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Um partido social democrata que combate a democracia, um partido popular que luta contra os benefícios sociais do povo, um partido socialista cada vez mais interessado em açambarcar o capital, um partido comunista no sentido literal da palavra, preso às antiquadas ideologias do passado,  e um partido intelectualmente posicionado à esquerda mas sem talento ou aparente interesse para a governação.

O sistema político português, profundamente travestido nos termos e designações que deram corpo aos principais movimentos  e organizações que o sustentam, está descaracterizado. Os partidos perderam os rostos, as referências e os valores propensos à militância. A capacidade de mobilização, que se vai esvaindo a cada dia que passa, já não nasce dos sorrisos amarelos nem do carisma dos grandes actores políticos que hoje comandam o mundo. E as promessas vãs e contos do vigário não são mais a canção de embalar que em tempos  foram.

A crise mata, esfola, fulmina e destrói. Mas revolta. E a revolta, por mais irascível que possa ser, desperta.  Um pouco por todo o Mundo, no Egipto ou na Turquia, na Líbia ou no Brasil, a consciência da impunidade e da vergonha vai atravessando gerações e classes sociais. Ricos e velhos, pobres e ricos, intelectuais e analfabetos. O capitalismo que tanto alimentou, e através do qual tantos comeram, fechou as torneiras, e os alertas dos que antes eram catalogados de hippies,  são hoje os gritos de guerra de todos os que passam fome ou que para lá caminham.

Não é preciso que se faça um desenho para perceber a insatisfação e falta de empatia das pessoas com os partidos políticos. Hoje, é indiferente se são laranjas, azuis ou verdes. É indiferente se os seus líderes nasceram num berço de ouro ou “subiram a pulso” na vida. É indiferente que se prometa que amanhã se vão baixar os impostos ou se vão criar 150 mil novos postos de trabalho. É indiferente que se defenda o casamento homossexual ou se seja contra a interrupção voluntária da gravidez. É indiferente que se assumam de esquerda ou de direita. Nada disso tem hoje valor, porque a descredibilização do sistema político é tal que os princípios éticos e morais que antes eram determinantes nas corridas eleitorais hoje já pouca diferença fazem.

Se nem a forma e já nem sequer o conteúdo mobilizam, o que é preciso, afinal, para que as pessoas voltem a confiar nos partidos? Em Portugal, começar por uma limpeza geral seria um bom princípio. É que a reforma do Estado e da economia não é nenhuma reforma se os que a defendem de forma tão veemente, mas que são responsáveis por esta situação de ruptura, continuarem a reinar. Os que se apoderaram do dinheiro do estado, os que legislaram para defender os seus próprios interesses e os que não conseguiram tornar o país competitivo não podem encetar nenhuma mudança credível nem reivindicar por qualquer reforma que seja. É preciso correr com eles, é preciso desviá-los do centro da democracia.

No outro dia o Eurodeputado Rui Tavares defendia a criação de um novo partido de esquerda que respondesse à inoperância de Bloco e PCP. “É preciso encontrar a melhor ferramenta para que a sociedade portuguesa faça mexer as placas tectónicas da nossa política. Se essa forma for um partido, não devemos ter vergonha disso”, dizia.

Aparte do reconhecimento do problema, fica por dar a solução. Porque por tudo o demais acima referido, e muito mais, parece claro que a decadência do sistema político, tanto em Portugal como no resto do mundo, não é um problema de partidos, de ideologias ou de orientações. É um problema de rostos, de pessoas, de confiança e de verdade. É um problema do sistema, que foi e está feito para servir os que hoje ocupam precisamente este círculo político, na esquerda, no centro e na direita.

É por isso que o acordar das mentes pode ser um sinal da mudança que se exige. Ao mesmo tempo que o habitual aproveitamento dos movimentos extremistas das situações de crise pode ameaçar e pôr em risco as Democracias mundiais, como acontece na Grécia, há uma aurora revolucionária que vai dando sinais da sua força de forma progressiva. E que não pode ser mais ameaçadora do que o sistema económico em que vivemos.

Em Portugal, apesar da descrença, vai persistindo a escuridão e o silêncio do sofrimento. Dos que não têm dinheiro, dos que não comem, dos que escondem a privação e a miséria a que chegaram as suas vidas. Dos que se atolam em dívidas mas não falam, dos que caminham cabisbaixos nas ruas e no metro, dos que perguntam o preço antes de abrir a carteira. É singular, duvidosa e vai espantando toda a Europa esta quietude. Mas deste silêncio também se fará luz, porque o aparente sossego dos portugueses será estridente quando a paciência rebentar. E o que virá depois? Como será a política daqui a 20, 30 anos? Outra receita, outros ingredientes. Porque a farinha desse saco, está visto, está mais do que podre.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

 

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