Home

Há uma coisa que me incomoda na homossexualidade e, acima de tudo, me intriga: pessoas (algumas) com esta orientação tentarem ser o sexo oposto, com exageros físicos, estéticos e formas de se expressar que esse sexo não tem. Isso desvirtua, aquilo que é um homossexual – homem que aprecia outros homens e não homem que aprecia outros homens tentando ser uma mulher. Até porque um homem sente-se atraído pela masculinidade de um homem e não pelo seu feminismo, senão seria mais lógico sentir-se atraído por uma mulher. Julgo eu. De qualquer forma, é algo que não entendo, apesar de não me dizer respeito.

Há muito anos fazia-me impressão pensar no casamento homossexual. Uma situação, no mínimo, diferente, dos quadrantes “normais” da sociedade. Actualmente congratulo-me em saber que, independentemente das suas opções sexuais, os cidadãos podem casar-se e viver de acordo com o que ditam os seus sentimentos.

Essa questão levantou muitas polémicas e algumas divergências entre grupos religiosos, cidadãos heterossexuais e a sociedade portuguesa em geral. Para mim parece-me simples: duas pessoas sentem-se bem juntas, gostam verdadeiramente uma da outra, são maiores de idade, logo, são livres de escolher o rumo que querem dar às suas vidas. Sociedade, religiosos, heterossexuais e afins o que têm vocês a ver com isso? Nada. Rigorosamente nada. Eu como heterossexual estou à vontade para afirmar isto. Quem sou eu, vocês ou nós para palpitar sobre o destino dos outros só porque têm uma opção sexual diferente? A sociedade não me pergunta porque me junto e não me caso, porque prefiro ou não ter filhos ou porque acredito ou não em Deus. São opções minhas, individuais e com as quais ninguém tem de lidar e opinar. A questão do casamento demorou mas felizmente foi, e bem, ultrapassada.

12_MHG_mun_casal_gayPartimos agora para a aventura da adopção. Já fui contra. Entendo que crescer com um pai e um pai ou uma mãe e uma mãe pode ser complicado do ponto de vista emocional para uma criança. Lidar com a diferença, rejeição e acima de tudo com a pressão escolar, exercida pelos próprios colegas, não deve ser fácil de suportar. Sabemos perfeitamente como a idade da inocência é, talvez por falta de consciência, a mais cruel.

De há uns tempos para cá apercebi-me que não mereço decidir este tipo de assunto. Não sei se este tema vai ser aceite, no Parlamento, como lei ou referendado mas sou contra a segunda opção.

Quem sou eu para questionar a adopção de crianças pelas quais não faço o mínimo esforço em ajudar ou apoiar? Mesmo que enquanto cidadão possa ter uma palavra a dizer sobre o assunto, não acho legítimo que a tenha. Afinal, assim como 99,9% dos portugueses, quase desconheço e ignoro essas crianças, sem afecto, que aqui poderiam vir a ter uma família. Aliás, muitos daqueles que possivelmente criticam e se posicionam contra esta opção pouco ou nada fazem pelas mesmas crianças. Não acredito que viver num ambiente homossexual faça de uma criança homossexual, se assim fosse os gays (em grande maioria criados em ambientes hétero) nem sequer podiam existir. Apesar de notar que hoje em dia a homossexualidade (principalmente nos ambientes mais jovens) é quase uma modacool e especial assumir essa posição mesmo que haja dúvidas em relação à própria sexualidade) não creio que ela fomente homossexualidade ou que crianças adoptadas por este género sexual venham a ser vítimas de abusos por quem as acolhe.

Na minha opinião é necessário avaliar as capacidades psicológicas, profissionais e mentais das pessoas para eventualmente aceitar que adoptem crianças. A questão do género é descriminação básica, se as pessoas forem de bem e conseguirem provar que podem criar com respeito e afecto uma criança.

Percebo que seja confuso criar uma criança com dois pais ou duas mães, mas não será igualmente confuso criá-la sem pai nem mãe? Não compreendo o receio que se vive no mundo religioso, e da sociedade em geral, de que as crianças sejam vítimas de abusos ou maus tratos, já que antes da adopção homossexual poucos se preocuparam com elas. Quantas crianças já não terão sido abusadas, vítimas de maus tratos por puritanos religiosos (o Papa já pediu desculpa – se calhar não chega, digo eu…), pelas próprias famílias (infelizmente há muitos Joseph Fritzl neste mundo) ou massacradas anos a fio em instituições de “solidariedade e apoio” como a Casa Pia?

