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A notícia até já tem uns dias, mas a minha enorme paixão pelo futebol, e pelo que ele é na sua essência, obrigou-me a prestar esta homenagem a um dos maiores ícones que o desporto-rei teve oportunidade de conhecer. Um exemplo de profissionalismo, entrega, amor à camisola, força de vontade e respeito pelos adeptos, características já tão raras numa actividade que para a grande maioria dos seus protagonistas não passa de uma forma de enriquecer. Aos 39 anos, com 18 épocas completadas ao serviço do Internazionale e pouco depois de ter sofrido uma lesão capaz de colocar um ponto final na carreira de muitos jovens, Javier Adelmar Zanetti renovou o contrato com o seu clube de sempre por mais uma temporada. Surpreendido? Nem por isso.

JAVIER ZANETTI - 2006-2007Nos meus tempos de infância colecionar cadernetas de cromos era um ritual incontornável. Elas existiam de todos os tipos e feitos, com as figuras dos desenhos animados ou das personagens das séries televisivas mais famosas da altura, mas as que mais atraíam a minha atenção eram as que continham os jogadores de futebol. Todos os anos saía para venda aquela pequena revista com os maiores craques da bola a actuar em Portugal e na Europa, e todos os anos era de notar a igual presença de um elemento que parecia sempre repetido, sem que uma única nova ruga ou outra qualquer marca da passagem do tempo lhe aparecesse no rosto: era Javier Zanetti. Eu achava aquilo muito estranho, mas ao contrário daquele senhor que se mantinha sempre jovem, fui crescendo e percebendo que apesar de muito raro aquele caso era mesmo real. Zanetti fugia à velhice como o diabo foge da cruz e já situados em pleno séc. XXI a situação mantém-se intocável, tal como se deverá conservar muito semelhante a imagem do argentino na última edição da mítica caderneta de cromos da Panini.

O relato até pode sofrer de alguma dose de hiperbolismo, mas o núcleo da mensagem é tão verdadeiro como foi a conquista do tri-campeonato do Porto neste ano. E se a legitimidade das conquistas do clube nortenho pode ser deveras questionada, as estatísticas relativas à carreira de Javier Zanetti não me deixam mentir: 18 temporadas no Inter, 845 jogos oficiais disputados (equivalentes a cerca de 90% das partidas que o clube disputou neste período), cinco campeonatos conquistados, quatro taças de Itália, quatro supertaças, uma Taça Uefa e uma Liga dos Campeões. É o jogador que mais vezes vestiu a mítica camisola nerazzurri e no que toca à selecção da Argentina conta com 145 internacionalizações, número ainda assim escasso especialmente se tivermos em conta as estranhas ausências dos Mundiais de 2006 e 2010, uma dupla chapada de punho cerrado que apenas fortaleceu a postura profissional de um craque já conhecido por muitos no mundo do futebol como “L’eterno”.

E se as alcunhas dizem muito do carácter das pessoas, o caso de Javier Zanetti não é excepção. O internacional argentino tornou-se eterno no hall of fame futebolístico não por possuir um talento incomensurável ou por ter valido 96 milhões quando se transferiu de um clube para outro, nem mesmo por ter ido enterrar os últimos anos da sua carreira na China, na Rússia ou na Arábia em troca de uns bons milhões por ano. Oportunidades decerto não lhe terão faltado para isso, mas Zanetti preferiu sempre honrar o compromisso que assinou com o seu clube, com a braçadeira de capitão que ostenta no braço e, mais importante que isso, com os adeptos que sempre o apoiaram. A balança de valores de Zanetti pendeu sempre mais para o lado da moralidade do que para o do dinheiro, e é isto que o torna diferente dos seus companheiros de profissão e lhe dá a força para superar a gravidade de uma ruptura do tendão de Aquiles para “voltar ainda com mais força” e para jogar “pelo menos mais um ano”. Quem o vê jogar com a garra, a seriedade e a regularidade que tanto o caracterizam, espera sempre um pouco mais de “Il Capitano”. Eu também o espero, para que possa servir de exemplo para todos aqueles que ambicionam um dia alcançar o estrelato. Afinal, os 40 anos que está prestes a completar são apenas um número, e de números já está cheio o futebol.

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Diogo Taborda desenhoDiogo Taborda

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