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Quem segue com frequência o «Palavras ao Poste» sabe que sou um grande fã e um defensor incondicional de Jorge Jesus. Apesar do apreço que tenho por Leonardo Jardim cheguei mesmo a defender neste espaço (podem ler aqui – https://palavrasaoposte.wordpress.com/2013/02/25/so-jesus-salva/) que o Mestre da Táctica era o homem indicado para recolocar o Sporting nos trilhos. Não tenho dúvidas que se tivesse optado por rumar ao Dragão o sucesso seria iminente. A continuidade na Luz, apesar de lógica, de certa forma, torna-se perigosa.

Os balanços, normalmente, fazem-se no fim mas ao longo da última temporada Jesus passou por vários. Antes de garantir a presença na final da Taça de Portugal, da Liga Europa e ter praticamente garantido o título nacional nas últimas jornadas do campeonato, a grande maioria dos benfiquistas, quiçá traumatizados com a perda do título de 2011/12 nos mesmos moldes da última temporada, assumia uma posição muito clara: Jorge Jesus só podia renovar se vencesse o campeonato.

O salário, o investimento de peso num plantel sem títulos e as teimosias de JJ (com Roberto e Emerson à cabeça) eram alguns dos argumentos para não segurar o treinador caso não fosse campeão nacional.

Contudo a época foi correndo de feição aos benfiquistas que amedrontados com o interesse portista começaram, em meados de Abril, a preferir a continuidade do treinador que se encontrava perto de fazer uma tripleta histórica na Luz.

ng4841C777-089E-4C7A-A867-C479B6C60A1CO futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e o ajoelhar de Jesus, vergado aos 92 minutos no Dragão, voltou a atirar os adeptos contra o treinador. Perder novamente o título para o rival nas últimas jornadas, com um golo no fim do jogo e após uma exibição cautelosa, parecia ser a machadada final no percurso encarnado do treinador amadorense. O Benfica partiu destroçado para Amesterdão e de lá voltou mais uma vez derrotado. Desta vez injustamente. A atitude e futebol apresentados frente ao Chelsea orgulharam os benfiquistas e devolveram a Jesus o estado de graça junto dos adeptos. No momento em que mais perto podia estar da renovação, o treinador hesitou e pediu para pensar. Jesus sabia do risco de ficar na Luz e decidiu esperar pelo final da temporada.

Apesar de difícil, ainda podia vencer a Liga e conquistar a Taça de Portugal. A primeira, previsivelmente, escapou para a cidade do Porto e a segunda, estranhamente, para Guimarães. Mais uma vez depois de estar em vantagem os comandados de JJ deixaram fugir um título nos últimos minutos. A revolta foi tanta que até Cardozo se atirou a ao treinador. O pensamento entre adeptos e críticos foi quase unânime: acabou o ciclo do Mestre da Táctica de águia ao peito.

Luís Filipe Vieira assumiu-se então como grande impulsionador da continuidade do treinador. Na minha opinião, mais por medo de o ver triunfar no Dragão do que propriamente por confiar no seu trabalho. Jesus tendo em conta as limitações linguísticas e o estilo bravo com que aborda os jogadores dificilmente conseguiria ter no estrangeiro o impacto que pode atingir em Portugal.

Com o Sporting a contar tostões, só havia duas opções: rumar ao Dragão ou ficar na Luz. A opção recaiu sobre a escolha mais fácil. Percebo a intenção de não sair directamente do Benfica para o FC Porto e o interesse em manter-se em Portugal, contudo, vendo de fora, não acredito que esta tenha sido a melhor opção. O balneário parece cansado dos métodos e do rigor de Jesus, os adeptos cada vez mais desconfiam do treinador e a margem de erro vai-se diluindo.

Não concordo mas compreendo a opção. Jesus tem uma equipa montada à sua imagem, é dono e senhor do futebol encarnado e tem a ambição de provar, a si próprio, que consegue domar o Dragão e conquistar os troféus que têm escapado ao Benfica.

Por norma, é mais difícil mudar do que apostar numa linha de manutenção. Contudo o desgaste relacional pode provocar uma rotura dolorosa e com efeitos nefastos. Jesus e o Benfica correm esse risco.

