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Jorge Jesus parte para a quinta temporada à frente do SL Benfica e a margem de erro é (quase) nula. Por muitos banhos de multidão que leve na Suíça, a realidade dos primeiros jogos do Campeonato será apenas uma: aplaudido se ganhar; vaiado se perder. Fazer apreciações com base num jogo de pré-temporada (neste caso dois, separados por poucas horas) costuma ser desaconselhado, nomeadamente porque os processos estão a ser aperfeiçoados e porque muitos dos jogadores acabaram de chegar.

A razão estaria, portanto, do lado de JJ. Mas apenas se este não estivesse na Luz há tanto tempo. Os quatro golos sofridos em dois jogos (nem contra uma equipa semi-amadora se conseguiu deixar a baliza encarnada a zeros) são um mau indicador. Péssimo, se tivermos em consideração que os erros são exactamente os mesmos de outrora.

jorgejesuserros

No início da temporada passada, Jesus garantia que não cometeria os mesmos erros.

Admito que a chegada de Filip Djuricic à Luz e a mais que provável saída de Oscar Cardozo despertou em mim uma ingénua esperança de ver o Benfica a jogar de forma diferente. Depois da entrevista de JJ a Moniz – onde, no alto da sua sabedoria, considerou Djuricic uma espécie de Saviola e não de Aimar – e dos exemplos que foram os dois primeiros jogos da pré-temporada, já tirei o cavalinho da chuva. Será mais do mesmo, os mesmos erros, os mesmos ‘azares’.

Não raras as vezes se limitam os problemas defensivos do Benfica à mera análise individual dos intervenientes do plano defensivo. O Benfica não defende bem porque, segundo muitos, tem maus defesas. Mas o processo de resolução dos problemas defensivos não se pode limitar aos nomes da ficha de jogo (não descurando, como é óbvio, a importância de ter actores de qualidade para essas posições). O Benfica defende mal, essencialmente, porque tem uma estratégia suicida, numa táctica que está muito perto de ser um 4-1-1-4 (quanto muito, com alguma boa-vontade, posso admitir que seja um 4-2-4, mas nunca um 4-4-2). Não há Matic que resista no meio campo. E nem Coentrão resolveria o problema da lateral esquerda.

Um meio campo a três era meio caminho andado para se resolver boa parte dos problemas defensivos e das dificuldades em gerir os momentos do jogo. Djuricic parece reunir todas as características essenciais para ocupar a posição mais ofensiva do tridente do meio campo e Lima sente-se bem sozinho na frente (ao contrário de Cardozo, argumento ao qual JJ sempre se agarrou para justificar a aposta em dois avançados). Mas o que vimos nos dois jogos do fim de semana foi Djuricic ao lado de Lima, o tal Saviola de Jorge Jesus. Por muito mal que defenda um jogador, contribui muito mais para o processo defensivo da equipa jogando a 10 do que a avançado. Já para não falar que uma das principais características de Djuricic, a sua facilidade de progressão com bola dominada, se perde ao jogar tão perto da zona de finalização.

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Imagem 1, Benfica-Bordéus

E é assim que o problema de um meio-campo composto por dois jogadores de inegável qualidade (Matic e Enzo) se torna no grande problema da equipa. Juntam-se a laterais super-ofensivos e a extremos que gostam pouco de participar em tarefas defensivas. Quantas vezes já viu o Benfica de Jorge Jesus com sete e oito jogadores nas imediações da área contrária? Incontáveis, certamente. E o que acontece quando se perde a bola numa situação destas? A resposta está num momento único da primeira parte do jogo amigável contra o Bordéus (ver imagens 1 e 2, ao lado).

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Imagem 2, Benfica-Bordéus

Canto curto (continuamos a insistir nesta jogada, mesmo sem resultados práticos), perda de bola e contra-ataque de seis jogadores do Bordéus para dois defensores do Benfica. Seis para dois, leu bem! Valeu a inoperância ofensiva dos franceses e a boa leitura de Cortez.

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Imagem 3, Benfica-Porto

Vejamos então, para não parecer que estou a aproveitar-me de um momento menos conseguido de uma pré-temporada, como estava posicionada a equipa do Benfica aquando do golo de Kelvin no jogo da temporada passada do Dragão. A imagem que aqui vos deixo diz respeito ao exacto momento do remate de Kelvin, 5 segundos depois da perda de bola por parte do Benfica no meio campo do FC Porto. Mostra quatro jogadores portistas a entrarem na área, face a somente três defesas do Benfica. Isto numa jogada aos 92 minutos, quando o Benfica estava a um minuto de agarrar o título de Campeão. O posicionamento do Benfica (desposocionamento, neste caso) até acabou por passar despercebido porque Kelvin optou pelo remate e não pelo cruzamento. Mas o FC Porto tinha seis jogadores na jogada (cinco, mais um sexto que ficará à entrada da área para um possível ressalto), enquanto que o Benfica tinha… quatro (os dois que estão à esquerda de Kelvin não entram nas contas porque estão completamente fora da jogada).

São várias as jogadas que me recordo de situações idênticas às atrás mencionadas, mas torna-se difícil encontrar imagens que o provem. Não preciso delas, a memória continua a funcionar bem. Tão bem que não me deixa estar optimista para esta temporada, por muita ilusão que me crie a qualidade de grande parte dos novos intervenientes. O problema táctico é só mais um que se junta ao leque de teimosias de JJ. Burro velho não aprende línguas. Pior ainda se for burro, velho e loiro.

benficaguimaraesPS: Já depois de escrito e publicado este artigo, encontrei nova imagem esclarecedora. Final da Taça de Portugal da temporada passada. Vale a pena contar jogadores?

