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São dez dias capazes de atormentar o mais humilde treinador, da primeira divisão de Inglaterra, ao segundo escalão português. São apenas dez dias mas que para estes homens é tempo que não passa nem flui, porque as horas se arrastam e as soluções, e os problemas, continuam por resolver ou aparecer.

Em Portugal, no FC Porto, Paulo Fonseca partiu para a nova época já sem Moutinho e James Rodríguez. Construiu por isso uma nova equipa confiando nos jogadores que tinha (e tem) à sua disposição, e que quererá manter até à última no Dragão. Perder Mangala e, sobretudo, Jackson Martínez, é algo que continua no horizonte mas completamente fora dos planos do antigo treinador do Paços de Ferreira. A saída do avançado colombiano, por exemplo, deitaria por terra parte do trabalho de Fonseca nas últimas seis semanas. A dupla com Lucho, as jogadas de apoio e a dinâmica com o novo meio-campo portista: tudo deitado para o lixo de uma hora para a outra, do último segundo de um dia para o primeiro de outro.

Das 23h59 para as 00h00, um segundo que faz toda a diferença. Um ápice que fará a diferença, diríamos nós, (diria eu), na segunda vida de José Mourinho em Londres. O Chelsea tem um plantel forte e rejuvenescido, com vários talentos contratados para os diferentes sectores do campo. Mas sabemos como é o campeonato inglês. Mourinho não competirá sozinho e tem no Manchester City o principal adversário  na luta pelo título. As armas não são as mesmas e as dos citizens, sem qualquer sombra de dúvidas, são manifestamente mais fortes do que as dos londrinos. Ao Chelsea falta muita coisa mas há uma que no final das contas poderá arrumar com o campeonato: um goleador. E que diferença que a pontaria em frente da baliza faz. Que o diga o campeão United, que conseguiu arrecadar mais um título praticamente “sem” meio-campo. Van Persie estava lá na frente e todos os seus golos foram capazes de suplantar as inúmeras fragilidades da equipa de Alex Ferguson, que agora pode perder Rooney para os blues. Será o “Shrek” de Old Trafford o tal, para Mourinho? Os números dizem que não; a técnica, explosão, e categoria do avançado inglês dizem que sim. Em Stamford Bridge, como no Dragão, conta-se por isso o tempo que o tempo tem. Porque é preciso o craque que faça a diferença, porque é preciso segurar David Luiz e Ramires do assédio de outros tubarões do futebol europeu. Porque faltam dez dias.

Em Lisboa, numa e noutra ponta da segunda circular, tempo é bem que abunda e que estorva, que incomoda e que preocupa. O Benfica, como em todos os anos, conta com um número interminável de soluções preparadas, algumas delas, com grande antecipação. O mal de Jesus, ao qual o treinador já se habituou, está nas previsíveis saídas das peças-chave do seu esquema. Garay, Matic e Salvio continuam na porta de saída mas ainda do lado de dentro, com os pés no Seixal e a cabeça em muitos destinos menos na margem sul. Jesus sabe disso – e já não conta o tempo porque se habituou perdê-lo de vista-, mas conserva uma réstia de esperança que até parece fazê-lo adiar o inadiável: uma mudança de estratégia.

Em Alvalade, Leonardo Jardim vai desmontando um ciclo de incompetência e mau planeamento, e montando uma equipa de raiz com recursos limitadíssimos. Com os tostões gastos durante o defeso (alguns deles em craques podres e já fora de prazo, daqueles que ficam até à última no supermercado), o treinador madeirense virou-se para a Academia, avaliou-a de lés a lés – dos craques aos encostados e emprestados-, e construiu um plantel. Para além dos renegados (André Santos, Diogo Salomão, Jéffren) e mal comportados (Bruma, Ilori, Labyad), Jardim desespera agora pelo fim do difícil mês de Agosto e das manchetes especulativas à volta da saída de Rui Patrício e de alguns dos pilares da sua nova equipa, como Eric Dier e Marcos Rojo. Depois de um intenso período de observação de um “camião de jogadores”, era o que faltava – pensará o antigo técnico do Olympiakos – que meia dúzia de dias pusesse agora em causa todo o seu trabalho. O mercado do Sporting foi tão pobrezinho que perder um destes jogadores seria uma autêntica catástrofe para Leonardo Jardim, que, aconteça o que acontecer no “Segundo de Setembro”, não deixará de remar contra um mar de adversidades inerentes ao actual cargo de treinador dos leões.

Como as crianças que perguntam de cinco em cinco minutos pela chegada da meia-noite de 25 de Dezembro, Paulo Fonseca, José Mourinho, Jorge Jesus, Leonardo Jardim e muitos outros não farão por não perguntar. A ansiedade é mais forte que tudo e a pergunta não deixará de ser feita até ao último suspiro do próximo dia 1 de Setembro: “Falta muito, Presidente?”. 

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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