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O Barcelona-Real Madrid continua a ser o jogo mais mediático do ano. Mas não é o melhor. São da Bundesliga alemã as mais fortes equipas da actualidade, no que a futebol jogado diz respeito, precisamente aquelas que disputaram a final da última edição da Liga dos Campeões: Bayern München e Borussia Dortmund. Para felicidade daqueles que gostam de bom futebol, o primeiro jogo oficial da temporada na Alemanha voltou a colocar frente a frente as duas equipas, na disputa da Supertaça. Lá, ao contrário de em muitos outros países, a competição juntou o campeão nacional e vencedor da Taça (Bayern) e o vice-campeão (Borussia), não o campeão e vencedor da taça diante do finalista vencido desta última. Fica assim assegurado o equilíbrio e o bom espectáculo.

O resultado final (vitória por 4-2 do Borussia) não espelha o equilíbrio reinante durante os 90 minutos. Mas fez jus à superioridade dos Schwarzgelben e reflecte o grande espectáculo de futebol. Num troféu que costuma ser um jogo de pré-temporada (com o bónus de ser uma competição oficial), as equipas já mostraram um nível competitivo e físico alto, apesar das importantes baixas dos dois lados: Neuer, Ribéry ou Götze ausentes nos bávaros; Borussia sem Piszcszek ou o recém-contratado Mkhitaryan.

O futebol alemão, e estes dois clubes em particular, contam agora também com dois dos melhores treinadores do mundo. O jogo da Supertaça foi o primeiro tira-teimas entre Pep Guardiola e Jürgen Klopp, com este último a levar clara vantagem. O técnico catalão, fiél ao estilo de jogo que o celebrizou ao leme do Barcelona, parece querer fazer do Bayern a nova cara do tiki-taka. Ainda sem Götze, foi o suíço Shaqiri quem se vestiu de Messi, como peça central do ataque, levando a que Mandzukic pisasse terrenos mais laterais (um pouco à imagem do que fazia Villa na Catalunha). No meio campo, o habitual trio de jogadores, desta feita com um duplo pivot (mais construtor que destruidor) composto por Thiago e Toni Kroos (Lahm tem sido também testado na pré-temporada como médio, com resultados bastante positivos), cabendo a Müller o lugar de vértice mais adiantado do trio, vagueando no espaço entre meio campo e ataque. Já o conceituado Schweinsteiger começou o jogo no banco. Mas Klopp já sabia ao que vinha e, ao contrário do habitual, apresentou um triângulo invertido no meio campo, com Sven Bender como jogador mais recuado e Ilkay Gündogan (que grande jogo!) e Nuri Sahin à sua frente. Quando tiver Mkhitarian disponível, é de esperar que regresse ao habitual duplo pivot (Bender ou Kehl mais trabalhadores, Gündogan como primeiro organizador), utilizando o arménio como elemento mais atacante do meio campo a três, um pouco à imagem do que fazia Mario Götze no ano passado ou Shinji Kagawa há duas temporadas.

O resultado, por si só, já nos mostra quem levou a melhor neste duelo táctico que vai deixando água na boca. ‘Kloppo’ montou uma equipa muito compacta, com linha defensiva alta e bem organizada, e muito forte na pressão alta – pelo menos enquanto os jogadores tiveram pernas. O Bayern tentou sempre sair a jogar mas raramente foi bem sucedido. E quando as peças do Dortmund começaram a evidenciar desgaste (típico nesta fase da temporada), o técnico alemão tirou novo trunfo da cartola: Pierre-Emerick Aubameyang. Em vantagem no marcador, arrisco dizer que quase todos os treinadores optariam por uma substituição cautelosa. Mas Jürgen Klopp fez precisamente o contrário, ao retirar o sempre disponível Jakub Blaszczykowski, forte no apoio ao lateral, lançando o jovem avançado gabonês contratado ao Saint-Étienne. Quando seria de esperar o ‘forcing’ final do Bayern (que tinha acabado de reduzir para 3-2), foi o estreante Aubameyang quem espalho o pânico na defesa bávara, não permitindo num primeiro momento as célebres e perigosas incursões ofensivas de Alaba e aparecendo duas vezes na cara do guarda-redes em jogadas de transição rápida. Na primeira permitiu a defesa de Starke. Na segunda optou por assistir Marco Reus, que fechou o marcador em posição irregular.

Mas desengane-se quem pensa que esta vitória faz do Borussia Dortmund favorito à conquista da Bundesliga. Não, nessa competição o Bayern tem muitos e melhores argumentos. Os bávaros partem em vantagem, sobretudo pelo vasto leque de opções à disposição de Pep Guardiola. Klopp tem feito milagres com plantéis curtíssimos e, embora esta temporada pareça ter mais soluções, deverá sofrer na pele as consequências desse factor numa competição que exige regularidade, como é o caso da Bundesliga (mas nos confrontos directos diante dos bávaros continuará a ser temível, assim como nas competições a eliminar – se as lesões não forem muitas). Ao Bayern parece faltar apenas uma alternativa a Manuel Neuer e talvez um defesa central que entre de caras no onze inicial, sobretudo tendo em conta a ausência prolongada de Badstuber. No Borussia falta muito mais. O polaco Piszcszek falhou o jogo e quem ocupou o seu lugar foi Grosskreutz, uma adaptação (erro grave no primeiro golo de Robben). O mesmo teria que ser feito se o lesionado fosse Schmelzer. Para o meio campo são cinco as opções fiáveis para três posições: Kehl e Bender; Gündogan, Sahin e Mkhitaryan. Já no ataque, Lewandowski e Reus terão lugar assegurado, ficando o lado direito para Blaszczykowski ou Aubameyang. Grosskreutz ou Schieber são demasiado curtos para este nível.

O desafio da Supertaça terminou com o BVB a trocar a bola no meio campo do Bayern. Uma autêntica lição de humildade aos bávaros. Terá sido uma lição também para Guardiola? Será errada a insistência no tiki-taka, alterando de forma drástica um estilo de jogo imposto por Heynckes com o sucesso que todos sabemos? A resposta a estas questões é, neste momento, difícil de dar. O que ficou evidente é que Guardiola, para já, não tem um plano B, um estilo de jogo a impor quando o jogo de posse não está a resultar. Talvez seja cedo para pedir isso mas em Barcelona essa já tinha sido uma lacuna (das pouquíssimas) apontada ao técnico.

Certo também é que começou mal a aventura de Pep Guardiola em terras germânicas, onde terá a hercúlea tarefa de conquistar pelo menos o mesmo que o seu antecessor. Ao primeiro jogo, uma coisa ficou garantida: não fará melhor que a última época de Heynckes nas competições que se podem comparar (Supertaça, Liga, Taça e Champions). Mas pode ganhar a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes, anulando este primeiro ‘fracasso’. Ditar já uma sentença a Pep Guardiola tem tanto de precipitado como de desatento. Lembram-se dos seus primeiros tempos ao leme do Barça?

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joni_desenhoJoni Francisco

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One thought on “O melhor jogo do mundo

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