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A Serie A que começará dentro de sensivelmente um mês e meio não deverá oferecer grandes novidades em relação às duas últimas edições que terminaram com o título de campeão em Turim. Num mercado com muito poucas mexidas e sem grande margem de manobra em termos económicos, o mais natural será que a equipa de Antonio Conte prolongue o seu domínio na competição por pelo menos mais um ano.

Depois do campeonato invicto de 2011-12, a vechia signora procurava revalidar o título e tentar uma surpresa na Liga dos Campeões. O primeiro objectivo foi alcançado sem grandes problemas mas o sonho europeu tornou-se inalcançável aos pés do poderio e superioridade do campeoníssimo Bayern de Munique. A marca dos quartos-de-final é por isso para ser superada na próxima estação, numa época em que a Juve vai procurar então estender a sua força além das fronteiras italianas.

tevez_juventus_ap.jpg_30A estrutura está montada e pouco deverá mudar . A mesma direcção de futebol, a mesma equipa técnica, o mesmo sistema táctico e praticamente os mesmos jogadores. A fidanzata d’Italia aposta na mesma receita de sucesso dos últimos anos que lhe permitiu construir uma equipa competitiva e de grande fulgor: às chamadas contratações cirúrgicas no mercado interno, e cujas aquisições definitivas são confirmadas agora depois de uma primeira temporada em regime de empréstimos (Peluso e Asamoah são mais dois exemplos), junta-se a agora finalmente a chegada das há tanto tempo desejadas estrelas ofensivas para o ataque bianconero. Depois de muitos sonhos e nomes impossíveis, a verdade é que chegam a Turim dois dos melhores avançados da actualidade do futebol europeu que prometem fazer a diferença e acrescentar  a veia goleadora e criatividade que faltava a esta equipa. Fernando Llorente e Carlos Tévez, candidatos óbvios à titularidade, complementam uma defesa compacta e de grande qualidade e um meio-campo fortíssimo dotado de robustez e forte capacidade física. No habitual 3-5-2 de Antonio Conte, bem equilibrado com a liderança de Buffon na baliza, Chiellini no sector mais recuado e Pirlo na zona intermediária,  era no ataque que faltava um elemento mais desequilibrador. E com as portas aparentemente fechadas do seu plantel, o que fica é de facto uma equipa a anos luz dos seus mais directos concorrentes em Itália e que na Europa, com jogadores como Arturo Vidal e Paul Pogba, pode conseguir algo mais.

cavaniMais para o sul do país encontramos provavelmente a segunda melhor equipa, pelo menos para já, do campeonato italiano. O Nápoles terminou a última prova em segundo lugar e conta com alguns dos melhores protagonistas da Serie A. Mas a saída de Walter Mazzari para o Inter e a chegada de Benítez abre um novo ciclo que nesta altura se traduz numa grande indefinição à volta do plantel da formação napolitana. Isto apesar da intransigência do polémico e mediático Aurelio De Laurentiis, presidente do clube, que mesmo assim não deverá conseguir  evitar a saída de Edinson Cavani, melhor marcador do campeonato com 29 golos. A verdade é que a presença na próxima edição da Champions garante a manutenção de uma base mínima de jogadores e a chegada de outros de qualidade. Para já destaca-se a contratação do promissor guarda-redes brasileiro Rafael, ex-Santos, e a especulação à volta de um possível interesse por Mário Gomez, campeão europeu pelo Bayern, precisamente para colmatar a vaga deixada por Cavani.

Voltando a norte chegamos àquela que foi a capital do futebol italiano durante oito épocas consecutivas, depois do escândalo de corrupção calciocaos que atirou a Juventus para Serie B e promoveu a ascensão do Inter ao topo do futebol europeu. Em Milão moram duas formações abaladas pelos êxitos do grande rival de Turim. O Milan continua órfão de alguns dos grandes craques da sua história que já pediram a reforma e sobretudo com um plantel profundamente assimétrico. Ao mesmo tempo, o Inter permanece no estado de depressão pós-Mourinho e com um leque de jogadores de muito baixa qualidade para a história e exigência do clube.

