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A administração central do Palavras ao Poste decidiu refugiar-se na pacatez de um monte alentejano para comemorar o crescimento sustentado do blogue da opinião, quase, certeira.

Aproximadamente 6 meses depois do começo desta aventura superámos os 1000 likes no Facebook, chegamos em força a países tão díspares como Namíbia, Finlândia ou Índia, alcançamos cerca de 90 mil visualizações, 51 mil leitores e quase fomos processados pelo Toy. Metas que obviamente muito nos orgulham, em especial a última. Decidimos então, mais uma vez, marcar uma reunião no nosso escritório, a cafetaria “D. Lurdes”, um local de culto para quem gosta de boa comida, cheiro a fritos e de conversar com trolhas. Desta vez não encontramos o primo do Mário Soares, “o maior bandido de Portugal”- segundo o meu avô e o próprio primo. Mas trocamos um dedo de prosa com o “Agressivo de Moura” um alentejano de gema, fanático pelo Miguel Garcia “o melhor jogador português da actualidade” e com um bronze de tinto de meter inveja a qualquer tia de Cascais. Ficamos sem perceber qual o seu clube já que intrometeu-se na conversa para defender o símbolo leonino, Manuel Fernandes, (”O homem chorou , aquilo não se faz” – em relação à saída de Alvalade) e deixar um recado a um adepto benfiquista: “Tu cala-te que levaste 7”! Mas afinal também não poupou um dos leões da mesa: “Tu calado que levaste 5″.

Para finalizar a reunião em grande presenciamos uma jovem de etnia cigana, no meio do nosso escritório, a ofender o esposo com impropérios de teor homofóbico.

No final do repasto, percebemos que necessitávamos de marcar um retiro espiritual para pensar o blogue e recarregar baterias. Pensamos na Comporta para brincar aos pobrezinhos, mas como esse já é o nosso dia-a-dia, optamos por um monte alentejano para brincar aos pobrezinhos poupadinhos. Estivemos o fim-de-semana sem rede telefónica e electricidade. Água, só bem racionada e luz apenas a solar e de algumas velas – para manter um certo romantismo. Em termos de comida não faltou nada, tirando um chouriço que um gato selvagem nos roubou no monte e o resto da gigante panela de arroz de marisco que não conseguimos acabar numa tasca alentejana.

1073759_702295796463272_823561215_oTivemos bons momentos de lazer, como uma praia privativa onde se arrisca a vida para lá chegar, com uns 10 metro de rapel com uma corda manhosa à mistura. Felizmente saímos todos com vida desse paraíso, o que nos possibilitou dar uns mergulhos no dia seguinte, num lago isolado, na companhia de um grupo de nudistas germânicos onde se destacavam duas sensuais mulheres farfalhudas e dois sujeitos pouco dotados.

Para passar um intenso fim-de-semana como este tínhamos de estar embalados pelo que de melhor há em termos de música nacional no momento. A playlist tinha grandes nomes: Marco Paulo, Toy, Clemente, Tony Carreira, Mr.U, Quinzinho de Portugal, Nel Monteiro e o Lorde JoaQuim Barreiros.

De destacar duas músicas, em primeiro lugar, “Taras e Manias” de Marco Paulo. Os cantores de música ligeira (=pimba) portuguesa adoram cantar músicas compostas por brasileiros, com expressões do Brasil, mas com sotaque nacional.

Sabe lá o Marco Paulo o que quer dizer “menina levada”… Safadeza, até acredito que saiba, afinal ele é um safadinho do capeta. Coisa que eu desconhecia, até porque no inicio da música ele acusa, de forma exaltada, a mulher: ”Você não tem um pingo de vergonha” – Muito bem, mostra que é um homem cristão e decente. Força Marco põe esta mandriona no sítio. – Pensei eu. Mas para minha decepção ele emenda este verso com o seguinte: “ E todo o homem sonha ter alguém assim!” – Então ela não presta, é uma safadona do pior e tu queres ter alguém assim? Ou ele estava no cabeleireiro a fazer uma permanente e não conferiu a letra ou então é mesmo um libertino… O que pensando bem, não espanta, ele até tem Dois Amores e gosta quando ela “mexe remexe, se encosta, se enrosca, se abre, se mostra pra mim, me agarra, me morde, me arranha. Não mude que eu quero você sempre assim” – Depois da última frase o veredicto não pode ser outro: Marco, você é um devasso cafajeste.

Em segundo lugar de destacar pela negativa a famosa canção, Mr.Gay, do Alex. Enquanto esta bela melodia tocava, um bêbado cruzou-se connosco na estrada e por pouco não tivemos um acidente, o que obviamente nos deixou em pânico. Ninguém quer ser encontrado morto com mais quatro homens, num carro no meio do nada, enquanto os corpos se esvaem em sangue e no rádio está a tocar o Mr.Gay, que já não é uma criança e tem muito para dar. Até estou a imaginar a capa do Correio da Manhã do dia seguinte: “Quinteto homossexual falece em estrada alentejana. Símbolo da música gay embalou a morte de fãs do YMCA”.

1186346_720425864650265_2075410294_nA TVI enviaria logo um helicóptero e algum jornalista com ar de croquete ia entrevistar as idosas da aldeia mais próxima. Provavelmente seria a do Joni Francisco. E com certeza alguma das velhotas lá diria: “Estes meninos da cidade são sempre uns pervertidos. Andei com aquele Joni ao colo, mas desde que foi para Lisboa, nunca mais me enganou. Era um macho alentejano e virou uma franga lisboeta.” O nosso funeral estaria repleto de gays, lésbicas e simpatizantes e o Alex cantaria uma Avé Maria no velório. Seriamos transformados em mártires da causa homossexual que perderam a vida devido ao alcoolismo típico dos homofóbicos.

Tudo isto seria manifesta falta de sorte, porque no Ipod havia grandes sons másculo-românticos como “A Garagem da Vizinha” ou “Como o Macaco gosta de Banana”.

No fundo, o mais importante é que estamos inteiros e cheios de força para continuar com este projecto que nasceu com aroma a fritos e tem sido um prazer para todos nós. Um projecto de afectos e liberdade onde cada um diz o que pensa, mesmo que não tenha neurónios para pensar – como este que vos escreve. Esperemos que nos continuem a acompanhar e possamos daqui a muitos meses voltar a descrever o nosso novo fim-de-semana de processo criativo. Já se passaram cerca de 6 meses e mais de 250 artigos e isso, sem dúvida, é bué!

Queria aproveitar a ocasião e, em nome do grupo, dedicar este artigo ao Sir Coleman. Um fidalgo britânico com quem tivemos o prazer de conviver desde 2008 e que incessantemente nos apoiou no desenrolar do blogue. Uma pessoa que suportava de forma leve e por vezes até gelada – era a sua maneira de ser – muito do saber que nós consumimos nestas tardes, quentes, de verão. Muitos dos ensinamentos que nos deu estão de corpo e alma transcritos na história do “Palavras ao Poste”. Uma vénia especial para ele que infelizmente nos deixou no último fim-de-semana, vítima de um acidente de viação. A sua memória permanecerá sempre fresca nos nossos corações. Até sempre Mr.Coleman!

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SONY DSCBruno Gomes

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3 thoughts on “6 meses é Bué!

  1. Sinto muito pelo sr. Coleman, ele é tb muito conhecido aqui em Moçambique, mas pelo menos deixa por cá muitos irmãos e filhos.

    E quanto aos artigos…que venham muitos mais!
    Parabéns!!!

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