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Gareth Bale chegará a Madrid por uma quantia a rondar os 100 milhões de euros, batendo assim o valor que este mesmo Real Madrid pagou ao Manchester United por Cristiano Ronaldo. Mas, num mercado ‘saudável’, Bale não deveria valer mais do que valeu Cristiano em 2009. O Tottenham esticou a corda sabendo que do outro lado estava um Real Madrid desesperado para responder à entrada de Neymar no rival e com um presidente muito propício a investimentos megalómanos, especialmente com o aproximar do período eleitoral. Mas não me cabe a mim avaliar o preço de Bale. Cada jogador, inserido numa indústria que o materializa, vale aquilo que algum clube esteja disponível a pagar por ele. Sorte a de Villas-Boas que, condenado a perder Bale, vê 100 milhões fresquinhos a entrar no seu saldo para transferências.

É, contudo, interessante analisar os caminhos do dinheiro que hoje é movimentado no futebol. São cada vez mais os exóticos multimilionários que assumem rédeas de clubes nalguns dos principais campeonatos. Na Europa, entre as principais ligas, apenas a Bundesliga parece avessa à entrada directa deste dinheiro cuja origem é muitas vezes pouco clara. O caso do Hoffenheim de Dietmar Hopp tem pouco a ver com este fenómeno, visto que o milionário fundador do software SAP tem uma ligação de vida ao clube (pelo qual jogou) e pegou neste em divisões secundárias do futebol alemão. Só que, bom ou mau, limpo ou sujo, o dinheiro injectado no futebol europeu serviu para contornar os efeitos da crise. Basta ver que esta indústria manteve a sua pujança (com consequências ‘apenas’ nos clubes pequenos e pouco sustentáveis) continuando a bater recordes de transferências ano após ano (e os clubes portugueses, sobretudo FC Porto e Benfica, muito têm recebido).

O caso da transferência de Bale para o Real é um excelente exemplo do impulso que árabes, russos ou asiáticos estão a dar ao mercado: o galês segue para Madrid mas boa parte do dinheiro terá vindo do Nápoles do também excêntrico e milionário De Laurentis que ao Real adquiriu Higuaín, Callejón e Albiol; parte desse dinheiro, porém, teve como origem o Paris Saint-Germain do Xeique Nasser Al-Khelaifi que pagara 64 milhões de euros por Edinson Cavani. Mas, se todo este dinheiro permitiu que o futebol contornasse os efeitos da crise, sobretudo na Zona Euro, também acabou por desvirtuar o jogo e a história dos seus intervenientes. Roman Abramovich, por exemplo, pegou num clube histórico mas com um currículo modesto em Inglaterra, habituado a lutar quanto muito por um lugar nas competições europeias, tornando-o num novo gigante da Premier League. Seguiu-se, anos mais tarde, o Manchester City em situação idêntica, sendo que habituais gigantes como Manchester United ou Liverpool também não conseguiram resistir à entrada de dinheiro fresco de um ‘sugar daddy’. O Arsenal, por sua vez, tem optado por resistir a esta tendência, tendo no seu técnico Arséne Wenger um dos maiores críticos deste novo paradigma. Só que os resultados estão à vista: o clube deixou de lutar pelos títulos e tem perdido os seus maiores craques para outros que abandonaram a abordagem tradicional.

Um outro bom exemplo de como foi desvirtuada a história e a tradição no futebol europeu, este bem mais próximo ao leitor, é o da final da Liga Europa da última temporada. Frente a frente estavam o Benfica, bi-campeão europeu e campeão nacional por mais de trinta ocasiões, e o Chelsea, campeão europeu à custa do dinheiro de um russo e campeão inglês apenas um par de vezes. Para o Benfica, vencer a competição teria sido um momento fantástico da sua história. Perdê-la foi um rombo tremendo para clube e adeptos. Já o Chelsea, qual novo rico, quase que teve vergonha de festejar esta conquista e nem por um momento os seus adeptos repensaram perdoar Benítez com este troféu.

Novos tempos… O que parece certo é que o dinheiro anda aí e não ficará parado. Com o negócio Bale, o mercado fica de novo louco depois das investidas desenfreadas de Mónaco ou Nápoles. Desta vez será André Villas-Boas quem terá o bolso cheio para investir. E ainda vai sobrar para o Benfica. Falta uma semana, que será tudo menos calma.

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joni_desenhoJoni Francisco

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One thought on “Dinheiro fresco para combater a crise

  1. Eu gostaria de ter conhecido seu blog mais cedo. Ler seu website mudou completamente minha forma de ver a respeito de ganhar dinheiro na internet. De que jeito posso ganhar mais dinheiro em meu tempo de folga do trabalho? Desejo que responda minha dúvida e continue esse seu incrível trabalho . Fui e sucesso!

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