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brumaBruma é nome de craque. Craque é sinónimo de mediatismo, e mediatismo gera dinheiro. O dinheiro comanda a vida e nem o calor que se tem sentido em Lisboa acalma esta lei suprema, capaz de gerar especulações sem fim em jornais e de motivar comentários infelizes de personagens até então desconhecidas. O contrato de Bruma com o Sporting está a terminar, os leões hesitam em avançar para a renovação, clubes interessados, empresários e até advogados juntam-se ao bailado e o circo está montado. ‘Brumaníacos’ e brincalhões, que palhaçada que para aqui vai.

Está ainda fresco na memória de todos nós o hilariante episódio da renovação de Adrien Silva. Faltava menos de um ano para o término do vínculo contratual do médio com o Sporting e não se falava de outra coisa. Os jornais colocavam-no na rota do Benfica e do Porto (houvesse mais clubes grandes neste campeonato e eles também apareceriam na lista), até que Jim Michel-Gabriel, auto-intitulado “representante” de Adrien, vem dizer à comunicação social que o jogador português não queria renovar. Surpresa das surpresas, o loirinho de passo pachorrento renovou mesmo por quatro épocas e viu a sua conta bancária recheada de gordos euros, o que permitiu que a birra cessasse e o seu ilustre advogado seguisse para casa calado e pela sombra.

Cerca de um ano mais tarde o episódio repete-se, agora com actores diferentes. Adrien cedeu o protagonismo a Bruma, e Michel-Gabriel deu o lugar a um senhor chamado Bebiano Gomes, e é neste ponto que a zaragata recomeça. Depois de Pini Zahavi ter perdido (pelo menos aparentemente) o braço de ferro com Bruno de Carvalho, a figura de Bebiano Gomes surgiu em cena e logo com um drible tão explosivo como aquele que caracteriza o jogador que diz representar: “O Sporting anda a brincar com o fogo”. As palavras deixaram-me estupefacto, já que como sportinguista atento que sou desconhecia que o meu clube andava agora envolvido em actividades circenses tão arriscadas. Pensei que talvez pudesse ser uma inovadora modalidade inaugurada com o intuito de promover o tão falado ecletismo, mas a aparência duvidosa do interlocutor deixou-me na dúvida. Só depois percebi que não era esse o caso; tratava-se antes de uma provocação em tom de ameaça, proferida por um advogado relativamente a um clube de futebol designado, como não poderia deixar de ser, Sporting Clube de Portugal.

Bruno de Carvalho avisou desde cedo que queria acabar com a hegemonia de poder dos empresários no clube de Alvalade, para bem da defesa do emblema verde e branco. A estratégia parecia ter funcionado, mas o estonteante talento de Bruma veio contrariar as pretensões do recém-empossado Presidente do Sporting. A mais recente pérola da Academia tem tiques de quem pode voar tão alto como Cristiano Ronaldo e a gestão danosa de Godinho Lopes deixou a faca e o queijo nas mãos do atleta ou, neste caso, de quem o anda a (des)acompanhar. Um advogado não é um empresário e um único contrato de trabalho não pode para uma das partes acabar daqui a um ano e para a outra daqui a uns dias, da mesma forma que a comunicação social não deve ser transformada  num autêntico pombo-correio que faz chegar às entidades patronais recados ameaçadores oriundos de representantes de jogadores. Bruma sabe (e Bebiano Gomes também o deveria saber) que possui valor para alcançar o estrelato em qualquer clube do mundo e tem a consciência de que se o Sporting não fizer o esforço necessário para renovar poderá prosseguir a sua carreira sem problemas na medida em que ofertas com certeza não lhe faltam. Nesta disputa de poder, o Sporting é o único interveniente que tem muito a perder. Então para quê tanto espectáculo?

O espectáculo existe porque faz vender papel, os jornais gostam desta conversa e com tanta gente sedenta de protagonismo acaba por se juntar a fome à vontade de comer. Bruma não tem essa necessidade e tem-se mantido discreto, já que seu valor reluz dentro de campo e não fora dele. Permanecer no Sporting talvez fosse a melhor opção para a progressão da sua carreira, mas o Sporting precisa de impor uma posição de força no que toca a estas questões de forma a servir de exemplo e evitar situações semelhantes no futuro, restando apenas saber que peso poderá ter esta posição face à iminente possibilidade de perder o extremo luso-guineense. No meio deste imbróglio, sobra para Bebiano Gomes o papel do bobo da corte, aquela personagem sempre tão presente nestas ocasiões e que nunca perde a oportunidade para mandar mais uma piada para a fogueira. Com tão pouca descrição e tamanhos malabarismos premeditados, o cabaret reabriu as portas e a brincadeira não tem fim à vista. Sejam bem vindos ao futebol português.

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Diogo Taborda desenhoDiogo Taborda

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