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980x735 2O sonho voltou a nascer. O Mundial sub-20 começou ontem por terras turcas e Portugal entrou da melhor forma com uma vitória por 3-2 sobre a Nigéria, arrecadando três pontos que podem ser preciosos para o apuramento para os oitavos-de-final da competição. As fragilidades da equipa das quinas parecem substanciais, mas as potencialidades dos nossos jovens craques podem conduzi-los ao topo do mundo. Depois da dolorosa derrota na final de 2011 frente ao Brasil, os pupilos de Edgar Borges prometem agora agarrar com unhas e dentes esta oportunidade de alcançar a glória; e é legítimo acreditar que é possível.

Foi na viragem dos anos 80 para os anos 90 que a selecção nacional conseguiu alcançar o primeiro lugar do pódio nesta competição. Em 1989 e sob o comando de Carlos Queiroz, artistas emergentes como Fernando Couto, Paulo Sousa e João Vieira Pinto conseguiram sair de Riade com o título de campeões do mundo na categoria dos sub-19. Dois anos mais tarde, e já com o escalão etário inflacionado em um ano, o Mundial de sub-20 realizou-se em terras lusas e a equipa anfitriã voltou a fazer um brilharete ao conseguir revalidar o título que lhe pertencia na inesquecível final disputada frente ao Brasil no sobrelotado Estádio da Luz. Nesta formação de 1991 alinhavam os miúdos Rui Costa e Luís Figo, que anos mais tarde viriam a exibir a sua classe em alguns dos maiores clubes da Europa, entrando desta forma no restrito lote dos maiores jogadores que o futebol teve o privilégio de conhecer. Hoje a história é distinta, a famosa “geração de ouro” já pendurou as botas atribuindo o seu lugar e a responsabilidade de envergar aquela camisola a uma nova fornada de talento que parece ter muito para dar aos portugueses. O tempo das decisões é o agora, e o lugar a Turquia.

A aventura começou bem, apesar dos tremores defensivos que quase deitaram tudo a perder à turma de Edgar Borges. Ao intervalo Portugal possuía uma vantagem de dois golos, mas o desacerto da defesa permitiu que a Nigéria conseguisse empatar as contas através dos dois golos de Abdul Ajagun, score desfeito poucos minutos depois com o segundo golo de Bruma que estabeleceu o 3-2 final. E quando falamos em Bruma falamos em capacidade física, em técnica, em explosão, em arte. É ele o maior desequilibrador desta selecção, o jogador que tem a capacidade de fazer a diferença dentro de uma equipa com boas soluções na frente de ataque. Para além do extremo do Sporting, também o camisola 7 Ricardo (agora jogador do Porto), o possante ponta-de-lança Aladje (que apontou hoje mais um golo) e os suplentes Ricardo Esgaio (polivalente e sempre regular) e Ivan Cavaleiro (muito mais jogador que Gonçalo Paciência) podem-se constituir como os maiores trunfos de uma equipa que tem que jogar para eles.

Mas para que o edifício seja estável as bases têm que ser seguras, e é aqui que reside o maior problema desta selecção portuguesa de sub-20. Entre os postes o guarda-redes do Marítimo B José Sá fez uma enorme exibição deixando bons apontamentos para o que resta da prova, mas o quarteto defensivo revelou-se instável e demasiado permeável a uma Nigéria de qualidade mediana. Com Tiago Ilori entre os 21 eleitos, é pouco compreensível a opção por uma dupla de centrais constituída por Edgar Ié, jogador do Barcelona B que esta temporada jogou apenas em seis partidas, e Tiago Ferreira, atleta do Porto B que apresenta sérias dificuldades na antecipação e no posicionamento. Para colmatar estas debilidades surgiu nesta partida em bom plano o médio do Belenenses Ricardo Alves, que desceu por várias ocasiões à sua própria grande área para cobrir o espaço deixado à deriva por um André Gomes pachorrento e passivo que a jogar assim poderá perder o lugar para o mais possante e agressivo na disputa de bola Agostinho Cá, com o objectivo de dar mais capacidade de combate a um meio campo que terá muito para correr no próximo jogo atrás dos incansáveis maratonistas da Coreia do Sul, a disputar já na próxima segunda-feira.

Por sorte ou azar, Nigéria, Coreia do Sul e Cuba são os adversários de Portugal num grupo que dificilmente não será superado pela equipa das quinas. E para bem ou para mal, nos oitavos as dificuldades e o grau de exigência vão subir de tom e a selecção portuguesa não se pode fiar apenas em um ou dois lances de génio que Bruma pode tirar da cartola. Tem que sustentar a sua formação defensiva e dar-lhe consistência. Foi essa a grande força da equipa que conseguiu com grande mérito o vice-campeonato do mundo do escalão em 2011 na final frente ao Brasil e terá que ser essa a chave do sucesso destas novas esperanças de 2013. Se essa mudança for efectivada, então poderemos sonhar com um voo bem alto, tão glorioso como aqueles já longínquos de Riade e Lisboa.

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Diogo Taborda desenhoDiogo Taborda

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