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39 jogos, 37 vitórias, uma derrota e um empate (derrota nos penalties). Nos duelos finais quatro derbies: vitórias por 5-1, 4-2, 3-1 (as últimas duas na casa do rival) e um empate a três, com derrota por 3-2 nas grandes penalidades. Perante tais registros, Sousa Cintra não teria dúvidas em afirmar (ninguém no seu perfeito juízo devia discordar) que os leões venceram um título “Limpíssimo”. A direcção do futsal leonino está de parabéns pela aposta num treinador jovem, com arrojo e ideias ambiciosas. Nuno Dias foi uma lufada de ar fresco no cenário nacional do futsal. Mostrou que em Portugal, seja em que área for, há jovens capacitados que se tiverem oportunidades e condições podem chegar longe. A forma insaciável como o Sporting ataca os adversários, se movimenta constantemente e pressiona, sem deixar jogar, são méritos de “O Confiante”.

Há quem prefira “ O Arrogante” mas não é o meu caso. Ser frontal, sincero e assumir a segurança que tem nos seus, apenas pode ser sinónimo de confiança. O Sporting só tem “um campeão europeu” e não chegou ao título por 3-0 como constaram os rivais, mas mostrou esta época ser, em termos estatísticos, a melhor equipa da história do futsal português. Se há coisa que não mente são os números, e esses não dão direito de resposta.

993510_10151452811246555_2059880768_nEm termos de futsal, em si, a conversa é outra. O estilo de jogo e os aspectos técnicos-tácticos que definem a identidade de uma equipa são sempre questões de gosto pessoal. Anteriormente presenciei formas de jogar muito agradáveis em Portugal, mas nunca tinha visto um futsal tão atractivo, ofensivo e agradável como aquele praticado pelo carrossel leonino. Esta forma de jogar potencia, acima de tudo, o colectivo. O estilo torna-se insaciável e ávido, não basta vencer, é preciso dar espectáculo, golear. Apesar do leque de belíssimos jogadores que compõem o plantel verde-e-branco, é difícil apontar a estrela maior. Cada elemento dentro das suas capacidades consegue ser determinante e sobressair na estratégia de Nuno Dias.

Há quem diga que o plantel sportinguista é muito superior ao encarnado ou que o campeonato foi desnivelado. Pura ilusão. O plantel do Benfica tem muito valor, sobretudo individual, talvez não tenha a ambição e a força de conjunto do eterno rival. A hora da renovação tarda. Que o campeonato foi desequilibrado é verdade. Mas porque o Sporting esmagou impiedosamente todos os oponentes que atravessaram o seu caminho. A qualidade leonina deixou os adversários a anos-luz. Concluir campeonatos medianos a ganhar o título nos play-offs, depois de fazer uma fase regular menos conseguida, já muitos lograram fazer. Em 2012/13 a diferença esteve na colossal subida de qualidade dos leões. Mesmo que estes dados não cheguem para convencer o treinador vice-campeão. Em quatro jogos perder três e empatar um (vencido nos penaltis) não chegou para convencer João Freitas Pinto, mas foi suficiente para Gonçalo Alves (muitas vezes criticado pelo excesso de agressividade) dar uma lição de fair play e mostrar ao grupo encarnado aquilo que um capitão deve ser.

1013921_10151452811571555_2021195307_nNeste quesito a lição não tem o Sporting como aluno. O mundo do desporto sabe que quando se pensa em capitão, o futsal leonino tem todos os valores que a braçadeira exige: carácter, raça, abnegação, voluntarismo, dedicação, liderança técnica, moral e, sobretudo, fervor sportinguista. O nome João Benedito é um retrato fiel dos valores e ideais sobre os quais cresceu o Sporting. As mãos do guardião leonino não defendem apenas os remates adversários. Dão estabilidade ao reino do leão e preservam a causa e o sentimento verde-e-branco. O regresso do mágico Divanei, a segurança de Caio Japa, as acelerações de Paulinho e Cary, a garra de Leitão, a classe e o poder de decisão de Alex tornaram a versão 2012/13 do futsal leonino numa máquina difícil de repetir. Elementos como Djô, Deo, Marcelinho, João Matos, Cristiano e os jovens Gonçalo Portugal, Miguel Ângelo e André Galvão foram fiéis e eficazes escudeiros de uma geração que engrandeceu o futsal português.

São jogadas como o sensacional corte de Divanei em cima da linha, no jogo decisivo, que dignificam a modalidade. Este título é uma vitória do futsal total contra o anti-jogo, as picardias, as intimidações, agressões e a falta de critério de quem regulamenta o futsal. A vergonha do ano passado teve nestas finais novos reflexos que desta vez, felizmente, não conseguiram derrubar a melhor equipa.

935913_10151682890588890_1345395884_nLances como o ippon que César Paulo aplicou a Caio Japa ou a agressão de Diece a Pedro Cary, não podem passar impunes numa modalidade que pretende crescer e ter prestígio em Portugal. Se o rumo se mantiver, o futsal encontrará o caminho do futebol onde há campos, em especial a Norte, em que tudo é permitido aos da casa agredindo e intimidando adversários e agentes desportivos sem qualquer sanção punitiva. Vencer a tudo custo não é o que se pretende. O futebol de salão está a crescer a olhos vistos. Momentos como o título europeu do Benfica, as prestações internacionais da selecção nacional e o domínio interno do Sporting exaltam a modalidade.

A avassaladora temporada do Sporting representa um marco para os apoiantes do emblema de Alvalade, mas também para todos os que têm desportivismo e apreciam um futsal de qualidade. A história é escrita pelos vencedores. Neste caso ainda bem. Afinal bem merecem.

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Bruno GomesSONY DSC

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