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O fim de semana ficou marcado pelo regresso da histórica Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa (AFL), duas décadas depois. O cartaz prometia, com a presença do ilustre e recém-promovido Belenenses, do europeu Estoril e, sobretudo, dos dois grandes de Lisboa.

Para adeptos e organização, o produto final dificilmente poderia ter sido menos apelativo. Já para não falar da RTP que comprou gato por lebre e que não deverá voltar a cair no mesmo erro na edição do próximo ano (se existir). Entre os participantes, somente o Estoril – que começa os jogos oficiais mais cedo devido à presença europeia – encarou a competição como algo a vencer. Curiosamente, a equipa que mais parecia desinteressada acabou por ser quem levantou o caneco. O futebol tem destas coisas e é por isso que move paixões.

Não serve este artigo para analisar a campanha da equipa B do Sporting, até porque já ontem neste espaço isso foi feito de forma exímia. Serve, isso sim, para constatar que o fim de semana provou definitivamente que esta está a ser a pré-temporada com pior preparação de que há memória no outro lado da Segunda Circular.

Admito que a participação do Benfica na Taça de Honra me envergonhou. Não pelo terceiro lugar final mas por toda a falta de respeito mostrada por uma Instituição que é grande mas que passa por pequena nas mãos de certas personagens. Quando Jorge Jesus é, ele próprio, ‘a estrutura’, está tudo dito quanto à responsabilidade deste tipo de comportamento.

O que se viu foi um Benfica sem saber bem o que fazer. Dentro de campo, um conjunto de suplentes, recém-chegados e dispensados, arrastando-se física e mentalmente. Fora de campo um treinador sentado com cara de ‘frete’ dando a certeza aos intervenientes que a competição onde estavam inseridos não interessava para nada. Foi difícil perceber o verdadeiro alcance das escolhas de Jorge Jesus para este torneio (sim, as escolhas foram dele e não do técnico da equipa B). Terá recusado usar a artilharia pesada só porque o Sporting não o fez, receando de alguma forma o risco de perder para os jovens leõezinhos? Foi um pouco isso, sim. E foi também o aproveitar de uma competição para, ao mesmo tempo, juntar suplentes e possíveis dispensados para fazer uma triagem dos que têm lugar na equipa. Mas isso faz-se integrando esses jogadores junto dos titulares e não com um onze entre eles, vendo qual se destaca mais.

O Benfica acabou por perder com a equipa B do Sporting. Ou melhor, um conjunto de reservas da equipa A perdeu contra a equipa secundária dos leões. Isso preocupa-me pouco. Mais alarmante é perceber a desvalorização que se fez de uma competição que, a bem ou a mal, tinha que ser para ganhar. Estamos assim tão de barriga cheia a ponto de menosprezar competições? É também aqui, na pré-época, que se vai adquirindo um perfil ganhador.

Uma palavra ainda para o descaramento que foi levar Hélder Cristóvão, técnico da equipa B, para o banco de suplentes. Alguém acredita que alguma coisa que este dissesse alteraria alguma coisa na cabeça de Jorge Jesus? Finalizado o jogo, percebeu-se a ideia. Correu mal, apareceu Hélder para dar o corpo às balas. No dia seguinte, na luta pelo terceiro lugar, lá andava o Hélder de pé junto ao relvado, a dar instruções para dentro de campo. Teria sido assim se o Benfica tivesse alcançado a final? Eu fico com a resposta para mim.

Por outro lado, um torneio que deveria ter sido usado para ajudar na preparação da equipa A ou da equipa B acaba por prejudicar ambas ao juntar um misto de jogadores. É o que acontece quando se colocam todas as decisões nas mãos de alguém que não tem capacidade para as tomar. O que ganhou o Benfica com este torneio? Absolutamente nada. Os colectivos não foram trabalhados, as individualidades não foram analisadas num contexto favorável e o Benfica não ganhou. Aliás, tira-se uma coisa: a certeza de que os golos sofridos contra o Sporting têm a mão do Mestre da Táctica.

Como antes referi, este torneio segue apenas na linha daquilo que tem sido a pré-temporada mais mal preparada de que há memória. É certo que as preparações dos três grandes são cada vez piores quando comparadas com as das restantes equipas da Liga, com muitas viagens e jogos sem sentido, tudo para encaixar umas verbas extra (à imagem dos colossos mundiais). Mas a do Benfica deste ano está, no mínimo, a surpreender. Começou logo pelo cancelamento do estágio na Suíça por, imagine-se, se ter concluído que o Centro de Treinos do Seixal afinal tinha condições para esse propósito (podem rir). Mas os jogos em solo helvético mantiveram-se, com destaque para o que foi feito com o Sion: marcado para o Estádio do Sion num primeiro momento, alterado para Martigny e, na manhã do próprio jogo, novamente alterado, desta vez para Vevey. Para o mesmo jogo houve bilhetes para três estádios diferentes, sendo que quem sofreu na pele foram os emigrantes que tanto gostam de seguir o clube mas que tão mal tratados foram neste caso (e também na impossibilidade de acompanhar os treinos da equipa). E não venham com a história de que o Benfica não tem responsabilidade na matéria. É que, até que provem o contrário, são os encarnados quem contrata os serviços da GamaSport ano após ano.

A pré-temporada tem sido ainda marcada pelos constantes erros defensivos que têm sido a imagem de marca de Jorge Jesus e sobre os quais já falei noutras ocasiões. Bolas paradas, quer defensivas quer ofensivas, são um constante perigo… sempre para a nossa baliza.

Jorge Jesus tem ainda optado por ‘fugir’ ao contacto com os adeptos, com constantes treinos à porta fechada. Estará com receio do feedback que estes têm para lhe dar? Por outro lado, escolheu adversários de nível médio e baixo (mesmo para a Eusébio Cup), talvez com o intuito de encher o balão da confiança. Mas o tiro parece que tem saído ao lado, fruto dos tais erros na defesa.

Não é abusivo considerar que uma boa temporada começa, regra geral, com uma preparação digna. Há excepções que confirmam a regra (recordam-se da pré-temporada fraquita de André Villas-Boas no FC Porto), espero que esta seja mais uma. Ainda há tempo para mostrar evolução nesta fase, nomeadamente nos próximos jogos de preparação marcados para esta semana. Até agora, só num jogo o Benfica não sofreu golos. Foi precisamente naquele em que Hélder assumiu a equipa e Jesus ficou caladinho no seu canto. Coincidência?

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joni_desenhoJoni Francisco

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One thought on “E o prémio de pior preparação vai para…

  1. A equipa do Benfica está longe de ser a equipa titular mas no entanto apenas o Harramiz, Urreta, Roderick e Lopes não fazem parte dos planos da equipa A. Jogadores como Melgarejo, Sílvio, Jardel, Ola John, André Gomes, Rodrigo, Matic e o reforço Mitrovic são claramente opções válidas para o plantel principal. Não vale a pena tapar o sol com a peneira e tentar tirar crédito a uma vitória bem conseguida da (claramente) equipa B do Sporting.

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