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Sou orgulhoso por natureza e por isso gosto sempre quando a realidade confirma a minha versão das coisas. Seja relativamente a futebol, meteorologia ou danças de salão. Mas desta vez, confesso, queria estar errado. Queria que todas as previsões pessimistas que fiz a partir da medíocre pré-temporada do Benfica estivessem erradas. Queria que quando começassem os jogos ‘a doer’, a equipa de Jesus encetasse uma série de vitórias numa caminhada triunfante para a glória.

Primeira cavadela, minhoca. Ou seja, primeiro jogo, primeira derrota. O Benfica começou a temporada com o desaire diante de um Marítimo que mostrou que uma má pré-época nem sempre significa uma escorregadela no início dos jogos à séria. O jogo teve de tudo um pouco, excepto bons indicadores para o lado encarnado. O Benfica manteve uma tradição cimentada no reinado de Luís Filipe Vieira, não ganhando o primeiro jogo do Campeonato pelo nono ano consecutivo. Já está na posição que mais nos habituou nos últimos tempos: a de perseguidor (que raramente caça a presa).

Nos Barreiros, Jorge Jesus não resistiu à tentação de fazer o que melhor sabe: inventar. Sem os dois jogadores mais desequilibradores do plantel (Salvio e Markovic), o técnico optou por mexer também no miolo do meio campo, que como se sabe é um sector fundamental deste Benfica. Enzo Pérez foi colocado na direita do ataque (num atestado de incompetência passado pelo treinador aos dois extremos que deixou no banco – Ola John e Sulejmani) e Rúben Amorim assumiu um lugar no meio campo. Quem? Rúben Amorim, esse mesmo. O tal que Jesus nem podia ver à frente na temporada passada.

O Benfica perdeu, jogou mal e ficou uma vez mais evidente que nem todos os jogadores estão com o treinador. A equipa arrastou-se em campo (fadiga sim, mas psicológica), com alguns elementos a darem evidentes sinais de uma estranha falta de ambição. O episódio de Cardozo no final da temporada passada foi somente a gota de água num balneário que parece há muito perdido para o técnico amadorense. Já na final de Amesterdão fora Enzo Pérez quem, ainda no relvado, exigiu justificações a Jorge Jesus num tom pouco amigável (confirmado pelos jornalistas presentes). Que Jesus é um péssimo gestor de balneário a médio/longo prazo, parece evidente. A sua forma de estar e de viver o jogo e o seu ego desmesurado acabam por desgastar os jogadores. No final do jogo da Madeira, Lima fez questão de garantir que o ambiente no balneário estava muito bom. Mas só a necessidade de tentar justificar algo já é motivo de desconfiança. Onde há fumo, geralmente há fogo.

No final do primeiro jogo do campeonato, foi um treinador alucinado e completamente desligado da realidade aquele que vi na conferência de imprensa. “O Benfica foi mais equipa e mandou sempre no jogo”, defendeu, como se tal fosse um grande feito perante uma equipa de meio da tabela que gosta de entregar o jogo ao adversário para dar a estocada no contra ataque. E mesmo sem ver boas repetições (a Sporttv voltou a atacar em força, não mostrando lances chave nos melhores ângulos) conseguiu assumir como garantido que o Benfica foi prejudicado pela arbitragem. Culpas próprias? Nenhumas. Só falta de sorte.

Os indícios deixados neste jogo assustam-me mais porque surgem no seguimento de uma pré-temporada desastrosa e antes mesmo da saída de algumas peças importantes da equipa. O que poderemos esperar depois das saídas de Matic, Garay, Salvio ou Gaitán? Se calhar devo mesmo é deixar de ser pessimista e bater palmas à chegada do super avançado Funes Mori, aquele que tudo resolverá. E também aos fantásticos negócios visionários de Pizzi e Fariña.

Já vamos atrasados (no tempo e na classificação), mas ainda não é tarde demais. A renovação de Jesus foi um erro. Nem eu, no alto do meu pessimismo nato, pensei que a situação pudesse chegar a um ponto tão insustentável como o actual. É preciso um abanão, nem que tal signifique a saída do técnico agora ou daqui a uma ou duas jornadas. Porque pior que uma má decisão é uma má decisão que não seja emendada. Corremos o risco de, tal como já defendi aqui, ver o Benfica arredado da luta do título à 5ª jornada. É precipitado pensar desta forma? As próximas duas deslocações são a Alvalade e a Guimarães e vão-nos dar muitas respostas.

Os sócios e adeptos estão cada vez menos com Jesus. Alguns jogadores também. Se os primeiros pouco ou nada influenciam o decorrer da temporada e mudam facilmente com a chegada das vitórias, os segundos são quem mais ordena. Porque, no fim das contas, o que é um treinador sem os seus jogadores? Quando não há um ambiente saudável no balneário e uma visão comum entre equipa técnica e jogadores, a corda acaba por partir. E é sempre o treinador quem sai a perder. Podem chamar a isto falta de profissionalismo da parte desses jogadores. Mas não digam que Jesus não se colocou a jeito.

PS: Uma nota final para o Sporting que começou a temporada da melhor forma. Contra um adversário modesto (que deverá ter muitas dificuldades para garantir a permanência), vimos a equipa de Leonardo Jardim a controlar o jogo durante os noventa minutos (há muito que não via tal coisa para aqueles lados), com boas jogadas, bom trabalho de equipa (apesar das muitas caras novas) e muito boas indicações dadas por alguns jogadores. Estou curioso para ver mais jogos dos leões. Vi contra a Fiorentina e não fiquei nada impressionado (resultado bastante enganador para tão frouxa exibição) mas no domingo sim, jogou como um grande. Até pode retomar o trilho problemático das derrotas já na próxima jornada. Mas que começou bem, lá isso começou. Certo, interessa é como acaba. Mas começando bem, é meio caminho andado.

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joni_desenhoJoni Francisco

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