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A experiência é um posto, já diziam os antigos, e com razão. Quando em Março deste ano o malogrado Pedro Santa Lopes, herói de tantas e tão desvairadas aventuras políticas, alertava, com grande propriedade, para o risco iminente da queda do governo, muitos terão sido os que sentiram um arrepio no peito com as palavras do antigo primeiro-ministro. É que Santana não é nenhum Professor Bambo mas se há coisa de que ele percebe é de trambolhões de executivos, daqueles bem aparatosos. Escaldado pelo empurrão de Jorge Sampaio, o hoje (pelo menos até à hora de escrita deste artigo) Provedor da Santa  Casa da Misericórdia tem por isso faro para a coisa, e interpreta os sinais que lhe vão chegando com uma sabedoria tal que as suas previsões, ou chamadas de atenção, só podem ser levadas a sério.

Porém, nesta intervenção televisiva de Santana Lopes  não houve lugar apenas a alucinações sobre o futuro do executivo para os próximos tempos. Sem Mourinhos e Ronaldos para o interromper, o bruxo Santana teve ainda tempo para uma visão futurista presidencial, com Sócrates e Guterres no horizonte, para além de Nuno Melo no CDS, já com Paulo Portas deixado para trás. Esta carta de tarot, que da sorte e da fortuna certamente não será, era tudo o que os portugueses não precisavam de saber. Mas o destino é o destino, e quanto a isso pouco há a fazer.

cavaco_e_o_bolo_reiNa previsão sobre o futuro do governo, de uma coisa provavelmente Pedro Santana Lopes se terá esquecido: o coelho que Passos guarda na cartola, e que ele nunca chegou a ter, é quanto baste para aguentar um bando de ministros por mais de seis meses. E aturar as suas trapalhadas. Se Jorge Sampaio foi sempre uma pedra no sapato para Santana, já Pedro Passos Coelho tem em Cavaco Silva o tutor capaz de perdoar os seus maiores devaneios. Um fiel escudeiro sempre pronto a aparar os golpes de um executivo que se vai aguentando e safando, apesar do desastre da sua governação.

A mesma protecção não teve então o antigo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, lançado ao Deus- dará pelos filões do PSD para substituir o foragido Durão. A liberdade era tão grande que tanta palermice pegada só podia dar no que deu. Desde a surpresa de Portas ao saber a pasta que iria ocupar, na cerimónia de posse, até à “expulsão” de Marcelo Rebelo de Sousa do seu espaço de comentário na TVI, depois das críticas de Rui Gomes da Silva, na altura Ministro dos Assuntos Parlamentares e hoje convertido em fanático do Benfica, às opiniões do Professor.

As trapalhadas de Santana Lopes parecem, no entanto, uma brincadeira, quando comparadas com as do homónimo hoje no poder. Contando com ajuda de estrelas como Vítor Gaspar e Miguel Relvas, o governo de Pedro Passos Coelho é um autêntico falhanço dentro do falhanço que são as suas políticas e previsões orçamentais. Um governo sem ministros, sem ideias, sem estratégia, sem um plano de crescimento, sem credibilidade, sem competência, sem seriedade, sem verdade e sem vergonha. Um corpo sujo e gordurento amanhado dentro de um embrulho sem cor e que já pouco consegue esconder. Mas que apesar de medíocre, e maldoso, resiste.

Resiste porque existe um amiguinho, em Belém, que já nem sequer se dá ao trabalho de disfarçar o motivo pelo qual ainda continua no Palácio da Ajuda, apesar dos “baixos rendimentos”. O compadre Cavaco resolveu perder a pose e acabar com os falsos recados políticos, fazendo passar a mensagem, hoje já não dissimulada, de que é preciso manter o governo laranja, custe o que custar.

Nem que para isso passe por cima de todos os interesses nacionais e de Estado. Nem que para isso tenha de ser complacente com a atitude mesquinha e vingativa do executivo. Nem que para isso se tenha de passar por cima da Lei portuguesa e das decisões dos Tribunais. Nem que para isso se tenha de negar a decisão do mais  importante desses Tribunais.

Houve tempos em que Cavaco, o fiel escudeiro do governo que vai ceifando o país, vetava. Cavaco vetava e deixava a dúvida no ar, simulava uma discordância que o ajudava a manter a imagem de homem independente e avesso aos interesses partidários. Hoje Cavaco já não veta, promulga. E assim vai embarcando na máfia governativa que procura driblar a Lei e a Constituição Portuguesa.

Assim, já só falta mesmo uma nota oficial da Presidência da República para confirmar mais um negócio da sociedade obscura entre Passos e Cavaco. Nos corredores de Belém, a promulgação da Lei que permitirá ao governo adiar e prolongar o pagamento dos subsídios aos funcionários públicos, foi sendo preparada ao longo das últimas semanas e já nada deverá impedir este atentado e desafio ao Tribunal Constitucional. Não tendo outra alternativa senão pagar o que deve, esta será mais uma forma ardilosa de Passos Coelho contornar o chumbo dos artigos 77.º e 29.º do OE e humilhar pela milésima vez todos os portugueses que deles estão dependentes. “Ganharam a batalha dos subsídios, tudo bem, mas vão ganhar à nossa maneira”, pensa o primeiro-ministro. E Cavaco concorda, atropelando o mais alto órgão jurídico do país e a ilegalidade que a promulgação desta lei representa.

O Presidente saiu do armário e já não está nem aí. Quer queiramos ou não, ele fará o possível e o impossível para manter os amigos da Troika e o rumo suicida que o país continua a seguir. E Santana Lopes, apesar dos atritos do passado, não deixará de pensar: “Tivesse eu tido um Cavaco…”

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

 

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