 

 

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joni_desenhoJoni Francisco

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4 thoughts on “Nova época, os mesmos erros

  1. Nesse momento ,julgo eu ainda é prematuro tirar ilacoes qualquer que seja,são jogos da pre-época,apesar é com esses jogos que começa a definir o modelo de jogo,razão pela qual,só farei criticas depois de começar jogos a sérios ,até lá serei apenas um adepto bem atento com a minha equipa,porque o BENFICA esta em cima de tudo e todos.nunca deixarei de apoiar o GLORIOSO,fosse o que fosse.vamos deixar o homem trabalhar a vontade ,apesar a margem de erros é quase nula.VIVA BENFICA FOREVER
    Respeito qualquer opinião que seja,ate porque as pessoas são livres de darem suas opiniões.mas vamos manter calmos ,é frustrante durante 3 anos sem ganhar nada.obrigado e um abraço BENFIQUISTA

  2. A questão aqui é estrutural e consequentemente perigosíssima para o Benfica. O Porto gasta muito em alguns jogadores, um central, um médio, um extremo, um avançado. Tudo investimentos de 8 M para cima, que permite o encaixe quase automático desses jogadores num sistema há muito bem oleado ( quem for um dia parar ao Porto e não perceber nada de bola, basta jogar no 4-5-1). O problema prende-se em alternativas que nunca surgem, e são quase sempre, resgatadas de jogadores que estiveram emprestados ou jogadores do campeonato Português.

    O Benfica tem uma equipa á imagem do treinador. Muitos e bons ( e caros) jogadores na frente, que permite uma rotação de jogadores sem perder qualidade ( ter Cardozo e Lima na mesma equipa provava isso). O problema é obviamente uma defesa limitada e sem alternativas. A sair Garay, o substituto será Lisandro, Steven será um bom suplente mas duvido que seja mais do que isso. As alas permanecem na mesma, maxi all the way ( enquanto não é expulso até é uma boa solução para todos os jogos) e o lado esquerdo desabitado. Cortez não tem a qualidade que supostamente alguns teriam e não vingaram ( Capdevila e emerson) e Melgarejo, os jornais que não me gozem, 20 ou 30 M para o Bayern o caraças!

    O benfica corre o risco de na próxima época, a não ganhar nada ( vale tanto perder aos 92 como não participar, peço desculpa), irá ser obrigado a revolucionar o plantel. Jesus sai como é obvio, mas também sai o seu projeto. E como apostar numa nova equipa? É que formação em Portugal é Alcochete, e a bolha, a continuar assim, com compras de 30 e 40 milhões todos os anos, irá explodir, e infelizmente ninguém no benfica parece querer admitir. Comprar Markovics por 10 M mais os irmãos, é um investimento sempre agressivo e de risco. E não venham com os números de receitas que JJ proporcionou. Ramirez veio através de um fundo, Witsel não sei, mas terá sido igual ( pelo menos também só cá ficou um ano) e as receitas não caem 100% no Benfica, é que nem sonhem!

    Sporting está num deserto, e vê na academia o seu oásis, e o Benfica? Se este ano não ganhar nada, qual vai ser o seu oásis? Reformular equipas de ano para ano gastando 30 M parece fácil, mas quando o dinheiro acabar, em 100 jogadores, duvido que a resposta resida neles.

    Mais uma vez parabéns pelo trabalho que têm vindo a realizar.

  3. Vai ver melhor os jogos… Até podes vir a ter razão mas nunca vi o tal 2.º avançado que falas tão recuado como agora o Djuricic… Recua, recebe a bola e constrói jogo de frente para a baliza adversária. Com Saviola ele baixava somente para tabelar com Aimar ou então descaía para uma das alas… Mas ainda só foram dois jogos e espero efectivamente que se introduza o 4x2x3x1 definitivamente…

  4. Obrigado pelo excelente artigo Joni, mais uma vez partilho da tua opinião. Quanto a mim acho que há um erro estratégico da parte do Benfica que até o próprio Jesus já confirmou, ele não é treinador de um projecto com continuidade mas sim um treinador para pegar numa equipa já feita e tirar o maior proveito dela. Com todo o investimento que foi feito a nível de estrutura para o futebol do Benfica é contraditório um treinador do estilo de Jesus. Não lhe quero tirar valor e reconheço nele um treinador com uma cultura táctica muito vasta, o verdadeiro mestre da táctica no sentido em que explora ao máximo cada posição do campo. No entanto, eu pessoalmente e isto é apenas uma opinião, não gosto do estilo de jogo que o Benfica tem apresentado nos últimos 2 anos, mesmo nos seus momentos de maior eficácia. Não fui habituado nem me consigo habituar a que o ponto mais forte da minha equipa seja a transição rápida ou contra ataque. Sou completamente da tua opinião em relação ao 4-5-1, se o Cardoso sair ficamos com 3 pontas muito móveis e muita qualidade meio campo e sobretudo ganhamos equilíbrio que não temos tido.
    Enfim, todos têm uma opinião muito própria, eu estou um bocado desiludido não porque a equipa não joga bem porque é muito normal nesta altura e não se deve julgar por antecipação mas porque não se vai corrigir os erros do passado e isso parece me claro. É o estilo que caracteriza o Jesus mas não acho que seja o que caracteriza o Benfica

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