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Terminou há precisamente uma semana o Campeonato Europeu de Sub-21, contenda que fez da Espanha bi-campeã neste escalão. A competição já vai ficando conhecida pelos talentos que viu ‘nascer’ e este ano não faltaram craques em solo israelita.

A competição confirmou uma Espanha fortíssima na formação. Mostrou uma nova geração italiana cínica e resultadista, apesar da qualidade de alguns dos seus intervenientes. Serviu de apresentação a uma nova geração de qualidade norueguesa que, se tudo correr dentro da normalidade, voltará a marcar presença nas grandes competições seniores muito em breve. Voltou a evidenciar que em Inglaterra faz falta um trabalho mais criterioso na formação. E deixou a nota negativa para a Alemanha, que apresentou uma equipa de segunda linha, deixando de fora nomes como Götze (sim, está lesionado, mas não estaria na competição de qualquer forma), Kroos, Gundogan, ter Stegen, Trapp ou Leitner.

Terminada a competição, é tempo de fazer o rescaldo. Aqui vos deixo, de forma resumida, o onze que mais me convenceu na competição:

David De Gea (ESP): À partida para este Europeu, era o nome na baliza com mais reputação. E não defraudou as expectativas, ao contrário, por exemplo, de Bernd Leno (ALE), outro nome sonante cujas exibições deixaram muito a desejar. O guardião do Manchester United tem crescido muito em terras inglesas e apesar da compacta equipa espanhola não ter permitido muitos ataques perigosos aos adversários, De Gea esteve sempre lá quando foi chamado a intervir. Um guarda-redes de classe mostra-o quando faz dez defesas muito boas num jogo mas sobretudo quando faz uma enorme, a frio, na única vez que a equipa adversária consegue um contra-ataque bem sucedido. A sua Espanha chegou à final sem qualquer golo sofrido!

Donati (ITA): O lateral italiano foi uma das agradáveis surpresas do evento. Admito que o espanhol Martin Montoya possa chegar mais longe na carreira mas foi Donati quem mais deu nas vistas neste Europeu. Baixinho, compensa a falta de estampa física com a raça e a matreirice habituais dos transalpinos e gosta muito de participar nas tarefas ofensivas da equipa. A excelente prestação no Europeu valeu-lhe a transferência para o Bayer Leverkusen, onde curiosamente terá a difícil tarefa de substituir um outro participante desta competição – o espanhol Dani Carvajal, que foi suplente na maioria dos jogos.


Bartra (ESP): Com as exibições que fez neste Europeu, torna-se difícil perceber tamanha insistência do Barcelona na aquisição de um defesa central e mais ainda as adaptações de Song ou Adriano durante a temporada que agora terminou. A justificação poderá ter a ver com o facto de Bartra ter características muito semelhantes às de Piqué, nomeadamente alguma falta de velocidade. Mas só com esta comparação com Piqué, acabei de fazer um grande elogio ao jovem central. Neste Europeu fez excelente dupla de centrais com o basco Iñigo Martinez, sendo um dos grandes responsáveis pela excelente performance defensiva da rojita. Gosta também de sair a jogar, muitas vezes sendo ele próprio a transportar a bola, mais uma imagem de marca de Piqué.

Stefan Strandberg (NOR): A Noruega justificou a presença neste Europeu e a vitória contra a França no play-off de apuramento. Parece risonho o futuro do futebol norueguês. Elabdellaoui, Singh, Henriksen, Eikrem, King ou Pedersen merecem nota nesta análise, mas o capitão Strandberg é o único com espaço neste onze (apesar da forte concorrência de Iñigo Martínez e de Caldirola). Possante, como não poderia deixar de ser, Strandberg passou a imagem de um central sereno e dominador, um capitão nato. A sua envergadura física e o forte jogo aéreo fazem dele uma importante mais valia a defender, mas também a atacar. Parece pronto para dar o salto e sair do Rosenborg.

Daley Blind (HOL): Filho de peixe sabe nadar. A titularidade no Ajax não se justifica com o nome. Daley tem qualidade, como teve o seu pai. Neste Europeu teve menos liberdade para atacar do que a que costuma ter no clube de Amesterdão, mostrando que para além de bom lateral esquerdo, também sabe ser um bom defesa. A presença neste onze de gala também se justifica pela aparente falta de qualidade dos demais laterais esquerdos da competição. O espanhol Alberto Moreno fez uma prova agradável, mas parece ainda estar um patamar abaixo de Blind.

Illarramendi (ESP): A excelente temporada da Real Sociedad na Liga Espanhola teve no médio Asier Illarramendi e no central Iñigo Martínez peças fundamentais. E neste Europeu, a Espanha tirou benefícios da qualidade de ambos. Illarramendi não é propriamente um médio defensivo, falta-lhe alguma habilidade, apesar de saber o que fazer com a bola em situações de aperto ou quando tem que ser o primeiro a construir. É mais um trinco, um jogador que permite que o restante meio campo tenha liberdade e criatividade. Numa primeira fase da competição, ainda sem Koke, varreu o meio campo defensivo trabalhando por dois (apesar da ajuda preciosa de Thiago). Já com Koke aproveitou determinados momentos para se aventurar em terrenos mais avançados e não se deu mal. Fica na retina também o seu bom remate de meia distância.

