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Inter Milan's manager Mourinho holds the trophy following their Champions League final soccer match against Bayern Munich in MadridO 9.º lugar de 2012/13 e os sucessivos desastres desportivos das últimas épocas deixavam Massimo Moratti, Presidente do Inter de Milão, sobre brasas. À entrada para mais uma stagione sportiva, a escolha do novo técnico do histórico clube de Milão não poderia falhar, sob pena de criar uma fissura ainda maior entre a massa adepta nerazzurra e o seu líder, cuja pontaria a nível de treinadores, ao longo do seu mandato, nunca foi propriamente certeira.

Por isso mesmo o empresário italiano apostou tudo neste verão e trouxe para o Giuseppe Meazza Walter Mazzari, ex-técnico do Nápoles e um dos mais conceituados da Serie A. A preferência por Mazzarri foi por isso um sinal de inteligência de Moratti, que no entanto parecia continuar com a torneira fechada e sem fundos económicos para reforçar o leque de jogadores à disposição do seu novo treinador.

As dúvidas à volta da prestação do Inter de Milão em 2013/14 eram logicamente mais que muitas, pelas carências do plantel  e pela falta de investimento em jogadores de peso, ao contrário dos seus principais rivais. Ainda assim, a ficha Mazzarri era trunfo fortíssimo dos nerazzurri que não poderia nunca ser menosprezado, como de resto já tinha aqui defendido num artigo de antevisão  à Serie A deste ano [Serie A 2013-14: o prolongar de um ciclo]. Porque o futebol já nos ensinou que nem sempre os jogadores-estrela conseguem formar uma equipa, mas muitas vezes os treinadores-estrela conseguem formar um onze campeão.

 Uma equipa destruída pelos “anti-Mourinho”

Rafael-Benitez-InterDois Campeonatos, duas Taças, uma Supertaça e uma Liga dos Campeões. Em dois anos de José Mourinho, o Inter escreveu algumas das páginas mais relevantes da sua história. A saída de “Lo Speciale” nunca seria fácil, já se sabia, mas nem nos piores pesadelos se imaginaria tão longo calvário no Giuseppe Meazza. Decisão atrás de decisão, Massimo Moratti foi cavando a sepultura de uma era gloriosa construída às custas do treinador português, sem o qual a habitual parada de estrelas de que tanto o Presidente gostava nunca teria atingido o topo do futebol europeu.

Primeiro Rafa Benítez, depois Claudio Ranieri: a tara de Moratti por alguns dos maiores “inimigos” de Mourinho ao longo da sua carreira foi desde sempre inexplicável, tanto pelos atritos entre os técnicos como pelo apego dos jogadores interistas ao líder que os tornou campeões. Ali misturadas outras tantas opções que também viriam a fracassar, como Leonardo e Gasperini. Por fim a aposta no enésimo “novo Mourinho”. As comparações entre o português e Andrea Stramaccioni, no entanto, ficaram-se mesmo por aí, nas fantasias e loucuras da imprensa italiana.  Lado a lado com estas escolhas, a devastação do onze campeão de 2010-11. Júlio César, Thiago Motta, Maicon, Stankovic, Sneijder, Samuel Etoo e outros deixaram Milão e desformataram uma equipa que chegou a ser a mais forte do Mundo em 2011.

Revolução ou fim de ciclo?

Walter-Mazzarri-InterCom a chegada de Mazzarri adivinhavam-se grandes mudanças na equipa do Inter, nem que fosse pela maior organização e competitividade que o ex-técnico do Nápoles iria incutir nos seus novos jogadores. Apesar disso, a verdade é que o plantel não sofreu grandes alterações e apenas recebeu algumas contratações cirúrgicas para possibilitar o início de um novo ciclo, que, já se sabia, passaria sempre por um esquema de três centrais, o tal que nunca resultou nos três meses de Gasperini. Assim, as compras de Andreolli e Hugo Campagnaro, por exemplo, fizeram desde logo prever a aplicação do sistema táctico de sempre de Mazzarri. Foi assim no Livorno, foi assim na Reginna, Sampdoria e por fim no Nápoles. Por que seria diferente no Inter? Com algumas variantes, a predilecção de Walter Mazzarri por uma defesa a três nunca foi segredo para ninguém, e a sua dinâmica de vitória não faria por isso supor qualquer mudança na experiência em Milão. Mas as peças disponíveis no Appiano Gentile são agora  bem diferentes daquelas com as quais Mazzarri se habituou a ganhar no San Paolo, como Marek Hamsik e Edinson Cavani. E daí, apesar do grande início de época, o Inter ainda não poder aspirar à conquista do scudetto.