balotelli_esordio_milan1Seria exagerado dizer que os rossoneri se resumem a “Balotelli e mais dez”, mas olhando para o conjunto de jogadores que compõem o grupo de Massimiliano Allegri verificamos a falta de jogadores de excelência que a equipa de Berlusconi desde sempre se habituou a ter. A defesa é o sector mais preocupante e aquele que mais dores de cabeça dará ao treinador natural de Livorno. Se no eixo central  ainda há alguma matéria para “remediar”, o que por si só já não é bom, nas faixas laterais o cenário é negro e a inoperância/inaptidão de Abate ou De Sciglio deveria exigir uma incursão no mercado. No meio-campo existem soluções de qualidade como Ricardo Montolivo, Boateng (de saída?) e o japonês Honda, recentemente contratado ao CSKA de Moscovo, mas ainda assim denotam-se alguns problemas como a falta de um trinco com visão de jogo (incompreensível a dispensa de Pirlo, há dois anos ) e um box-to-box de outro nível que se possa equiparar ao portentoso Arturo Vidal, por exemplo. No ataque faltam alternativas a Super Mario, ainda mais depois do inexplicável apagão de El Shaarawy  e da sua entrada directa no mercado. Mesmo assim, no seu conjunto, a equipa do AC Milan continua a oferecer uma dose generosa de competitividade e poderá ainda oferecer algumas surpresas em termos de contratações de última hora, como é, de resto, seu apanágio. A estrutura do futebol mantém-se e isso poderá também ser uma vantagem na luta directa com o rival da cidade.

Walter MazzarriNo Inter a palavra de ordem é renovação. A época de 2012-13 foi para esquecer e o 9.º lugar conseguido por Andrea Stramaccioni não permite sequer a ida à Liga Europa. Assim, Walter Mazzarri, novo técnico dos nerazzurri, procurará centrar todas as atenções no campeonato e repetir o sucesso alcançado ao serviço do Nápoles. Para tal leva consigo alguns dos seus ex-jogadores como o defesa Hugo Campagnaro, já garantido, e Marek Hamsik, que tentará até à última resgatar para o Giuseppe Meazza. Contratado está também o ex-Chievo Marco Andreolli, que se junta a Walter Samuel e preenche uma defesa competitiva em termos de defesas-centrais. Nas laterais a coisa também não é dramática e mesmo que fosse isso não seria problema para Mazzarri, que em Milão deverá voltar a apostar num esquema de três centrais. No meio-campo começam já alguns problemas que muito dificilmente o Inter conseguirá resolver já neste defeso. Cambiasso, Guarin, Javier Zanetti (deverá manter-se como médio nesta equipa) e Kovacic, para além do próprio Ricky Álvarez, são jogadores de qualidade indiscutível mas não têm competidores no plantel. Alguns deles, como Guarin e Álvarez, não têm sequer a sua continuidade garantida, pelo que as opções do antigo técnico do Nápoles são demasiado limitadas, nesta altura, para se dizer que a equipa pode aspirar ficar no pódio. E depois o ataque, sem qualquer nome de relevo. Diego Milito “morreu” com o abandono de Mourinho e em relação a Rochi pouco haverá a dizer. Sobra Rodrigo Palacio que apesar de tudo não é o 9 que a equipa precisa. Sem grandes nomes e euros para contratar, restará ao Inter apostar em alguns dos jovens talentos que fazem parte do seu plantel. Mauro Icardi, um dos avançados-revelação da última temporada, e Samuele Longo são dois jogadores a quem é apontado um futuro promissor e que podem ir chegando para as encomendas enquanto não chegam nomes de peso a Appiano Gentile.

Nos restantes lugares da classificação Fiorentina, Udinese e Lazio deverão lutar taco a taco pelos lugares de acesso à Liga Europa, sendo uma vez mais uma incógnita o que será desta vez capaz a Roma de fazer, agora treinada por Rudi Garcia.

A tendência das últimas duas, três épocas deverá por isso manter-se, não se esperando grandes surpresas na classificação final de 2013-14. Depois da boa prestação da selecção sub-21 italiana no Europeu deste ano, a esperança é que, com a pouca capacidade financeira das equipas italianas, estes jovens tenham finalmente a oportunidade de jogar.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

 

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One thought on “Serie A 2013-14: o prolongar de um ciclo

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