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A prestação das equipas portuguesas na primeira jornada da fase de grupos da Liga Europa foi fraquinha, mas ainda assim pouco ou nada surpreendente. Três equipas em campo, duas derrotas e apenas uma vitória, da única formação com “obrigação” de ganhar na sua estreia europeia.

O desaire do Paços de Ferreira em Florença (0-3) não é notícia, nem tanto pelo pé frio de Costinha, que ainda não ganhou, mas mais pela diferença de arcabouço entre os castores e os viola. Desta vez nem sequer o tal “bom futebol” que tanto a crítica apregoa serviu para disfarçar impacto de novo fracasso. O Paços viajou até Itália para ver a Fiorentina jogar, nada mais.

Na Amoreira o Estoril teve um desafio igualmente complicado. Na conferência de imprensa de antevisão do duelo europeu, Unay Emery não teve pejo em lançar desde logo o objectivo do Sevilha: vencer o grupo. Os andaluzes dominaram todo o encontro e apesar da boa réplica dos canarinhos, que ainda marcaram um golo, acabaram por vencer por 2-1 e oferecer os três pontos aos mais de 2500 adeptos que se deslocaram até à linha.

Por fim, o único triunfo português da jornada na competição secundária da UEFA, que este ano não contará com Sporting e Sporting de Braga para amealhar pontos para Portugal. O Vitória de Guimarães recebeu e venceu, com facilidade, os croatas do NK Rijeka por 4-0.

Feitas as contas, e ponderada a ausência de duas das equipas que por norma costumam passar da fase de grupos e fazer bons percursos na competição, percebe-se o quão penosa poderá ser, este ano, a participação portuguesa nesta prova europeia.

Para já, três equipas importantes no panorama nacional, mas totalmente impotentes no cenário europeu, com plantéis extraordinariamente limitados e alguns atletas com francas deficiências técnico-tácticas. Das três, talvez o Estoril seja aquela com maior margem para poder sonhar. Pelo grupo em que está inserido, e pelos jogadores e futebol praticado pela equipa nesta e na passada temporada. Mas não deixa de ser um sonho,  e os sonhos não acontecem todos os dias.

É por isso uma vez mais contraproducente o desejo português de ver os seus parentes mais pobres a brilhar na alta roda do futebol europeu. Porque os Davides daqui do burgo são sempre os mesmos, nada a fazer, e nem sempre são ainda por cima capazes de fazer frente aos Golias que os vão desafiando. Por tão desnivelado que está, o campeonato português rejubila ao mínimo levantar de peito da mais insignificante sociedade desportiva. E com isso vai-se iludindo quanto ao real potencial das suas equipas e do seu futebol.

Quando na temporada passada se festejava  o 3.º lugar do Paços de Ferreira de Paulo Fonseca, lançavam-se as canas e rebentavam-se os foguetes sabendo desde logo o que aí vinha: perda de uma equipa portuguesa na Liga dos Campeões e depois na Liga Europa. Nenhuma novidade até aqui.  Uma vez mais a constatação da pobreza do nosso futebol. Um candidato à descida que consegue o pódio, não por ter sido a terceira melhor equipa do campeonato, mas porque as outras duas candidatas ao lugar foram saltando de derrota em derrota até perder o barco dos milhões da Champions League.

Festejar as presenças europeias das equipas portuguesas sem estatuto e capacidade para jogar além-fronteiras é como quando ficamos todos contentes por viajar para fora do país em trabalho. No início é grande o entusiasmo por sair fora de portas e ir para Londres, Paris ou Milão. Mas na prática o efeito de ter apanhado um avião é o mesmo do que se tivéssemos ficado no mesmo sítio, para cumprir a mesma rotina de sempre. Ficamos com a fama, sem ter o proveito. Fomos para fora, mas não vimos nada.

O que dirão as nossas equipas quando se lhes perguntarem? “Foi muito giro, mas não houve tempo para ver muita coisa.” Sabemos como são, regra geral, as viagens destas formações portuguesas na Liga Europa. Curtas, muito curtas, e sem grande coisa para contar. O impacto da chegada, depois, é que não costuma ser nada meigo. O regresso aos velhos hábitos, ao tédio do nosso campeonato e das nossas equipas faz com que o acordar do sonho seja um pesadelo. Uma depressão que não raras vezes termina da pior forma, na segunda liga. Do céu ao inferno, assim num abrir e fechar de olhos.

Não serve este texto, no entanto, para amaldiçoar as aspirações legítimas de Estoril, Paços de Ferreira e também Vitória de Guimarães. Oxalá haja reviravolta, oxalá haja sorte e engenho para passar à próxima fase. Mas o argumento deste filme está mais do que repetido. De que serve sonhar?

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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