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FUTEBOL - Nolito durante o jogo da 3 Jornada da Taca da Liga do Grupo

O tesouro dos clubes constrói-se pelos seus jogadores. Para além da imagem do líder, do peso da massa associativa, da valência da sua Marca ou das infra-estruturas patrimoniais. Nenhum clube é tão rico, quanto o que colecciona bons profissionais, carregados de bom nome e valor no mercado, mas também capazes de assegurar o fundamental: o bom futebol, com a camisola do emblema. Se esta colecção tem um maior valor quantitativo, que qualitativo, essa é outra história.

E essa poderia ser a história do Benfica neste defeso. A lista foi reunida, com a capacidade paciente de um profissional, que juntou os activos do Benfica neste início de época. Seriam 103 mais Lisandro López. Ficaram 103 com a saída de Nolito. São mais que os Dálmatas, salvos da Cruella de Vil, e numa primeira análise parece-me um plantel demasiado grande. O ideal seria menos e melhor, mas penso que há factos ilusórios nesta sequência, que retiram o verdadeiro sensacionalismo que motivou a sua elaboração.

O primeiro erro que encontro na lista publicada em “A Bola” está na data da sua publicação. Sabemos que o Benfica motiva a venda de jornais, num mercado em crise, mas elaborar uma lista de jogadores em contrato com a entidade encarnada em Junho, não será certamente tão fiável como elabora-la em Setembro, depois que defina a próxima época, orientados novos empréstimos, seleccionados novas promessas da equipa B. Porque ao contrário do que se passou na Lista de Schindler, nem todos serão salvos por mais uma época na Luz. O que me leva ao próximo erro.

Mais de um terço dos jogadores que integram esta lista, estão encaixados na equipa B, por contratação, porque subiram de escalão, porque ainda não rumaram ao plantel principal ou a outros clubes, a título de venda ou empréstimo. Portanto, que daqui já se retire, que é um erro fazer uma lista do Benfica e não de cada escalão do Benfica. Todos sabemos que a generalização desvia a eficácia do pormenor, na nossa capacidade de análise. Quando focada apenas na lista de profissionais da equipa B, consigo, primeiro, um olhar mais atento sobre o que podem ser futuras promessas do plantel principal do Sport Lisboa e Benfica e, depois, surpreender-me com o facto de, em 38 jogadores, a equipa B reunir 9 avançados e 5 guarda-redes.

Não bastasse as quase quatro dezenas de atletas da equipa B, consequência natural da reintegração das equipas secundárias de clubes na época passada, e deparamo-nos com uma lista de 24 jogadores, que em 2012/2013 estiveram emprestados a outros emblemas. Ora, este quarto de jogadores da lista contribui, consideravelmente, para mais um erro. Há, na minha opinião, empréstimos discutíveis, como o de Nélson Oliveira, ao Deportivo da Corunha, que contribui para a desvalorização de um jogador, que em 2011/2012 se começava a afirmar no plantel encarnado. Mais me custa, quando os empréstimos não parecem ter uma mais-valia para o Benfica, nem são consumados com clubes com quem tenhamos uma relação tradicional, a manter ou a justificar. Contudo, é importante que se saliente a actividade de empréstimo de activos entre os clubes, de forma a gerir planteis extensos, jogadores com dificuldades de adaptação ou mesmo com o intuito de os valorizar em campeonatos externos. E esta troca de recursos tem de ser vista num outro plano, porque os contratos assim o obrigam. Que se tome como exemplo, o uruguaio Mora, chegado à Luz a custo zero, mas cujos rendimentos do empréstimo ao River Plate, já se fizeram sentir. E que poderão ser alargados, com uma possível venda ao clube argentino.

lista de jogadoresExiste ainda uma pequena lista, do tamanho de um plantel, que integra os onze jogadores jovens que detém um contrato profissional com o Benfica. Mais um erro. A aposta em jovens, segurados por um contrato de ligação ao clube, é, na sua generalidade, algo que traz tantas vantagens como a aposta na formação. Significa que, mais do que gerir um plantel profissional, há uma preocupação em atrair activos frescos e prende-los com cláusulas contratuais. Quer seja pela via de vestir, no plano futuro, o emblema da águia, quer pela via de uma venda, esta é já uma prática tradicional no futebol. E é mais uma falácia para o peso da lista.

Só depois de demarcadas todas estas nuances do trabalho, meramente gráfico, de “A Bola”, poderíamos dedicar-nos ao importante. Quais as apostas para o plantel principal do Benfica? Quais as falências tácticas que algumas posições nos condicionam? Quem tem hipótese de integrar o plantel principal da Luz? Quem faremos retornar dos empréstimos da época transacta? É a saída de Cardozo tão fundamental para a paz da equipa técnica encarnada? Conseguiremos encontrar o defesa-esquerdo que tanto nos faz ansiar?

Estas são as questões fundamentais que um adepto quer ver respondidas, com um trabalho de análise e rigor, bem longe dos dotes estatísticos e gráficos demonstrados com a dita lista. Notícia bem mais relevante, na semana passada, foi protagonizada por apenas um jogador. E não por 104. A venda de Nolito, que custou zero, niente, nicles, trouxe o lucro de um trio de milhões para os cofres encarnados. E vendas como estas não são golpes de sorte.

Vendas como as de Nolito ao Celta de Vigo começam a ser uma tendência encarnada e são resultado da estratégia e gestão que é feita no clube, desde a chegada à presidência de Luís Filipe Vieira. Quando assumiu as suas funções, o presidente prometeu livrar-se dos jogadores que ali se encontravam “empatados”, que representavam o “lixo” em campo e fora dele. E livrou-se. E com isso terminaram as épocas de contratações desenfreadas. Terminaram as épocas em que recolhíamos Fernando Aguiar, Emílio Peixe, George Jardel, Cabral e afins. E como eu me recordo dessas pré-épocas cheias e dos planteis vazios que se arrastavam desorientados por uma época.

Não foi encontrada uma fórmula mágica. As contratações não são sempre as tacticamente necessárias. Existe um excesso de jogadores para a mesma posição e uma falência de atletas capazes de ocupar outras. Temos, a título de exemplo, e a figurar na famosa lista, apenas Maxi Pereira como lateral-direito e, simultaneamente, dispomos de 6 centrais no plantel principal, mais Lisandro Lopez. E há, pois, que despachar o guarda-redes brasileiro Júlio César e o seu compatriota Michel, o par de jogadores que não registou actividade na época passada. Isto sim, soa-me a desperdício de recursos.

Contudo, constatar que dispúnhamos de 104 jogadores, no início da semana, não significa, de todo, que estejamos a voltar ao pesadelo das épocas passadas. E pensar isso é errado, tanto quanto fazer manchetes como “Benfica tem jogadores para quatro plantéis”. Que se vendam jogadores e que se vendam jornais. Mas com profissionalismo, por favor.

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Mara desenhoMara Guerra

* Autora do «Visão Curta» e colaboradora do «Palavras ao Poste».

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