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O campeonato acabou  e as sensações que ficam, em 2013, não são muito diferentes das do ano passado. Depois da crucificação, em 2012, Jesus esteve perto da ressurreição mas voltou a ser castigado, abrindo portas para nova indulgência a um desde sempre conotado como Judas da cidade do Porto, mas de seu nome Vítor Pereira.

Jorge Jesus alimentou o sonho e o ego benfiquistas ao longo de meses e meses. Foram semanas atrás de semanas com o Benfica sempre no topo, sempre por cima, vitória atrás de vitória, lá e cá, em Portugal e na Europa. Um percurso vitorioso temperado pela melhor das especiarias, a avalanche atacante que desde sempre caracterizou o técnico da Amadora. Ou antes nota artística, como o próprio lhe gosta de chamar. Tudo isto com muito, muito mérito.

Ao mesmo tempo, o antigo adjunto de André Villas-Boas foi mantendo o FC Porto na toada de sempre: equilibrado e regular ao longo de todo o campeonato, poderoso e implacável nos momentos de decisão. Apesar de menos exuberante, o Porto de Vítor Pereira foi sempre uma equipa competitiva, forte, e inteligente a aproveitar as fragilidades do seu principal adversário. Seguindo o estilo dos seus jogadores, o técnico portista foi também sempre muito menos espalhafatoso do que o seu opositor, alinhando por um discurso de prudência e contenção, mas ainda assim muito longe de um qualquer laivo de humildade ou modéstia. Talvez aparado por uma estrutura muito mais “esperta” e sagaz, Vítor Pereira foi sempre sendo capaz de adoptar uma estratégia comunicacional adequada que fugisse ao excesso de confiança do rival.

E com isso foi amealhando resultados. Apesar da pressão, apesar da força e futebol do Benfica de Jesus, e apesar da contestação dos seus próprios adeptos, que nunca viram de bom grado este casamento arranjado por Pinto da Costa, depois do divórcio com Villas-Boas, fugido para Londres sem nunca mais ter voltado.

Vítor Pereira carrega, em Portugal, uma imagem de treinador fraco, medíocre até, sem qualquer mérito nas conquistas que entretanto foi obtendo num clube onde é manifestamente muito mais fácil ganhar. Esta imagem, embora naturalmente injusta, explica-se essencialmente pela postura e arrogância de um homem que tem estado sobre brasas desde o primeiro minuto em que se sentou no banco do Dragão. Seja por uma questão de auto-defesa, seja simplesmente o cumprimento da doutrina do FC Porto (defender o azul atacando  o encarnado), o certo é que a atitude deste treinador natural de Espinho não colhe a simpatia da opinião pública portuguesa. Mas isso, convenhamos, foi coisa que nenhum técnico dos portistas até hoje conseguiu. Nem sequer José Mourinho.

Em Portugal, os números de Vítor Pereira falam por si: em dois anos, dois campeonatos; em dois anos, apenas uma derrota; em dois anos, a conquista de um campeonato invicto, repetindo o feito apenas alcançado por Jimmy Hagan em 1972-73, pelo Benfica, e por André Villas-Boas em 2010-11, também pelos azuis e brancos. Depois, de uma época para a outra, Vítor Pereira conseguiu pôr o FC Porto a jogar da forma que pretendia. O Porto de 2013-14 foi finalmente a tal equipa de posse e domínio de que ele tanto falava na temporada passada, mas que raramente se viu jogar dessa forma. Com posse, pressão alta e criatividade, o Porto chegou a ser deslumbrante até sensivelmente metade da época, com o seu futebol a ser inclusivamente comparado ao estilo do Barcelona. Também aqui o treinador mal-amado revelou a inteligência que muitos lhe rejeitam, sendo prudente nas palavras e não se deixando embalar pela magnitude do futebol da sua equipa, nessa fase da competição.

Mais tarde, com o objectivo europeu e Taça falhados, e sobretudo depois da perda da Taça da Liga para o Sporting de Braga, o destino ficou traçado, e aqui talvez cedo de mais. Com um final de época desastroso a começar a ser desenhado, e uma possível tripleta do Benfica no horizonte, Pinto da Costa decidiu não renovar o contrato do treinador, como é seu apanágio.

Vítor Pereira sentiu o toque e recusou-se a renovar com o FC Porto, amargurado com o clube e os adeptos que nunca o apoiaram de forma incondicional. Carente do amor que nunca teve no dragão, o técnico terá já outras paixões em vista, acreditando no mercado que os seus dois anos de sucesso na cidade invicta lhe propiciarão. Ao mesmo tempo, Jorge Jesus vê renovada a confiança do seu presidente, mesmo que pressionado por uma administração cada vez mais dividida quanto às qualidades de um homem que em quatro anos, apesar do forte investimento, só conseguiu a conquista do campeonato por uma vez. E que nos últimos dois teve tudo na mão e tudo deixou fugir.

O crédito dado a Jorge Jesus, vencido em toda a linha nesta temporada, contrasta por isso com o descrédito atribuído a Vítor Pereira, o grande vencedor de 2013. Um não se pode queixar de falta de afecto e carinho, o outro pode muito bem guardar rancor pelo desprezo e indiferença de que sempre foi alvo. Mas assim como Jesus não terá deixado de ser o excelente treinador que é, também Vítor Pereira não será certamente assim tão mau como o pintam (e veremos agora o que fará Paulo Fonseca, depois da brilhante temporada ao serviço do Paços de Ferreira).  Para melhorar e ser mais amado, precisará acima de tudo de mudar a atitude, deixando-se das tiradas disparatadas e do excesso de arrogância  que é quase uma imagem de culto da figura de treinador do FC Porto. É que a boa imprensa não ganha campeonatos mas de vez em quando lá ajuda a assinar contratos.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

 

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