Em Portugal não há respeito e muito menos paciência quando o assunto é futebol. Os adeptos esquecem o passado e o insucesso do presente domina a vista desesperada por vitórias. Paulo Bento sofreu isso em Alvalade. A intolerância ao erro era enorme. Apesar da gratidão pelo bom trabalho a margem de manobra encurtou e o actual seleccionador nacional não resistiu.

José Peseiro passou pelo mesmo nos leões. Numa semana perdeu Campeonato, Taça UEFA e falhou o apuramento para a Liga dos Campeões. A fúria dos adeptos e a pressão por resultados imediatos ditaram a queda prematura após início titubeante na época seguinte. No Benfica o caso mais mediático foi o de Fernando Santos.

A tolerância para os possíveis fracassos de Jesus torna-se demasiado ténue. Uma entrada em falso na nova temporada pode ditar o fim de uma era.

A pré-época tem mantido as características do costume: tácticas arrojadas, futebol extremamente ofensivo e velhos problemas defensivos. A única diferença prende-se com a diversidade de opções por posição em todo o plantel, principalmente na defesa.

FUTEBOL - Jorge Jesus treinador do BenficaSe Jesus conseguir entrar bem na temporada e aliar a capacidade exibicional às vitórias vai respirar melhor junto dos benfiquistas. Se no fim das contas chegar aos títulos, vai provar uma capacidade de reciclagem e renovação desconhecidas. Quantas e quantas vezes Alex Ferguson ressuscitou o seu United em ciclos que pareciam ter chegado ao fim? Se o Mestre da Táctica conseguir reverter o quadro vermelho será um caso raro no futebol português.

Caso o caminho das derrotas se cruze novamente com Jesus, a parca tolerância benfiquista irá acabar e o treinador vai ter de encontrar novo rumo. O fim da era JJ pode também ditar o princípio do fim de Luís Filipe Vieira. 

O presidente está há vários anos no clube da Luz e apesar dos bons serviços prestados, com a colaboração de Vilarinho, no caos pós Vale e Azevedo, os resultados não têm sido animadores. A história do Benfica e o megalómano investimento feito ao longo da sua presidência exigem muito mais de LFV.

Apesar das constantes derrotas nos momentos decisivos e dos pensamentos de Jesus (“Benfica está cada vez mais próximo de ter a hegemonia do futebol português”) serem discrepantes, a verdade é que os encarnados evoluíram, enquanto clube, nos últimos anos. Hoje estão atentos e bem informados no mercado internacional. Compram bons jogadores a baixo custo, tendo em conta o custo-benefício, jogando sempre na antecipação. A entrada na espiral de comprar barato e vender caro anualmente, fez crescer o clube e permitiu que ele se torne viável. Tudo isto é mérito de Jorge Jesus. Antes dele o investimento também era grande, já o retorno: inexistente.

As estranhas negociatas de contratações a rodos e a aquisição de irmãos para as equipas B, é um problema grave a apontar, mas não me parece política que passe pelas mãos de JJ.

Porém o grande problema das águias continua a ser a ausência de uma cultura de vitória. Isso só se constrói com títulos. A forma como o Benfica caí nos momentos chaves denota a ausência desse sentimento.

Contudo é um emblema com enorme capacidade competitiva, que se bate sempre para vencer e não concede veleidades a jogar em casa ou quando se opõe a qualquer tipo de emblemas. É a cultura de vitória que num jogo decisivo faz uma equipa entrar com tudo para vencer enquanto o rival treme com receio da derrota. Falta também humildade e realismo no discurso do treinador, que com evidentes lacunas comunicacionais, devia ser resguardado pelos responsáveis do Benfica. JJ é um homem genuíno, com o coração ao pé da boca e que diz de forma frontal tudo o que pensa e isso no futebol, salvo raras excepções, não é positivo. A forma como já queimou jogadores na sala de imprensa ou esbanjou confiança desmedida em frente aos jornalistas, são sinais que acabam por se rever no desempenho da equipa.

A minha grande curiosidade em relação à relação Benfica-Jesus, prende-se com a dita estrutura que os encarnados estão a construir. Na minha modesta opinião a estrutura chama-se Jorge Jesus e no dia que este sair tenho dúvidas que o Benfica carregue no piloto automático e com um treinador qualquer, ao estilo FC Porto ou Barcelona, trilhe o caminho do sucesso. 

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SONY DSCBruno Gomes

 

 

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