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parque1São nove da manhã e o despertador já toca estridente. Saio da cama preparado para mais um dia de trabalho, ainda com o cérebro a meio gás. Arrasto-me a custo até à casa-de-banho em busca de um rejuvenescedor duche à medida que me vou apercebendo do calor que se faz sentir lá fora. Quando volto para o quarto sento-me por breves instantes em cima da cama e só nessa altura regresso ao mundo real: este não será um dia de trabalho. Mesmo com uma licenciatura concluída com bom aproveitamento e um mestrado quase terminado, continuo sem emprego. As oportunidades profissionais são escassas e a procura é elevada. “Que merda”, pensei; o dia não poderia ter começado pior.

Visto a primeira coisa que me salta à vista quando abro o roupeiro e calço os chinelos enquanto sou vigiado de perto pelo cão, impaciente e desesperado para dar o seu primeiro passeio do dia tal como é hábito. Lembrei-me então que a obrigação de levar este afável animal à rua havia sido o motivo que me levara a programar o despertador para tocar àquela hora.

O sol que queimava a pele fez-me chegar a casa ansioso por um copo com água gelada. Troco de roupa num ápice e enquanto tomo o pequeno-almoço, acompanhado de pelas notícias políticas e desportivas do costume, decido ir de seguida até à biblioteca da faculdade para adiantar algum trabalho relativo à tese de mestrado.  Pego no carro e conduzo-me até Sete Rios, local onde o costumo deixar para depois apanhar o Metro até à Cidade Universitária e evitar desta forma os exorbitantes preços dos parquímetros, insuportáveis para qualquer cidadão comum. Quando chego a Sete Rios apercebo-me que as marcas no pavimento que haviam sido colocadas em toda aquela zona na semana anterior não tinham qualquer função estética ou funcional: o estacionamento por aquelas paragens é agora pago.

Sem moedas na carteira, opto por parar o carro fora dos recortes com a preocupação de não importunar a circulação automóvel nem os peões e sigo o meu caminho. Passadas cerca de três horas estou de regresso ao mesmo local, já com o almoço que me espera em casa no horizonte. Deparo-me então com um original brinde de aparência atraente e cor vermelha preso entre a escova e o vidro frontal do meu carro. Nele lia-se EMEL em letras gordas e no verso dava-se conta de uma coima por estacionamento irregular no valor de 30 a 150€, que se poderia ficar pelo valor mínimo se fosse paga de forma voluntária na Loja Oficial dos simpáticos senhores que me tinham autuado. Tamanha ironia consegue arrancar-me de imediato um sorriso no instante em que acabo por perceber que a crise afinal não é assim tão forte como se diz: ainda faltam três meses para o Natal e já estou a receber prendas.

No percurso de regresso a casa vejo-me obrigado a parar na bomba de combustível para alimentar um depósito que já se encontra por esta altura muito perto de vazio. 10 Euros de gasolina sem chumbo 95 dão para 6 litros de líquido e eu continuo na reserva. Chego a casa e deparo-me com o cão novamente em pulgas para ir à rua. Lá fora o sol apresenta-se mais abrasador do que nunca e amanhã o despertador voltará a tocar às 9 da manhã, para mais um dia de trabalho.

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