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Em contagem decrescente para o início da próxima época, afinam-se os planteis portugueses para a entrada na competição. Criticam-se as opções técnicas dos treinadores e a gestão de activos dos clubes. Aguçam-se as esperanças sobre as contratações realizadas e recorre-se a todos os santinhos, num golpe de fé, para que os jogadores que mais nos atraem não se tornem, fugazmente, em flops. Contudo, não existe nada mais certo, de que, futuramente, quando se fizer o balanço da época 2013/2014, em Maio próximo, ou daqui a alguns anos, muitos vão ser os atletas que já arquivámos na nossa memória. Porque não aguentaram a luta, ou em nada contribuíram para a mesma, tornar-se-ão, para o colectivo do adepto português, em «Desaparecidos em Combate».

DESAPARECIDOS EM COMBATE

A fórmula é antiga, tanto quanto o modelo do futebol moderno. Dezenas de atletas ingressam os emblemas nacionais, todas as épocas. Com muitas certezas sobre os seus valores individuais ou tomada como certa a sua adaptação, integram-se jogadores que, mais tarde, não vão figurar na história dos clubes e que vão fugir, qual ladrões de jóias, da memória dos adeptos. Isto não significa que, necessariamente, tenham estado pouco tempo com a camisola vestida, tenham investido pouco de si ou que não nos tenham contribuído para festejos e levantar de braços. Significa que o modelo futebolístico obriga a uma grande gestão de atletas, com carreiras com muita mobilidade e muito espírito migratório. E, sem nos darmos conta, perdemos o rasto a jogadores, que outrora clamámos e acreditámos.

Os «Desaparecidos em Combate» são uma reflexão dos atletas que partiram dos nossos clubes, dos quais nos despedimos ou virámos as costas, que tentámos acompanhar em outros campeonatos, mas de quem, porque o futebol é um mundo imenso de clubes e outros jogadores, nunca mais tivemos notícias. Tantos são os casos, que decidi que mereciam não só um artigo, mas que teriam direito a sequelas. E, por isso, hoje, apenas me centro na busca de jogadores do Benfica, dos quais nunca mais tive notícias. Não sabia onde jogavam, nem tão pouco tinha a certeza de que as chuteiras ainda pisavam o terreno. Se sabiam o paradeiro de todos os nomes que nas próximas linhas eu invocar, então, ou eu sofro do «síndrome da memória curta», ou vocês estão no patamar de Rui Santos, e por isso vos faço a minha vénia.

131603_ori_moreiraRumo ao Chipre. Visto a personagem de detective e troco a clássica lupa pelo meu computador. As pistas facilmente são resolvidas pelos motores de busca e pelas bases de dados dos portais. O primeiro nome que me lembrei de averiguar, e não porque vestia a camisola número 1, é o de José Filipe da Silva Moreira. Moreira, para os mais íntimos, guardião que foi um objecto de idolatria da minha parte. Aquando a sua afirmação no plantel principal do Benfica, acreditava piamente que este guardaria as redes encarnadas por muitas épocas. Os joelhos e uma goleada em Belém, trataram de me mandar um balde de água fria. E, depois do afastamento da titularidade e da, posterior, viagem para Inglaterra, nunca mais recebi notícias da minha promessa. Moreira já não mora em terras de Sua Majestade, as quais trocou pelos ares do Chipre. Representa há duas épocas o Omonia. Quem o terá recebido, com toda a hospitalidade lusa, terá sido Bruno Aguiar. Mais um ex-jogador do Benfica, desaparecido do panorama nacional. Representa há cinco épocas o Omonia e, antes, o médio vestiu por quatro épocas a camisola do Hearts. O Omonia conta com meia dúzia de portugueses no plantel, do qual destaco ainda Nuno Assis. O jogador do Benfica que não saiu da memória, com certeza devido ao caso de doping, saiu de Guimarães para terras cipriotas há duas épocas.

