.

Nos Juniores o enredo foi diferente mas o final foi o mesmo. O Benfica conquistou o título, com vantagem curta para FC Porto e Sporting. A nível individual, muitos foram os destaques. A começar por João Cancelo, lateral direito que já joga regularmente no escalão sénior mas que participou, com influência directa, nos jogos decisivos. João Nunes, João Gomes, Valdomiro, Guzzo, Clésio ou Filipe Nascimento estão bem lançados para o futebol ao mais alto nível. E depois há Bernardo Silva, um caso à parte de talento e genialidade que tudo tem para ser uma referência do futebol português.

Bernardo Silva é uma das grandes pérolas da Caixa Futebol Campus

A equipa B terá que ser o próximo passo para aqueles que chegam agora ao escalão Sénior. Mas deve-o ser também para aqueles que, apesar de mais jovens, já mostrem qualidade a mais (se me permitem usar o termo) para o seu escalão. Muitos dos grandes craques do futebol mundial começaram a jogar com os graúdos com tenra idade e grande parte do seu sucesso e crescimento está directamente relacionado com isso. A antecipação da promoção de um jovem jogador ao escalão seguinte faz muitas vezes a diferença entre a ‘explosão’ e a ‘estagnação’. Mas para que a equipa B seja a merecedora rampa de lançamento destes jovens, falta resolver os problemas que já aqui falei neste espaço, relacionados com a abundante entrada de jovens jogadores de talento duvidoso. E já agora, será igualmente importante uma mudança na forma de jogar da equipa. A saída de Norton de Matos poderá ter um efeito positivo no estilo de jogo da equipa. É importante que deixe de ser tão resultadista e passe a jogar um futebol mais apelativo e de ataque. Até porque, na teoria, estão a ser potenciados jogadores para um grande do futebol português.

Numa equipa que não tem no onze base um jogador português, talvez seja pedir demais que estes jovens sejam as referências do futuro Benfica. Luís Filipe Vieira prometeu há uns anos que o Benfica seria a espinha dorsal da selecção. Só não especificou de qual. Já foi do Brasil, da Argentina e parece que para o ano será da Sérvia. Para quando a de Portugal?

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joni_desenhoJoni Francisco

2 thoughts on “O voo das jovens águias

  1. A época a nível de formação foi brilhante com diversos titulos o que é fantástico é sinal de que se está a fazer um bom trabalho e neste campo penso que só falta uma matriz táctica que seja a do Benfica que identifique o Benfica seja em que escalão for que e não o que os treinadores simplesmente decidem porque assim é complicado dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Temos excelentes valores que se vão desenvolvendo brilhantemente tecnicamente mas se o clube não fizer a sua parte fazendo-o desenvolver também tacticamente esse jogador não nos vai servir e se calhar até se perde. De qualquer forma já vemos mais benfiquistas nas seleções principalmente de sub-20 para baixo e isso é bom é sinal que estamos a começar a fazer um bom trabalho. O ponto negativo é que pelo menos 2/3 treinadores de formação do Benfica sairam nos últimos 2 anos para as Árabias como o Bruno Lage que estava a desenvolver um trabalho fantástico com esta geração do João Cancelo, Diego Lopes, Sancidino, Valdomiro, Guzzo que penso que ganharam o nacional em todos os escalões: iniciados, juvenis, juniores.

  2. Pingback: Para que serve o Caixa Futebol Campus? | Palavras ao Poste

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