Amor, educação e respeito pelo próximo só as pessoas bem formadas e de boa índole podem dar. Não é a orientação sexual que dita estes valores. São questões meramente educacionais e de valia pessoal de cada um enquanto humano e cidadão.
A sociedade tem estas contradições. Aplaude os homossexuais quando se assumem, mas devora-os quando pretendem casar e ter uma família. As opções sexuais de cada um são privadas e o resto da humanidade não tem de debatê-las na praça pública. Ninguém tem de andar por aí aos saltos a confessar a sua heterossexualidade, homossexualidade ou o que quer que seja. Talvez só na eventualidade de se sentir confortável com isso, o que também me parece estranho, a não ser no seio familiar.

rolandgarro-invasaoIndividualmente, teria dificuldade em lidar com um filho homossexual e desejo não vir a ter um. Não porque não me daria netos de sangue, mas sim porque a rejeição e a forma vil como seria tratado neste mundo cão é algo que não desejo a ninguém. Ontem Roland Garros deu-nos um exemplo disso. A estupidez humana no auge.

Assim como eu, a maioria de vocês que estão a ler, não tem nada a ver com o casamento e com a adopção por casais homossexuais. A vida de cada um diz respeito a si próprio. As escolhas e o caminho devem ser percorridos a solo, regendo-se por princípios básicos da vida em sociedade.

Quem nada faz pelo outro e só protege o próprio umbigo não tem o direito moral de reivindicar o que que quer que seja. Religiosos, pessoas de géneros sexuais opostos, credos díspares e sociedade em geral: tenham consciência, metam-se na vossa vida e parem de ser hipócritas.

Façam me esse favor. O mundo bem precisa.

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO ENTRE
EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’ E
ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

SONY DSCBruno Gomes

Anúncios

4 thoughts on “Basta de hipocrisia

  1. Uma questão e que devia fazer pensar a muita gente quando criticam os outros parecendo que a única verdade é a que é dita por eles, totalmente de acordo com tudo que escreveu, quem sou eu para criticar sejam as pessoas crentes, ou não sejam homossexuais ou não e que tenho eu a ver se duas pessoas do mesmo sexo se unirem, ou duas pessoas do mesmo sexo adoptarem uma criança, aflige-me sim e muito é ver crianças abandonadas sem terem carinho de ninguém, crianças criadas em colégios que não conhecem amor, simplesmente sabem que tem onde dormir comer e ter alguma instrução, é estas que me afligem, os adultos fazerem da vida deles o que acham melhor para eles nada tenho a dizer menos ainda de criticar

  2. Tirando esta parte…

    “Há uma coisa que me incomoda na homossexualidade e, acima de tudo, me intriga: pessoas com esta orientação tentarem ser o sexo oposto, com exageros físicos, estéticos e formas de se expressar que esse sexo não tem. Isso desvirtua, aquilo que é um homossexual – homem que aprecia outros homens e não homem que aprecia outros homens tentando ser uma mulher. Até porque um homem sente-se atraído pela masculinidade de um homem e não pelo seu feminismo, senão seria mais lógico sentir-se atraído por uma mulher. Julgo eu. De qualquer forma, é algo que não entendo, apesar de não me dizer respeito.”

    …em que repete de forma ignorante, ignorância essa que assume no final, muitos dos estereótipos ligados ao género e aos papéis que cada um deve reter para si, de resto o artigo está interessante.

    Já agora,
    o que aconteceu em Roland Garros?

    • Sendo um artigo de opinião estou apenas a referir aquilo que penso em relação a um estereotipo comum, especifico, sem com isso querer ofender ou questionar alguém. Não tenho esse direito mas como estou a dar a minha opinião quis dizer, apenas e só,o que penso dentro dos meus conhecimentos e das minhas ignorâncias. O que aconteceu em Roland Garros, foi a invasão de um activista contra o casamento homossexual no meio da final e de outros imbecis do bando nas bancadas em protesto. Obrigado pelo comentário e sê bem-vindo a este espaço de opinião.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s