Thiago (ESP): Pode-se dizer que Thiago é o Xavi da rojita e que Isco é o Iniesta. Um exagero, claro está, face à diferença de qualidade (e, sobretudo, de regularidade) entre os mencionados, mas compreensível quando temos em conta o papel de cada um no seu enquadramento e a diferença de qualidade para os demais. Reduzir a prestação de Thiago neste Europeu ao jogo da final é absurdo. Foi sempre nele, no bi-campeão europeu de sub-21, que começaram as jogadas de ataque espanholas. É o pivô da equipa, fazendo jogar todos os demais. Na primeira fase da competição, inserido numa Espanha mais atacante, jogou muito perto de Illarramendi, pegando na bola em espaços muito recuados e construindo a partir daí. Na rojita que se apresentou a partir das meias-finais, já com Koke, Thiago passou a ser o elemento mais ofensivo do meio-campo, tendo mais liberdade para jogar (e não só fazer jogar) e para chegar ao último terço. Na final, marcou três e poderia ter marcado quatro se, num gesto que lhe ficou muito bem, não tivesse permitido que Isco lhe passasse temporariamente à frente na hierarquia dos marcadores de grandes penalidades.

Isco (ESP): Foi o craque do Europeu, o jogador que mais brilhou em terras israelitas, apesar da excelente exibição final de Thiago ter desviado o prémio de melhor jogador da competição (injustamente, na minha opinião). Nesta competição, jogou em posições diferentes mas sempre com a mesma qualidade. Na Espanha da fase de grupos, Isco foi sobretudo o número 10, com Muniain e Tello nas alas, e Rodrigo na frente (apesar das constantes trocas de posição por vezes darem a entender que era Muniain quem jogava nas costas de Rodrigo). A partir das meias finais, a Espanha reforçou o meio-campo com Koke, com Isco a passar a jogar mais sobre uma linha (saindo Muniain da equipa), mas o ainda jogador do Málaga continuou perigoso, continuou a jogar e a fazer jogar e continuou a marcar, sempre letal quando partia da linha para zonas mais centrais. A sua transferência para o Real Madrid parece eminente. Esperemos que quem venha a assumir o comando técnico dos merengues não enterre Isco no banco.

Florenzi (ITA): No primeiro jogo deste Europeu, parecia óbvio que a estrela italiana da competição seria o napolitano Insigne. Porém, uma lesão ao segundo jogo retirou-o do jogo seguinte e fê-lo perder confiança. Foi aí que apareceu Florenzi, assumindo o papel de estrela da companhia. Quer na zona central, onde se sente mais confortável, quer descaído sobre a direita, o jogador que esta temporada assumiu papel de relevo na AS Roma carregou a Itália às costas em muitos momentos, desdobrando-se em tarefas ofensivas e defensivas. Pode não ter o talento e a técnica dos restantes elementos deste ataque estrelar que aqui fiz, mas jogadores como ele fazem falta em qualquer equipa.

Wijnaldum (HOL): Tanto o meio campo como o ataque holandês prometiam muito para este Europeu, ambos recheados de nomes sonantes. Mas no meio de algumas desilusões e de outras prestações apenas medianas, somente Wijnaldum e Maher corresponderam às elevadas expectativas (o último não coube neste onze). Wijnaldum foi sempre o elemento mais perigoso do ataque. Jogando sobre uma linha, partia para cima do lateral ganhando grande parte dos duelos no um para um. Será dos próximos holandeses a dar o salto para uma liga mais importante.

Morata (ESP): Caso estranho, o deste avançado formado na cantera do Real Madrid. Com pouquíssimo espaço nos merengues, sendo que quando jogou fê-lo na maioria das vezes sobre a esquerda do ataque, Morata parecia ser a eterna segunda opção para a rojita neste Europeu. Mas os golos trataram de alterar esse estatuto. Na fase de grupos, marcou duas vezes saindo do banco, dando vitórias tangenciais contra Rússia e Alemanha, voltando a facturar no 3-0 contra a Holanda, aqui já como titular. Para surpresa de alguns, voltou a perder o lugar no onze para Rodrigo nas meias finais mas quando entrou… marcou. Na final teve o prémio merecido da titularidade e apesar de não ter marcado foi muito importante, nomeadamente no desbloquear do jogo quando assistiu Thiago para o momentâneo 1-0. Não foi o craque do Europeu mas foi sem dúvida o elemento mais decisivo. E também o melhor marcador.

O Craque: Isco

A Desilusão: Toda a selecção alemã, com responsabilidade dos responsáveis da federação que optaram por não levar os craques desta geração, desvalorizando uma competição importante e retirando a esses jogadores a oportunidade de lutar pelo título.

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One thought on “Euro Sub-21: Os destaques

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