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Aqui há dias estava refastelado no sofá quando vejo o eterno bombeiro da SIC, José Figueiras, provavelmente com Flubber nas calças – tal era a sua euforia – anunciar uma surpresa no programa da manhã: a presença de uma grande figura da música ligeira portuguesa, de seu nome: José Alberto Reis (JAR).

A SIC em contenção de despesas dispensou a intérprete de linguagem gestual e o galã vimaranense, generosamente, optou por cantar o sucesso “Cama de Espinhos” com uma coreografia, gestualmente, benevolente, que misturava movimentos sensuais de mata moscas, ápices nirvanistas e linguagem gestual. Um bónus para agradar aos fãs surdos e com atrasos mentais. Que a julgar pela qualidade das canções devem ser muitos.

A sua maior fã estava no estúdio, extasiada com o travo a tapas que a voz ibérica deste romântico emitia enquanto soltava o refrão: “Então é assim… Eu durmo sozinho num quarto sem cor, em cama de espinhos ÊnvÔlto na doRE…”

A fanática por JAR, estava embasbacada com a presença do ídolo e por amar “todas, todas, todas” não conseguiu escolher nenhuma música preferida. Ela não sabe as letras de cor, e nem vai muito a espectáculos do JAR, mas isso tem uma explicação óbvia: “Não posso cantar muito que tenho um problema nos pulmões mas estou sempre a ouvir na net.”

Faz todo o sentido. Se gostamos de uma música ou de um artista, para quê ir aos concertos dele ou decorar as canções se depois não podemos cantar? O mais sensato é ouvir na net e esperar pelos avanços da medicina. Pode ser que daqui a uns anos se descubra a cura para Pulmopimbonetologia – Insuficiência pulmonar que impossibilita seres-vivos de decorar música pimba auscultada na net. Um flagelo que infelizmente afecta muitos portugueses, em especial os de origem bovina.

Felizmente JAR não padece desse mal. Enquanto a admiradora tremia de emoção perante o seu perfume latino, humildemente, afirmou: “Eu tenho a noção de que há muita gente que se apoia neste tipo de música para limpar muita coisa emocional.” A Renova que anda sempre de olho em formas de inovar nas limpezas interiores, deveria reflectir sobre o significado desta frase.

540122_594641270586365_1682360374_nQual é o principal objecto de desejo dos fãs de um cantor? Os seus cds. A SIC fez o favor de oferecer à fanática por JAR alguns cds do artista para juntar à sua vasta colectânea. Uma maravilha de prémio. Agora a colecção privada desta devota do Alberto-Reísmo vai aumentar exponencialmente – pensei eu. Mas em tantos anos de devoção quantos cds já terá compilado ela? 15? 12? 9? 7? Acertou quem respondeu zero. A explicação é simples: “Os ciganos não vendem dele (JAR)”. Pois não minha senhora, é que a SIC chegou primeiro e comprou tudo. Portanto pare de injuriar os pobres dos feirantes e trate de agradecer ao Figueiras que lhe poupou uns euros. Caso sinta falta de algum cd específico há uma família de ciganos chamada FNAC que tem muitas barracas espalhados por todo o país. Normalmente localizam-se em tendas ou feiras muito grandes que os meninos da cidade chamam de centros comerciais. Pode ir numa mula amarela da família Carris ou então no seu burro privado que tem direito a um espaço individual para o estacionar. Caso nada do que escrevi seja útil, sugiro à SIC que escolha melhor os figurantes.

No momento conturbado em que vivemos, com a iminente guerra da Síria, faz falta algum romantismo para mediar o conflito. E isso José Alberto Reis tem de sobra. Já estou a imaginar o cantante ibérico mandatado por Obama a aterrar em Damasco para cantar ao líder sírio êxitos como por exemplo: “A minha dor tem o teu nome” “Diz-me que é mentira” ou “Mágoa”. Mas acredito mais que JAR pudesse chamar Bashar al-Assad à razão entoando um dos seus famosos refrões: “Alma rebelde, rebelde, rebelde, não sejas assim. Alma rebelde, rebelde, rebelde, eu sofro por ti!”