De “dispensados” a imprescindíveis

Falta essencialmente a Walter Mazzarri uma tripla ofensiva como aquela de que dispôs há duas épocas (Hamsik-Cavani-Lavezzi) e um goleador para servir de seu “ganha-pão”, como foi o uruguaio durante os quatro anos em que o experiente técnico orientou os napolitanos. No resto, vão chegando para as encomendas as caras que por agora sustentam uma equipa equilibrada mas balanceada para o ataque.  No 3-5-1-1 de Mazzarri, cabe o mesmo tridente defensivo, linha de 5 e um único homem na frente  que foram utilizados no Nápoles a sensivelmente meio da temporada passada, e que culminou no segundo lugar da Serie A. E onde começam a explodir alguns dos activos mais valiosos do clube mas que foram sendo desvalorizados ao longo das duas últimas épocas. Juan, Ranocchia, Jonathan, Kovacic e Ricky Álvarez assumem agora no projecto de Mazzarri um papel de relevo na equipa do Inter, e mostram o valor que lhes foi sendo apontado no trajecto de formação nos seus clubes de origem. Promessas do futebol europeu que não querem de maneira nenhuma desperdiçar a oportunidade de se tornarem estrelas de um dos maiores clubes de Itália e da Europa.

Ao mesmo tempo, veteranos como Esteban Cambiasso e Diego Milito readquirem o protagonismo e influência na equipa, servindo de guias da elevada juventude que agora começa a recuperar o tempo perdido na temporada passada.

3-5-1-1: A defesa a três de Mazzarri

A paixão de Walter Mazzarri pelos sistemas tácticos de três centrais não se explica pela habitual vocação defensiva das equipas italianas, habituadas a entregar o domínio de jogo ao adversário e a resguardar a sua baliza com duas linhas defensivas, a primeira dela composta por cinco jogadores. A visão do técnico estende-se por isso ao relvado, para lá da teoria, seguindo uma estratégia de comando e superioridade ofensiva nos encontros que se traduza depois em golos. Isso mesmo atestam os 15 golos marcados pelo Inter, que representam o melhor ataque da Serie A nesta temporada, nas quatro vitórias e um empate (este frente à campeã Juventus) obtidos pelos nerazurri. Em todos estes encontros, um denominador quase comum que salta à vista: um onze praticamente inalterável desde a primeira até à quinta jornada, traduzindo uma base de trabalho que até ao momento tem dado frutos saborosos à clientela do Giuseppe Meazza.

safas

À frente do esloveno Handanovic, os defesas Hugo Campagnaro, Andrea Ranocchia  e Juan Jesus formam uma âncora  de suporte que até agora tem surpreendentemente dado sinais de estabilidade, com apenas 2 golos sofridos em 5 jornadas que a tornam na segunda melhor defesa do campeonato, apenas atrás da Roma, líder isolada e invicta com apenas 1 golo sofrido. A juventude e inexperiência de Ranocchia e e Juan, que tantos golos custou na temporada transacta, é agora compensada pela experiência e presença do veterano contratado trazido de Nápoles por Mazzarri. Os três ocupam todo o espaço defensivo no processo de construção e recuam para a pequena área na fase defensiva, complementando posicionamento, velocidade e agressividade na hora de defender a sua baliza. Depois, na tal linha de cinco a meio-campo, Cambiasso, Guarin e Taider procuram oferecer o necessário equilíbrio e segurança à equipa que permita aos laterais Jonathan e Nagatomo ter a profundidade que este esquema exige e de que tão apreciador é Walter Mazzarri. No ataque, o possante mas criativo médio argentino Ricky Álvarez é responsável pela ligação directa ao compatriota Rodrigo Palacio, dotado de total liberdade na frente de ataque.

Na última jornada, frente à forte Fiorentina de Montella, assim jogou mais uma vez o Inter de Milão, num encontro muito repartido onde ao jogo de posse e movimentação dos médios dos viola Mazzarri respondeu com agressividade, pressão e rápida recuperação de bola de Cambiasso, Guarin e Taider, apoiando a verticalidade de Nagatomo e Jonathan. Na zona de decisão, Ricky Álvarez conseguiu ser o jogador mais da equipa e responsável pelos desequilíbrios que mais nenhum jogador daquele onze poderia ser capaz de fazer, espalhando laivos de classe e técnica apurada que aliada à mobilidade e improviso de Palacio foram capazes de fazer mossa e assinar uma impressionante reviravolta frente à equipa toscana (2-1). E fora deste onze estão ainda jogadores como Wallace, Álvaro Pereira, Kovacic e Mauro Icardi, todos eles com contributos decisivos já nesta temporada e em crescendo de forma nos últimos jogos.

É ainda muito cedo para vaticinar o percurso desta equipa do Inter Milão na presente temporada. Nápoles e Roma parecem estar noutro patamar mas a equipa de Mazzarri está num processo evolutivo que só pode ser interrompido por algumas deficiências óbvias no plantel, que eventualmente lá mais para a frente do campeonato podem comprometer todo este trabalho. Mas Janeiro está aí à porta e não são precisos assim tantos euros para resolver um ou dois problemas. E a ausência das competições europeias até pode ajudar, assim se aguente a equipa nestes próximos três meses.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

 

 

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One thought on “O Inter de Mazzarri

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