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arsene-wenger1Arsène Wenger começou o Verão com um subsídio de férias de cerca de 100 milhões de euros, dizia-se. Os tempos de austeridade, em consequência da construção do Emirates Stadium, já faziam parte do passado e agora era tempo de começar a investir na equipa com contratações sonantes para a colocar num patamar semelhante ao dos grandes colossos europeus, “como o Bayern de Munique”, anunciou o Chefe-Executivo dos gunners, Ivan Gazidis.

As declarações do alto responsável do clube fizeram sonhar os adeptos dos londrinos, sedentos de vitórias depois de oito anos sem ganhar qualquer título. Mas encerrado o mercado de transferências, percebemos que a história foi bem diferente.

O Arsenal gastou cerca de 50 milhões de euros, ou perto disso, num enormíssimo jogador que será sem margem para dúvidas o craque da equipa e fará a diferença em muitos e muitos jogos. Özil é um super jogador da cena mundial, um dos melhores médios do planeta, e a sua venda por parte do Real Madrid, como já se disse, é verdadeiramente incompreensível. Um jogador de fino recorte, elegante, de passe mortal , de assistência, de meio-golo. Um “10” daqueles que antes se viam aos magotes mas que agora parecem estar em vias de extinção. Este “achado” dos merengues (contratado em 2010 por somente 15 milhões de euros) é mais um daqueles erros históricos de um clube habituado a vender estrelas que depois acabam por vingar noutros clubes europeus. Porém, mesmo com  Özil, o Arsenal não deixará de ser uma equipa desequilibrada, com jogadores vulgares e medianos em quase todas as posições do campo. É assim há anos e continuará a ser. Acabado o defeso e o período de transferências, restará saber agora quem está a mentir. Terá mesmo a direcção dos gunners disponibilizado 100 milhões de euros para reforços nesta temporada? E se sim, por que razão Arsène Wenger optou por gastar apenas metade desta verba?

KR175730_942longMesmo tendo em consideração o peso dos encargos assumidos pela construção do novo estádio, que necessariamente o colocaram em inferioridade perante os rivais de Inglaterra, o quase total desinvestimento do Arsenal nos últimos anos é um verdadeiro mistério que só mais recentemente tem merecido preocupação por parte da massa adepta dos londrinos. Senão vejamos: na lista dos dez clubes mais endividados do Mundo, onde efectivamente consta o Arsenal, os gunners ocupam a última posição com um volume de dívida de cerca de 254 milhões de libras, muito abaixo dos 876 millhões e 895 milhões do Chelsea e do Manchester United, respectivamente segundo e primeiro classificados na tabela dos mais endividados. Por outro lado, no clube dos mais ricos, o Arsenal ocupa a quinta posição, com cerca de 251 milhões de euros em receitas, e apenas ultrapassado, no que toca às formações de Inglaterra, pelo Manchester United, terceiro classificado com um volume de receitas na ordem dos 367 milhões de euros. Tudo isto num clube que tem o mais alto nível de bilheteira de Inglaterra.

E se pensarmos que nestes oito anos de jejum, depois do campeonato de 203-2004, os gunners foram desfazendo a sua equipa a conta-gotas, conseguindo verbas de milhões e milhões de euros com as vendas, entre outros, de Ashley Cole, Thierry Henry, Adebayor, Cesc Fábregas, Song, Nasri e Gael Clichy, mais estranha se torna esta política de desinvestimento que tem deixado a formação de Wenger sem capacidade para lutar pelos troféus que se habitou a ganhar, no passado.

Depois, a aposta em jovens talentos acaba por não ter consequências em virtude da incapacidade do treinador francês em segurar os seus principais jogadores. Um ciclo mais que visto no futebol e que a falta de liderança da estrutura directiva ajuda a acentuar.

Highbury_ParkPela sua grandeza, pela imagem do futebol elegante e eloquente das suas equipas, o Arsenal mereceria outros jogadores que não os que agora tem à sua disposição. Continuam a entrar onze arsenalistas em campo, vestidos a rigor, mas aquela não é a equipa do Arsenal, a que me habituei a ver jogar no velhinho Highbury Park, composta por 11 bailarinos que em campo não se limitavam a chutar uma bola. Liderados pelo inigualável Thierry Henry, num relvado sempre impecavelmente tratado, aqueles onze bailarinos executavam com mestria uma coreografia ensaiada pelo Professor Arsène Wenger. Futebol de ataque, golos e um campeonato invicto conquistado por uma equipa recheada de craques como Patrick Vieira, Gilberto Silva, Fàbregas, Robert Pires, Ljungberg e Dennis Bergkamp.

March 2002- Thierry Henry, Robert Pires and Sol Campbell of Arsenal celebrate winning the league at Highbury against Everton-815527Deste “dream team” já nada resta. Uma defesa cheia de buracos, um meio-campo sem um médio defensivo ou um trinco capaz de proteger a fragilidade física dos homens da frente e um ataque sem nenhum homem-golo. Sobram Wilshere, Ramsey, Cazorla, Theo Walcott e agora Özil numa equipa com muitas deficiências.

A verdade é que a tal história imaculada exige respeito da parte de dirigentes que têm tido muitas dificuldades em comunicar com os seus adeptos. Wenger acaba também por ter culpas no cartório e transparência exige-se por esta altura. Para acabar com o clima de suspeição que vai pairando sobre o Emirates, é preciso falar verdade e exigir responsabilidades. O “rebuçadinho” Özil não apaga as mentiras que foram ditas neste e noutros mercados. Onde pára o dinheiro? Por que não foram gastos os 100 milhões de euros anunciados em reforços? Por que se esperou apenas pelo último dia do mercado para contratar um dos tais craques de que se foi falando? Por que se deu ao luxo Wenger, com uma equipa cheia de carências, de não gastar o plafond disponibilizado? A cada mau resultado da presente época, mais alto se ouvirão, em Londres, todas estas questões.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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One thought on “O estranho caso do Arsenal FC

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