A resposta síria a Obama chegaria em clássicos como: “Confia em mim”, “Perdoa-me outra vez” ou “Um homem não mente”. Este conciliador arrebatado poderia selar a paz com icónicos temas como: “ Vitória” ou “Abraça-me, simplesmente abraça-me”.

FOTOS18José ou Rossé Alberto Reis, é sem dúvida um talento a falar de amor. Uma espécie de filhote de Júlio Iglésias com a Ágata. Herdou a expressão sofredora e o olhar terno da mãe. Do pai herdou o charme latino e o salero. José é um eterno conquistador, de cabelos tom de baby Mon Chéri que reside em Ermesinde, aprecia pintura e pratica artes marciais. A junção perfeita dos ingredientes de que são feitos os ídolos. JAR tem o algo mais de que são feitas as estrelas, apesar do meu avô achar que ele é apenas um cantor pimba com “cara de pato”.

É preciso analisar correctamente a essência deste galanteador. Fui às ruas e fiz um inquérito rigoroso e exaustivo que me revelou uma verdade irrefutável: 97% das mulheres lusas apontam o músico como o único homem por quem trairiam o marido e como o maior sex símbol nacional pós-José Cid.

Um dos grandes êxitos do cantor, o hit “Confia em mim”, mostra todo o jogo de sedução deste amante à moda antiga. No videoclipe não funciona muito bem, mas na vida real é sucesso garantido. Tudo se inicia numa mansão, onde um cão é passeado por uma mulher, ou o inverso. Devido à bipolaridade da jovem é impossível perceber quem toma conta de quem. Os dois mundos desta personagem reflectem-se em cada minuto do videoclipe.

Está numa mansão, mas veste fato de treino. Ficamos sem saber se é porteira (voto nesta opção) ou proprietária. A sua expressão facial, inicialmente, é de depressão, depois de alucinação. O que no início, até se percebe. – Ela encontra-se sozinha numa casa gigante, fechada há séculos (deve haver muito que limpar), a ser lambida por um cão que desconhece e ainda tem de vestir roupa barata da Sport Zone – ninguém merece. Mas de repente tudo muda. A jovem avista um helicóptero e entra no estado alucinativo – é este o efeito que o Rossé provoca nas mulheres. Começa a saltar e acena tresloucadamente até que descendo dos céus, qual Pássaro de Fogo, o filhotinho de Júlio Iglésias aterra e sai ao encontro da desemparada porteira que o abraça efusivamente. Os dois partem então para um jornada pelos céus que de repente se transforma numa viagem no comboio do Noddy. É neste momento que descobrimos que além do charme e da fisionomia angelical, JAR tem o poder do teletransporte. Esta aventura começou numa mansão, passou por uma viagem de helicóptero, foi parrar ao comboio do Noddy, desaguou na praia e acabou num bar de caipirinhas onde o cantor dá aulas de bilhar. Tudo isto em cerca de três minutos e meio. – Isto é que gestão do tempo.

Ao longo deste trajecto, JAR foi deixando reiteradamente o repto: “Côônfia em minn, que eu te darei o céu.” E finalizou a aventura com mais um convite profundo: “Se tu quisseres amor eu tenho para te dar. Se tu quisseres calôr eu vou-te queimar. Tu podes-te aconcheegar que eu sou algodão…” – No fim a jovem pisca o olho e desaparece. A prova viva do mercenarismo feminino e de que quem realmente gosta dos homens são os homossexuais. Então ela andou naqueles transportes todos, bebeu caipirinhas, teve direito a roupas novas e a aulas de bilhar, tudo de borla, e no fim em vez de retribuir pisca o olho e pira-se? Não te preocupes Zé, ao menos na vida real funciona.

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SONY DSCBruno Gomes

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