FREEDY ADUDestinos inesperados. Quando um jogador deixa de ser uma promessa e ganha o estatuto de comum, sem um bom empresário em carteira, é normal que o seu destino seja inesperado ou até exótico. É o caso do meu conterrâneo Amoreirinha, natural de Vila Franca de Xira, que viaja de Setúbal à antiga colónia portuguesa de Goa. Na próxima época representará o Churchill Brothers. Eu nunca ouvi falar de tal emblema e aposto que ele também não. Quem decidiu também abandonar o Bonfim foi Makukula, que não terá servido para ocupar o lugar de Meyong, objectivo a que se terá proposto quando para lá rumou em Dezembro passado. Ainda não tem clube, mas eu sugiro-lhe um: o Bahia. Sim, o Bahia, onde Freddy Adu dançou o samba no último ano. Nascido no Gana e com a dupla nacionalidade nos Estados Unidos, Adu, jovem promessa na Luz, não voltou a representar um clube de comparada notoriedade. Mas não era, certamente, no Bahia que eu o esperava encontrar. Como desconhecia que Binya permanecia nos turcos Gaziantepspor, depois de três épocas a comer chocolate suíço no Xamax.

NEREURegresso às origens. Para os jogadores lusos, de qualidade pouco atraente, é comum um de dois destinos. Ou a carreira é prosseguida em destinos de pouca tradição futebolística, mas onde o dinheiro é próspero, ou o regresso a clubes portugueses de escalão inferior é inevitável. É o caso do irmão de Maniche, formado no Benfica, para a posição de defesa esquerdo. Falo, obviamente, de Jorge Ribeiro, que esta época vestirá a camisola do Desportivo de Aves, depois de uma época ao serviço dos espanhóis do Granada. Aqui, encontrou Yebda, mais uma antiga pérola encarnada, e que permanece no clube que também já serviu de morada a Carlos Martins, o que me faz suspeitar de uma relação de escoamento de recursos para o Benfica. Outro atleta formado na Luz e que, tal como Jorge Ribeiro, não simpatizará com o estatuto de emigrante é Rui Nereu. Mais uma promessa para as redes encarnadas, pode agora ser visto em acção em Freamunde, depois de três épocas ao serviço da Académica, duas no Arouca e uma em Mirandela. Relembro ainda o lateral esquerdo Miguelito, que este ano poderemos ver no Moreirense.

Ricardo-Rocha-001Carreiras Consolidadas. Há reencontros felizes nesta minha busca pelos ex-benfiquistas desaparecidos. Um deles aconteceu com Ricardo Rocha, quando verifiquei que este permanece em Portsmouth pela quarta época. Considero uma carreira consolidada em Inglaterra, depois da sua partida de Portugal para o Tottenham, em 2006, e depois de uma escapada de uma época pelo Standard de Liége. Tal como considero sólido o currículo construído por Suazo, em Itália, ou o de Manduca, na Grécia. Depois da passagem pelo Benfica, em 2008/2009, o avançado das Honduras voltou à Série A, onde já representou o Inter, o Génova e o Catânia. Manduca, abandonou anos mais cedo o campeonato português e, quanto a mim, não deixou saudades. Representa há quatro épocas o Apoel, depois de ter representado por tantas outras o AEK. Na Grécia encontramos ainda, e naturalmente, Katsouranis, que se prepara para cumprir o seu segundo ano no PAOK, depois de uma quadra no Panathinaikos, clube que também Karagounis abandonou em 2012/2013 para integrar o Fulham, mas onde terminou o Fyssas a sua carreira, em 2007/2008.

Mexer no passado pode tornar-se surpreendente, encher-nos do humor ou contribuir para um saudosismo perigoso. De qualquer forma, prometo voltar a fazer aparecer os desaparecidos, do Benfica e de outros emblemas. Porque a lista é longa, mas as épocas revelam-se pequenas.

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Mara desenhoMara Guerra

* Autora do «Visão Curta» e colaboradora do «Palavras ao Poste».

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